"Chagas, achas que consegues, 20 anos depois, fazer um 'post-mortem' dos critérios de nomeação dos graduados do teu curso? Ou apenas o teu caso pessoal...", foi o desafio deixado por um camarada anónimo no "post" Memórias do Baú III - Os Graduados.
Embora me tenham ensinado que não devemos dar crédito a mensagens anónimas, eu tinha já em preparação um "post" sobre este tema, numa visão mais pessoal, pelo que resolvi aceitar o desafio de analisar também a globalidade do processo das graduações. É uma análise (irrelevante) a um tema delicado, pois qualquer crítica poderá ser interpretada como um "ressabiamento" com 20 anos de "maturação", mas... vamos a isto.
Do ponto de vista militar (o único que era relevante para mim na altura), considero que o processo de definição das graduações foi uma "aberração".
Definir as graduações de topo (Comandante de Batalhão e Comandantes de Companhia, se bem me recordo), e depois dizer "agora organizem-se" é como nomear um Comandante para uma unidade militar e pedir-lhe que, entre os oficiais que tem à sua disposição, distribua os galões conforme achar melhor.
O último ano é o corolário de um percurso total de 8 anos no Colégio, e o que se faz de bom ou mau nos 7 primeiros anos tem que ser importante para determinar as responsabilidades que se tem no último ano.
Não tenho conhecimento sobre a forma como as graduações eram feitas nos anos anteriores (com um Director diferente), mas tenho ideia de ouvir falar em duas listas, a "verde" e a "vermelha" (nomes inventados por mim): a "verde" teria os alunos que, devido ao seu percurso, não deviam ter menos do que duas estrelas, e a "vermelha" teria os alunos que, devido ao seu percurso, não deviam ter mais do que uma estrela. Com esta restrição, os resultados apresentariam certamente diferenças, talvez mesmo diferenças significativas.
Assim, foi natural que as escolhas pessoais (relações de amizade e/ou confiança) tivessem um papel mais importante do que deveriam ter. O resultado final (analisando-o à posteriori) não foi mau, mas houve algumas expectativas individuais que ficaram frustradas e algumas funções que não tiveram o "brilho" que requeriam e mereciam.
O comentário que faço refere-se ao ponto de vista militar, porque numa lógica empresarial o método utilizado é o único que funciona. Quando os accionistas nomeiam uma Administração, dão-lhe "carta branca" para que defina a sua equipa de trabalho. Impôr restrições à definição dessa equipa é limitar a responsabilidade da Administração face ao sucesso ou (sobretudo) ao fracasso no atingimento dos objectivos, facto que não é aceitável.
Deste ponto de vista, talvez a ausência de critério tenha sido melhor do que um mau critério. De qualquer forma, como não havia objectivos definidos (pelo menos nunca os vi ou ouvi falar deles), não faz sentido determinar se os mesmos foram atingidos.
Continua em Graduações 1984/85: "Post-mortem" (Parte II).