terça-feira, fevereiro 21, 2006

Memórias do Baú XXVII - Frases Lapidares

Continuação de Memórias do Baú XXVI - Frases Lapidares.

A "Chama" Que "Arde" em Cada "Menino da Luz" (Parte II)


Uma das formas mais interessantes de "extintorar" camaradas era... nas latrinas.

As portas das latrinas do Corpo de Alunos fechavam-se, mas não se trancavam. Assim, quando algum graduado era observado a dirigir-se às latrinas, rapidamente se colocava em marcha o "dispositivo de ataque".

Em primeiro lugar, era preciso dar algum tempo. Pelo menos o tempo necessário para que levantar-se e tentar responder ao ataque não fosse uma opção para o "alvo" (já que fugir era completamente impossível). Em seguida, o grupo atacante, geralmente formado por dois elementos, dirigia-se silenciosamente para as latrinas, carregando consigo o extintor. Uma vez localizada a latrina ocupada pelo "alvo", assumiam-se as posições de ataque.

O 1º elemento carregava o extintor e colocava-se em frente à zona para a qual a porta abriria, pronto a "disparar". A missão do 2º elemento era a de rodar a maçaneta e abrir a porta o mais depressa possível, mantendo-se sempre fora do ângulo de ataque.

Após um sinal visual de "pronto!", o 2º elemento abria a porta com rapidez e o 1º elemento "disparava" após uma fracção de segundo, logo que o ângulo de abertura permitia a passagem do jacto de pó.

O resultado era indescritível: o "alvo", muitas vezes distraído a ler, reagia por instinto tentando proteger a cara, e ficava todo coberto de pó químico, restando-lhe apenas, uma vez recuperado do susto, a opção de insultar os agressores, já que persegui-los não era uma opção...

Fotografados: 207/78 e 439/76.

Continua em Memórias do Baú XXVIII - Frases Lapidares.

domingo, fevereiro 19, 2006

Memórias do Baú XXVI - Frases Lapidares

Continuação de Frases Lapidares (Introdução).

A "Chama" Que "Arde" em Cada "Menino da Luz" (Parte I)


Ainda bem que havia extintores nas camaratas.

É que às vezes, após um Zacatraz, um olhar de relance para a cúpula, ou a prática de um acto de sã camaradagem, a "chama" de "Menino da Luz" que "arde" em nós atingia uma tal intensidade, que só uma boa dose de pó químico a permitia controlar.

Se era tóxico? O rótulo dizia que sim, mas aprendemos no Colégio a não impor nem aceitar rótulos. Só havia uma forma de o saber: tal como Pasteur se injectou com uma Penadur para ver se fazia algum efeito (para além de ficar uns dias sem conseguir andar), também nós percebemos que a única forma de saber se o pó químico era tóxico era experimentando-o em nós próprios. Se era tóxico, pelo menos não parecia.

Tudo começou com uma dúvida legítima: um dos graduados reparou que o selo de segurança do extintor da camarata estava partido. Será que o extintor estava com carga? Será que estava vazio, e que só o descobriríamos numa situação de emergência? O extintor era pesado, mas assumimos que a maior parte do peso viria do invólucro e não da carga, pelo que um extintor vazio também seria pesado.

A única forma de descobrir se o extintor tinha carga era fazer um teste. Retirámos o extintor do suporte, apontámos para uma das zonas de lavatórios à porta da camarata e “apertámos o gatilho”. Vooooooossssssssssssshhhhhhhhh! Saiu uma nuvem branca, acompanhada por um dos sons mais fantásticos que alguma vez ouvi, e de que ainda hoje me recordo. No chão ficou apenas uma camada fina de pó branco, que não deu praticamente trabalho nenhum a disfarçar.

Olhámos uns para os outros com satisfação, e não tardou que estivéssemos a fazer mais experiências, e que começássemos a fazer pontaria uns aos outros, primeiro às pernas, e depois, uma vez verificado que o pó não estragava a farda nem parecia afectar-nos, “levantando a mira”...

Passámos a surpreender-nos uns aos outros nas situações mais diversas, fazendo aproximações “furtivas”, para depois fazer “saltar” a “vítima” com o “rugido” do extintor e o envolvimento pela nuvem branca.

A carga do extintor durou poucas semanas. Esta situação acabou por ter uma virtude: passámos de uma dúvida – o extintor teria carga? – a uma certeza – o extintor não tinha carga!

Quando a outra camarata soube das nossas experiências, o selo de segurança do extintor deles também “apareceu” partido, e a carga do extintor durou dois dias. Corriam atrás uns dos outros de extintor na mão, e só paravam quando a “vítima” era “encurralada” e devidamente coberta de pó químico.

Irresponsabilidade? Seguramente. Mas a "chama" de adolescentes que "ardia" em nós levava-nos a fazer disparates destes... Não recordo isto como um “troféu” do passado, mas simplesmente como uma história curiosa, que felizmente não teve consequências. Como atenuante, posso apenas referir que tivemos sempre o cuidado de nunca usar o extintor à frente dos alunos mais novos.

Fotografados: 439/76 e 357/77.

Continua em Memórias do Baú XXVII - Frases Lapidares.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte III)

Continuação de As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte II).


Medalha do Fundador do Colégio Militar (7º e 8º Anos)

De acordo com o folheto habitualmente distribuído aos convidados na cerimónia da Abertura Solene, esta medalha visava "distinguir alunos dos dois últimos anos do Curso do Colégio Militar que, pela conduta mantida ao longo da sua permanência no Colégio, maiores garantias ofereçam de no futuro, pelo seu exemplo, poderem dar testemunho do espírito e missão educativa do Colégio Militar".


O texto fazia ainda referência à necessidade de demonstração clara de alinhamento com os "princípios educativos da Instituição, a saber: sentido das responsabilidades, lealdade, camaradagem, brio e dedicação no cumprimento dos seus deveres, bondade desinteressada e respeito pelo próximo".

Tratava-se, assim, de uma análise subjectiva feita por Oficiais e Professores, e visava todo o período de permanência no Colégio.

Sendo uma análise subjectiva, a não atribuição desta medalha a qualquer elemento do meu curso não tem uma explicação próxima e racional como a das restantes medalhas que analisei.

Ninguém ganhou esta medalha porque ninguém foi considerado merecedor; resta-nos apenas respeitar a avaliação feita por quem tinha competência para decidir.

Ou então, seguir as instruções... ;-)

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Memórias do Baú XXV - As Redacções


Autor: 140/84.

O Santos (207/78) era o 3 estrelas (***) da 1ª em 1984/85.

Dele os "ratas" podiam esperar a aplicação da velha máxima militar "serviço é serviço, conhaque é conhaque", ou seja, boa disposição e brincadeiras na camarata, mas pouco paternalismo e pouca paciência para aturar "malandros" depois de tocar a formar.

O seu sentido de justiça era irrepreensível, o que lhe valeu o respeito por parte dos "ratas".

Cumpriu a sua missão e partiu para a missão seguinte, não voltando a ser muito "assíduo" para os lados da Luz. Ainda hoje é vulgar os camaradas do curso de 84 que eu encontro perguntarem-me pelo Santos: "O que é que é feito do Santos? Nunca mais vi o Santos..."

Talvez o próximo dia 5 de Março acorde enevoado...

Para acederes ao "post" anterior sobre as Redacções, clica aqui.

Para acederes ao "post" seguinte sobre as Redacções, clica aqui.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Frases Lapidares (Introdução)

Com 3 meses de trabalho e mais de 50 "posts", quando comparo o meu modesto "blog" com outros em que cada "post" é, pelo seu fervor colegial, digno de figurar numa placa nos Claustros, sinto falta de abordar temas mais "nobres".

Por isso, fui ao "baú" à procura de memórias com um elevado grau de simbolismo, às quais associei frases lapidares sobre o Colégio.

Assim, associando-me à comemoração dos 203 anos do Colégio, interromperei a habitual programação do "blog" para publicar esta série.

São os seguintes os temas que irão ser desenvolvidos:

Tema I - A "Chama" Que "Arde" em Cada "Menino da Luz" (Partes I e II)

Tema II - No Colégio, Traçamos o Nosso Destino

Tema III - No Colégio, Aprendemos a Ver Mais Longe (Partes I e II)

Continua em Memórias do Baú XXVI - Frases Lapidares.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Memórias do Baú XXIV - A Abertura Solene

O momento em que o Comandante de Batalhão abraçava o "Batalhãozinho" era o ponto alto da cerimónia da Abertura Solene.

Caso houvesse apenas espaço para uma fotografia para documentar ou noticiar a cerimónia, essa fotografia era a do abraço entre os dois, porque representava melhor do que qualquer outra o acolhimento dos novos alunos internos no seio do Batalhão Colegial, transmitindo às famílias a segurança de que estes seriam tratados como se estivessem em casa, funcionando os Graduados como o apoio até agora proporcionado pela família.

Precisamente por isso, essa imagem devia ser cuidadosamente preparada e ensaiada, por forma a assegurar que um momento único não escapava à objectiva do fotógrafo, sem que fosse preciso que os dois "actores" estivessem a "posar" até que o fotógrafo confirmasse ter obtido uma imagem satisfatória.

No entanto, nesse momento, tal como em todos os outros, os alunos assumiam como garantida a omnipresença do Sr. Delgado, que estaria sempre em todo o lado a apanhar todas as cenas de todos os ângulos possíveis. Infelizmente isso não correspondia à realidade, e assim ficámos com uma visão da nuca "à máquina 4" do "Batalhãozinho" (288/84) e com o perfil (já meio de traseira) do Comandante de Batalhão (376/77).

Recuemos 7 anos, até à Abertura Solene de 1977/78 (voltaremos a esta fotografia mais tarde, quando explorarmos outras zonas do "baú").

Aqui sim, uma fotografia exemplar.

O enquadramento é perfeito, com os dois alunos a "encher" a fotografia. O ângulo entre os dois é perfeito, e apanha o lado que mais favorece o Comandante de Batalhão (69/71), com as medalhas e a espada. E até o "Batalhãozinho" (475/77) esboça um sorriso de criança confiante no futuro. Afinal de contas, pertencia aos "ratas" de 1977... ;-)

Imprimam e emoldurem.

Para acederes ao "post" anterior sobre a Abertura Solene, clica aqui.

Para acederes ao "post" seguinte sobre a Abertura Solene, clica aqui.

domingo, fevereiro 12, 2006

De Que Ano É Este Colégio? (Desafio)


Esta fotografia aérea foi retirada da "História do Colégio Militar", Volume II.

Em que ano foi tirada? Respondam (e justifiquem) sff nos comentários.

Nota: eu não sei a resposta correcta. Também vou tentar deduzir, exclusivamente com base na informação dada pela fotografia.

Continua em De Que Ano É Este Colégio? (Parte II).

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

L. A. C. - Liga Anti-Cavalo (Parte V)

Continuação de L. A. C. - Liga Anti-Cavalo (Parte IV).

O artigo que reproduzo foi publicado no "Jornal do Colégio Militar" nº 145, de Dezembro de 1984, e visava suscitar a discussão sobre um tema importante e polémico: a obrigatoriedade das aulas de equitação no Colégio.

Antes que algum anónimo mais mal intencionado me pergunte se o autor do artigo era membro da L. A. C., adianto desde já que não revelarei tal informação. Os arquivos da L. A. C. são mais secretos do que os da P. I. D. E., e não quero destruir a honorabilidade de um cidadão com revelações desta natureza. Apenas posso adiantar que o autor participou (e, se bem me lembro, venceu!) no "Jogo do Pato" de 1984/85, coisa que nem me passou pela cabeça fazer, devido à dificuldade que teria em calcular qual era a quantidade de água-pé a partir da qual eu teria vontade de subir para cima do cavalo, mas que não fosse ainda suficiente para me fazer sair de imediato pelo outro lado.

Fica aqui a homenagem a um camarada com o qual partilhei 8 anos de Colégio, a 1ª Companhia enquanto graduado, e algumas ideias sobre os equídeos (embora o sigilo me impeça de desenvolver este tema).

Continua em L. A. C. - Liga Anti-Cavalo (Edição Especial).

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Memórias do Baú XXIII - O "Enxoval" (Parte III)

Continuação de Memórias do Baú XVII - O "Enxoval" (Parte II).

Os artigos de higiene colegiais eram relativamente "banais", em plástico rígido de cores vivas, do género que se podia comprar em qualquer mercearia de província.

Era na secção de "Objectos Diversos" que se encontravam algumas das "preciosidades" do "enxoval".

Em primeiro lugar, aparece o "Bilhete de Identidade". Sendo um banal pedaço de papel com uma fotografia, era interessante que tivesse "honras de enxoval". Talvez fosse pelo facto de ser plastificado, processo que para a altura devia implicar custos de produção fora do normal.

Em seguida temos o "Cinto (Modelo C. M.)", verdadeiro ícone colegial, cuja cor era sinónimo de veterania. No último ano, cheguei a andar com o cinto ligeiramente apertado, apesar de estar no máximo da extensão, só para não ter que comprar um novo, o que me colocaria numa posição muito delicada na "escala cromática" colegial. Desde que saí, nunca mais o consegui usar, mas é dos objectos que guardei sempre comigo.


O "Pequeno Equipamento"(*) era um verdadeiro "salva-vidas". Com as "molhadas" dos intervalos, havia sempre uma mola do blusão a soltar-se, umas calças a descoserem-se, um botão do capote a cair, etc. Antes do almoço ou do jantar, havia sempre tempo para dar uns pontos, e assim evitar "encontros imediatos" com os graduados.


A "Tala para limpeza de botões" era outra "preciosidade" colegial. Ao princípio, quando a tala era nova e os botões estavam "cosidos de fresco", o processo de os enfiar na tala podia ser moroso; no entanto, com o passar do tempo, os fios dos botões iam cedendo e a tala ia ficando "encerada" com o Duraglit, fazendo com que o processo de limpeza fosse muito mais rápido. Uma das coisas agradáveis que recordo é a fabulosa tala metálica do Sr. Ralo, onde ele num ápice enfiava várias fardas e lhes limpava os botões, ganhando assim uns "trocos" que muito jeito davam para o seu orçamento familiar.

Continua em Memórias do Baú XXXVII - O "Enxoval" (Parte IV).

-------------------------------

(*) Para acederes a um "post" interessante do "blog" do 15/75 sobre o "Pequeno Equipamento", clica aqui.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Memórias do Baú XXII - A Abertura Solene


Perante o olhar embevecido dos pais e mães, os "ratas" de 1984/85 entravam pela primeira vez nos Claustros como alunos do Colégio Militar.

Na primeira fila ia o "Migalha" (288) que, por ser o "Batalhãozinho", tinha tido uma sessão especial de Instrução Militar, demonstrando por isso um ar mais desenvolto a marchar. Os outros elementos da 1ª fila, o 120 e o 127, demonstravam já a "falta-de-jeito" pela qual seriam conhecidos durante o resto do ano lectivo (e talvez mais além...). ;-)

São visíveis também nas fotografias (se a memória não me falha): 435, 243, 433, 383, 250, 179, 403, 128, 105, 30, 420, 486, 102, 234, 58, 498, etc...


Quanto aos graduados, há a destacar na fotografia de cima o Óscar (481/77), com o seu ar "marcial", a "olhar o infinito", como mandam as regras... ;-)

Para acederes ao "post" seguinte sobre a Abertura Solene, clica aqui.

sábado, fevereiro 04, 2006

Apresentação do Índice Temático

Encontrar um "post" específico num "blog" pode ser uma "dor". Por isso, criei um índice temático, que estará sempre disponível na caixa do lado direito, e que permite aceder directamente a cada “post”.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

O "Shôr Aluno"

Uma das coisas que me marcou, quando entrei no Colégio, foi o respeito com que era tratado pelos empregados.

Lá fora, eu era a criança, o "miúdo", o "puto", mas no Colégio eu era o "Shôr Aluno".

Para os serventes do refeitório, da Companhia ou do geral das aulas, para os vigilantes, para as roupeiras, etc, todos os alunos eram especiais e tratados com respeito, mesmo que tivessem 10 anos e a lágrima ao canto do olho devido às saudades de casa.

Mesmo quando os empregados eram tratados por "tu" e colocados "à vontade", do outro lado a reacção era de satisfação pela confiança dada, mas o tratamento nunca descia do respeitoso "Shôr Aluno":

"Ó Marinho, chega aqui!"... "Diga, 'Shôr Aluno'!";

"Ó Oliveira, se não trazes já a repetição, parto-te a mota!..."... "O 'Shôr Aluno' não me fazia uma coisa dessas...".

Com os empregados do Colégio aprendi que se pode servir sem ser subserviente, e que se pode dar confiança a quem nos serve sem que isso implique uma perda de respeito.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Memórias do Baú XXI - As Requisições


A cor e o tamanho!?

Aqui está um aluno que, apesar de ter apenas 10 anos de idade, sabe o que quer!

Para acederes ao "post" anterior sobre as requisições, clica aqui.

Para acederes ao "post" seguinte sobre as requisições, clica aqui.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Caracterização dos Visitantes

Fecho o mês de Janeiro com a apresentação das respostas à questão que coloquei neste "blog" nas últimas duas semanas.

Os visitantes têm-se dividido essencialmente em 5 grupos, com representatividades aproximadas entre si:

1) Os ex-alunos do meu curso;

2) Os ex-alunos de quem fui graduado;

3) Os ex-alunos do meu tempo;

4) Os ex-alunos depois do meu tempo;

5) Os actuais alunos.

Os ex-alunos anteriores a 1960 não têm qualquer representatividade.

Esta distribuição tem a ver essencialmente com os "meios de comunicação" nos quais "publicitei" o "blog", e também na maior ou menor apetência que cada geração tem para a utilização do computador.

Acima de tudo, estou-me a divertir com isto. Espero que estejam a gostar.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Memórias do Baú XX - A Imposição das Graduações


Os graduados da 1ª Companhia de 1984/85, na cerimónia de imposição das graduações.

Da esquerda para a direita:

**: 522/77 - Arantes
*: 47/77 - Freire
***: 207/78 - Santos
Comandante: 358/77 - Correia
**: 597/78 - Bonifácio
*: 401/77 - Simões
*: 151/77 - Barreiros
*: 357/77 - Chagas
*: 439/76 - Bettencourt
*: 467/77 - Henriques

Ausente:

**: 335/76 - Morais

Aparecem também na fotografia alguns graduados do ano anterior: 163/76, 392/75, 548/77, 383/76 e 34/76.

Para acederes ao "post" anterior sobre a imposição das graduações, clica aqui.

sábado, janeiro 28, 2006

Onde Está o "Fru-Fru"?

Sempre achei de design questionável os quadros que estavam nas "Salas de Leitura" das Companhias e nos quais se apresentavam as fotografias dos respectivos Comandantes ao longo dos anos.

Entretanto, alguém os substituiu por outros de design igualmente questionável, de execução desastrosa - parecem ter sido feitos pelos alunos do 1º ano, numa das primeiras aulas de Trabalhos Manuais - e, sobretudo, com informação errada.

O Comandante da 1ª Companhia em 1984/85, para o qual não há fotografia, está identificado como o 596 - Rocha de Magalhães (que entrou em 1963 e saiu em 1970), quando foi o 358 - Neves Correia ("Fru-Fru"). Não verifiquei os outros com atenção, mas pareceu-me haver mais erros.

Espero que alguém de responsabilidade leia este "post" e proceda às correcções na primeira aula de Trabalhos Manuais do próximo ano lectivo...

sexta-feira, janeiro 27, 2006

As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte II)

Continuação de As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte I).


Medalha de Aptidão Militar e Física do 8º Ano

No estágio de graduados do princípio do 8º ano falava-se de uma viagem da Classe Especial aos Açores feita durante as férias, e que não tinha corrido nada bem do ponto de vista disciplinar.

Estando já o ano lectivo "fechado", não tinha sido possível proceder à correspondente acção disciplinar, pelo que se especulava sobre as consequências que o incidente poderia ter ao nível das graduações, sabendo-se que muitos dos candidatos às graduações mais elevadas pertenciam à Classe Especial.

O novo Director achou que não fazia sentido que as graduações fossem condicionadas pelo incidente, e aparentemente o problema ficou ultrapassado.

Mas só aparentemente, porque os oficiais se encarregaram da "vingança"... a frio, como se recomenda.

Ao longo dos 3 períodos escolares, foram "ajustando contas" com os elementos da Classe Especial, dando-lhes na disciplina de Instrução Militar os "fatídicos" 13 valores que nenhum 20 a Educação Física conseguiria equilibrar, já que era uma condição para "ir à medalha" que os alunos tivessem pelo menos 14 valores a todas as disciplinas em todos os períodos.

As únicas notas "decentes" (16 valores) foram atribuídas a alunos do 4º grupo de ginástica, cuja esperança de "ir à medalha" era nula, uma vez que as suas notas a Educação Física variavam geralmente entre os 10 e os 12 valores.

Houve alguns casos de alunos da Classe Especial aos quais não foi necessário aplicar o "castigo": alunos que tinham notas fracas na componente literária, e que acabaram por chumbar o ano, e alunos que se "despistaram" à conta de outra qualquer acção disciplinar.

No fim do ano lectivo, objectivo atingido! Nem uma medalha para "contar a história"...

Continua em As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte III).

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Memórias do Baú XIX - As Redacções

Uma redacção sobre o tema "O Colégio Militar".



Autor: 363/84.

Para acederes ao "post" anterior sobre as Redacções, clica aqui.

Para acederes ao "post" seguinte sobre as Redacções, clica aqui.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Memórias do Baú XVIII - A Imposição das Graduações


Aqui está a fotografia e a lista completa dos graduados de 1984/85, na cerimónia de imposição das graduações realizada na Feitoria.

Comando
Comandante de Batalhão: 376/77 - Pires Lopes
Adjunto: 583/78 - Almeida
***: 451/76 - Oliveira
Porta-Bandeira (***): 66/77 - Tribolet de Abreu
Porta-Guião (**): 82/77 - Freire

Escolta
Comandante: 33/77 - Fernandes
**: 92/77 - Silva
*: 248/77 - Mendes

1ª Companhia
Comandante: 358/77 - Correia
***: 207/78 - Santos
**: 597/78 - Bonifácio
**: 522/77 - Arantes
**: 335/76 - Morais
*: 47/77 - Freire
*: 357/77 - Chagas
*: 439/76 - Bettencourt
*: 467/77 - Henriques
*: 151/77 - Barreiros
*: 401/77 - Simões

2ª Companhia
Comandante: 187/77 - Pinheiro da Silva
***: 338/78 - Grilo
**: 79/77 - Rodeia
**: 214/77 - Palma
**: 308/76 - Roberto
*: 125/77 - Godinho
*: 484/77 - Lourenço
*: 555/77 - Coelho
*: 18/76 - Ribeiro

3ª Companhia
Comandante: 481/77 - Ribeiro
***: 346/77 - Sarmento
**: 339/78 - Rosa
**: 260/76 - Ribeiro
**: 62/77 - Silva
*: 459/77 - Pardal
*: 350/77 - Barrigão
*: 238/77 - Afonso
*: 315/77 - Matos
*: 314/77 - Santos
*: 492/77 - Casquilho
*: 52/77 - Nunes

4ª Companhia
Comandante: 362/77 - Ferreira
***: 448/76 - Pereira
**: 2/76 - Barreto
**: 220/77 - Almendra
**: 136/76 - Loureiro
*: 255/76 - Capela
*: 446/76 - Barreto
*: 131/76 - Raminhas
*: 312/76 - Fernandes
*: 104/76 - Madureira

Para acederes ao "post" seguinte sobre a imposição das graduações, clica aqui.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

As Elites da Elite (Parte I)

Continuação de As Elites da Elite (Introdução).

O "Quadro de Honra"

O "Quadro de Honra" era, por definição, uma das elites do Colégio do meu tempo, uma vez que era formado pelos alunos que, no período anterior, tinham obedecido a um conjunto de requisitos que os distinguiam dos restantes.

O sucesso na componente literária é, por definição, individual; para além disso, alguns alunos faziam da diferenciação a sua motivação (em alguns casos, era a única forma de obterem a atenção ou admiração dos camaradas, professores e oficiais), pelo que não cooperavam com os restantes camaradas, e em especial com os "rivais" directos.

Assim, qualquer iniciativa que pudesse ser desenvolvida em conjunto e contribuir para a valorização do "Quadro de Honra" enquanto grupo, ficava seriamente comprometida à partida.

Por seu lado, a organização também não valorizava especialmente este grupo. Para além da afixação discreta no corredor da Companhia e na entrada principal do Colégio, não havia qualquer outra forma de "puxar" pelos alunos enquanto grupo, motivando-os para cooperarem uns com os outros para o seu próprio bem e para o bem do Colégio.

Quer pela sua falta de organização, quer pelo pouco protagonismo que a organização lhe dava, esta era, assim, a elite mais fraca; no entanto, o número de alunos que tinha no "Quadro de Honra", e a correspondente tradução em medalhas no fim do ano, não deixavam de ser uma medida do prestígio de cada curso enquanto colectivo.

Continua em As Elites da Elite (Parte II).

quinta-feira, janeiro 19, 2006

O Meu (Desen)Canto


No documento em que coloquei a minha visão sobre o futuro do Colégio referi que "os cantos dos graduados têm armários desordenados e desarrumados, roupa suja por todo o lado, posters de carros e de gajas colados nas paredes, etc.".

Não era minha intenção generalizar (e muito menos ofender alguém), embora efectivamente esse fosse o panorama geral das camaratas em que entrei (2ª companhia).

Deixo-vos a (infelizmente) única fotografia que tirei (com o telemóvel), e que podem comparar com o meu canto "careta" de 1984... ;-)

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Memórias do Baú XVII - O "Enxoval" (Parte II)

Continuação de Memórias do Baú XI - O "Enxoval" (Parte I).



As "cobertas de paninho" eram uma das marcas essenciais na imagem de uma camarata dos anos 70/80: luminosa e aprumada.

Com o passar dos anos e a renovação do material, a camarata foi "escurecendo"...

Primeiro veio a troca dos armários de madeira clara pelos metálicos escuros; depois, a troca das camas verdes claras pelas camas verdes escuras, e a troca da coberta branca por uma "café com leite", que se dobra para debaixo do colchão.

Cada ex-aluno guarda a imagem das suas camaratas, e gostaria de a reencontrar de cada vez que vai ao Colégio; no entanto, há imperativos de funcionalidade e custos que obrigam à mudança, e por isso há que compreender que o material se vá renovando.

Mas porque é que acabaram com as "cobertas de paninho"?...

Continua em Memórias do Baú XXIII - O "Enxoval" (Parte III).

terça-feira, janeiro 17, 2006

As Elites da Elite (Introdução)

Elite (substantivo feminino):

1. minoria prestigiada constituída por aqueles que são considerados superiores;

2. o que há de melhor numa sociedade ou num determinado grupo.

Muitos ex-alunos, quando falam no Colégio, usam a palavra "elite", mas têm o cuidado de dizer "no bom sentido", como se o sentido normal da palavra "elite", por si só ou associada ao Colégio, fosse mau.

Não devemos ter vergonha de assumir que o Colégio não procura formar "resmas" de jovens indiferenciados, mas sim um grupo limitado com valores humanos e sociais bem definidos, e que, neste aspecto, se destacam como conjunto face à média, constituindo assim uma elite.

O Colégio não surgiu certamente com o objectivo de formar uma elite, mas acabou por fazê-lo, devido à qualidade do ensino que ministrava. Devido a esse facto, começou a ser procurado por uma das elites da época - as Forças Armadas - para educar os seus filhos, tornando-se num estabelecimento que formava uma elite a partir dos filhos da elite.

Hoje as Forças Armadas já não são uma elite, e o espectro de "recrutamento" do Colégio é muito alargado; ainda assim, continua-se certamente a procurar formar uma elite.

No Colégio do meu tempo havia 3 elites, todas com características e graus de importância diferentes.

Nesta série procurarei escrever um pouco sobre cada uma delas, em crescendo face ao seu grau de importância no Colégio.

Continua em As Elites da Elite (Parte I).

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Memórias do Baú XVI - A "Noite dos Fantasmas"


Mais uma "alma penada" que apareceu naquela noite, e que ainda hoje gosta de vaguear pelos corredores do Colégio, esperando nunca ser exorcizada...

Fotografado: 357/77.

Para acederes ao "post" anterior sobre a "Noite dos Fantasmas", clica aqui.

Para acederes ao "post" seguinte sobre a "Noite dos Fantasmas", clica aqui.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte I)

Continuação de As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Introdução).


Medalha de Aplicação Literária do 3º Ano

No ano lectivo de 1979/80, a Direcção do Colégio alterou os regulamentos das medalhas. Possivelmente achou que, com os regulamentos que existiam, era fácil "ir à medalha".

Nos dois anos anteriores tinha havido, em média, cerca de 80 medalhas de Aplicação Literária e 80 medalhas de Aptidão Militar e Física (*), o que a Direcção terá considerado excessivo para um Batalhão com cerca de 600 alunos. Por isso, resolveu passar a exigir que fosse necessário ter classificações mínimas de 4 (até ao 5º ano) ou 14 (do 6º ano em diante) a todas as disciplinas que contavam para cada medalha, em todos os períodos.

Independentemente da legitimidade que existia para a tomada da decisão, que era total, a decisão foi tomada, ou pelo menos comunicada aos professores e alunos, já no decorrer do 2º período, com efeitos retroactivos em relação ao 1º período.

Verificou-se, entretanto, que todos os alunos do 3º ano tinham tido pelo menos um 3 no 1º período, seja porque não se tinham esforçado o suficiente, seja porque os professores os tinham resolvido "motivar" para que no período seguinte o 4 fosse mais claro e mais merecido ("tu até podias ter um 4, mas era um 4 'fraquinho', e eu sei que tu és capaz de fazer melhor; por isso, vou-te dar um 3 como forma de te motivar").

Esta "razia" foi generalizada a todo o Batalhão, sendo que nesse ano apenas houve 11 medalhas de Aplicação Literária e 22 de Aptidão Militar e Física (4 delas para o 3º ano), números claramente anormais face a tudo o que se passou nos anos anteriores e nos anos seguintes.

Os protestos dos alunos "esbarraram" na indiferença, e quem sabe até na satisfação da Direcção. De facto, para quem tinha como objectivo reduzir o número de medalhas, passar de 80 para 11 era um resultado muito bom; considerando o meu curso, reduzir de 16 medalhas para zero podia mesmo ser considerado excelente.

Quanto ao conceito de que "não se mudam as regras a meio do jogo", foi certamente considerada "um detalhe"...

Pior do que tomar uma decisão errada, é ver as suas consequências a desenharem-se, ter meios para a alterar (nomeadamente tempo), e não ter a humildade de o fazer.

Ccontinua em As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte II).

--------------

(*) Dados extraídos da "História do Colégio Militar", Volume II.