Memórias do Baú XXXVI - A "Noite dos Fantasmas"

O Marechal discursa para os "ratas", dando-lhes as boas-vindas ao Colégio.
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Blog do 357/77, desde os tempos do Colégio até à eternidade...

O Marechal discursa para os "ratas", dando-lhes as boas-vindas ao Colégio.
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Continuação de As Elites da Elite (Parte II).
A Classe Especial
A Classe Especial era a elite das elites. Simbolizava a força, o rigor, a disciplina, o sacrifício, a audácia, o risco - muitas das características e valores que o Colégio procurava incutir nos seus alunos.
A grande importância da Classe Especial vinha sobretudo da participação em exibições e festivais em diversos pontos do país, divulgando e dignificando o nome do Colégio.
Os "gafanhotos" - a especialidade da Classe Especial - eram originais e espectaculares, havendo sempre alguma incógnita em relação à direcção a tomar por cada aluno depois da impulsão na "cama elástica"... ;-)
Essencial para a "mística" da Classe Especial era a liderança do Prof. Dario, um dos melhores educadores de que a minha geração teve a oportunidade de beneficiar.
O Prof. Dario reformou-se, e com ele "reformaram-se" também os gafanhotos. Talvez um dia, quem sabe, a "praga" regresse...
Continua em As Elites da Elite (Parte IV).
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A Abertura ao Externato
Seguimos durante muitos anos pela mesma estrada, partindo da mesma origem e chegando ao mesmo destino.
Ao longo do tempo, fomos verificando mudanças na paisagem, e fomos percebendo que se estavam a construir outros destinos mais valorizados pela sociedade, ainda que aparentemente menos interessantes do que o nosso; continuámos.
Se tivessemos decidido mudar, teríamos tido a possibilidade de escolher como, quando e por onde mudar, e teríamos escolhido o melhor compromisso entre o destino a que rumámos até hoje e aquele a que esperam que rumemos no futuro. É o privilégio de quem vai ao volante.
Pedimos tempo, aparentemente para trabalhar melhor a argumentação de que o nosso destino é que é bom.
Agora fomos passados para o banco de trás (*). Provavelmente, em vez de percebermos como é que criamos condições para passar rapidamente para o banco da frente, vamos ficar cá atrás a gritar "não, não, por aí não!".
Neste momento já não estamos a seguir a nossa estratégia, mas sim a dos outros ou, pior, (quase garantidamente) nenhuma.
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(*) Podes ver a notícia sobre a abertura do Colégio Militar ao externato aqui e aqui.
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Nem sempre o tema das redacções era o Colégio ou os graduados. Por vezes também havia temas culturais ou de história universal... ;-)
Autor: 324/83.
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Comandado pelo "Fru-fru", o 2º ano presta continência à Bandeira (actualmente designada por "Estandarte Nacional").
Enquanto isso, após uma rápida mas intensa sessão de instrução militar, os "ratas" dirigem-se para os Claustros. Como se não fosse já suficientemente confuso para eles o facto de terem que marchar em pelotão, e quando se devia aproveitar todas as oportunidades para treinar as posições e os alinhamentos, os oficiais determinam que o pelotão marche ao contrário, ou seja, com os mais altos à frente, para facilitar a manobra de entrada nos Claustros... ;-)
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Continuação de L. A. C. - Liga Anti-Cavalo (Parte V).
Nunca Digas "Nunca Mais"
Gosto de ser eu a escolher os meus desafios.
Num evento profissional, surgiu a oportunidade de reencontrar "velhos amigos" e fazer uma "trégua" numa "cruzada" antiga: estive 30 minutos em cima de um cavalo, tendo até sido elogiado pelo meu "trote levantado" (o Dores teria ficado orgulhoso).
Galope? Tal como no jogo e na bebida, é preciso saber quando se deve parar...
Alguns dirão que estou a renegar a L. A. C., da qual sou Presidente; eu digo apenas que não sou dos que acha que a mais-valia do Colégio deva ser colocar-nos perante situações difíceis e obrigar-nos a superá-las, mas sim colocar-nos perante situações difíceis e ensinar-nos a superá-las. O que eu detestava nas aulas de equitação era o facto de o medo dos alunos ser "curado" com um "deixe-se de mariquices e volte a montar".
Se, 22 anos depois, ainda sei fazer o "trote levantado", pergunto-me o que saberia se efectivamente alguém tivesse querido ensinar-me a montar a cavalo...
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No meu tempo de Colégio dizia-se: "um homem não chora, nem que tenha as tripas de outro na mão".
Fui educado e eduquei com base neste princípio, e recordo que um "rata" de 1984/85 que chorou mais dias do que era habitual ficou conhecido entre nós "para a posteridade" como o "chorinhas".
Agora as coisas são diferentes. Fez-me confusão ver os graduados a chorar na televisão, mas já vivi o suficiente para perceber que as coisas mudam, e que aquilo que me choca pelos padrões pelos quais fui educado pode ser perfeitamente normal e aceitável pelos padrões de hoje. E, afinal de contas, era o último "3 de Março"...
Resta-me, por isso, deixar uma mensagem aos meus camaradas graduados: requisitem "resmas" de lenços de papel, porque vão precisar. É que ainda falta o último período, o último mês, a última semana, o último dia, o último "cavanço", o último banho, a última aula, a última refeição, a última punição, o último louvor, o último castigo aplicado, a última tradição cumprida, a última formatura, o último "destroçar", o último "Zacatraz", a última fotografia, a última saída, etc.
Estou certo de que vão contar com o apoio dos camaradas mais novos, sempre prontos a disponibilizar um ombro amigo.
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Aqui está o caso de um "rata" que ia requisitar material escolar, mas verificou que lhe faltavam coisas mais urgentes. Dada a limitação de recursos, teve que optar...
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Que pai não entregaria o seu filho à guarda desta dupla? ;-)
Chega o primeiro dia para os novos "ratas", e as famílias vão às camaratas conhecer o espaço e ajudar a fazer a cama e arrumar o armário. São recebidas pelos seis graduados do 1º ano, que vão ajudando, dando conselhos, respondendo a dúvidas, etc. Pelo caminho, vão recebendo alguns pedidos especiais para olhar pelo "X", para não "apertar" muito como o "Y", etc. E vão tendo tempo para trocar entre si informações preciosas: "Já viste a irmã do 'Z'?".
Era o início de uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida...
Fotografados: 207/78 e 357/77.
Nota: ao fundo são visíveis os armários castanhos referidos no "post" sobre o meu canto. Estes armários foram retirados no decorrer do ano lectivo.
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Continuação de As Elites da Elite (Parte I).
A Escolta a Cavalo
Nos meus tempos de Colégio, a Escolta a Cavalo era, no seu espírito, o exemplo mais genuíno do que devia ser uma elite no contexto colegial: um grupo com admissão limitada, por candidatura, com uma "mística" e um conjunto de regras próprias, e com uma disciplina rígida.
Nas missões que era chamada a desempenhar no contexto do Colégio, fosse a cavalo ou a pé, a Escolta a Cavalo deixava sempre uma imagem de rigor e disciplina.
A Escolta exercia sobre mim o fascínio próprio dos grupos restritos, para os quais não conseguiamos deixar de querer ser convidados. Por isso, lá fui eu no 3º ano a um "despeneiranço", apesar de já ter uma sensação de que a minha relação com os cavalos não ia ser famosa... chumbei, naturalmente!
Nem tudo era perfeito. Havia camaradas, autênticas "sandes de sela" (besta-sela-besta) ou, usando uma expressão do "Bata", "fracções impróprias" (a besta maior estava em cima), que achavam que eram mais "Meninos da Luz" do que eu por serem da Escolta. Quando esses camaradas chegavam a graduados, o seu "estatuto de imunidade" permitia-lhes demonstrar que os restantes camaradas lhes mereciam menos respeito do que os solípedes. Apesar de tudo, eram excepções que não desvalorizavam a boa imagem da escolta (mas que irritavam o pessoal, ai isso sim!).
Sempre que vou ao "3 de Março" e tenho a oportunidade de assistir ao desfile completo, vejo a Escolta como a "cereja em cima do bolo". E aqueles "cavalinhos de circo" da GNR, até eu montava... ;-)
Continua em As Elites da Elite (Parte III).
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Continuação de Memórias do Baú XXX - Frases Lapidares.
No Colégio, Aprendemos a Ver Mais Longe (Parte III)
Fotografados: 401/77 e 357/77.
Ver Mais Longe
Filhos da Luz, temerários,
P'ra cumprir a sua sina,
Empilharam uns armários
E subiram p’la latrina.
E no seu Colégio amado,
Bem sedentos de conquista,
"Passearam" pelo telhado
Sem os “cães” lhes porem vista.
Hoje têm uma mensagem
Para as novas gerações:
É perigosa a viagem;
Cuidado c’os trambolhões.
Se caírem, pois então,
Já que a vida é fugaz,
Até chegarem ao chão,
Gritem alto: “ZACATRAZ!”
Epílogo
De facto, se há coisa que eu aprendi no Colégio foi a ver mais longe, para lá do óbvio, das primeiras impressões e das reacções "à flor da pele".
É possível brincar com um tema sério sem lhe perder o respeito; é possível discordar de alguém sem o insultar; é possível trabalhar em conjunto com pessoas com as quais se têm divergências profundas em alguns temas, desde que se tenha uma base comum para construir um acordo.
Aprendi isto muito à custa do internato, que não nos facilitava a fuga aos problemas. Para o conseguir, no entanto, é preciso "subir ao telhado" e ver mais longe... ;-)
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Este "post" faz o resumo da actividade do "blog" em Janeiro e Fevereiro de 2006.
Em termos de organização, o aspecto mais relevante foi a criação do Índice Temático. Através deste índice, é possível aceder directamente a qualquer "post" publicado no "blog", organizado pelo respectivo tema e não pela data em que foi publicado. Associada à criação do Índice foi feita uma nova classificação dos "posts", que passaram a estar divididos em 5 temas: Histórias do Meu Tempo de Colégio, Memórias do Baú, A Actualidade, O Futuro e O "Blog".
No tema Histórias do Meu Tempo de Colégio, há a destacar a finalização da série dedicada à L. A. C. - Liga Anti-Cavalo, a publicação da série As Medalhas Que Ninguém Ganhou e o início da série As Elites da Elite.
No tema Memórias do Baú, há a destacar a publicação de memórias sobre A "Noite dos Fantasmas", A Imposição das Graduações, A Abertura Solene, As Requisições, O "Enxoval", As Redacções e, sobretudo, a série dedicada às Frases Lapidares.
Se preferirem, podem iniciar a exploração pela página inicial.
Agradeço quaisquer comentários ou sugestões que queiram deixar.
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Continuação de Memórias do Baú XXIX - Frases Lapidares.
No Colégio, Aprendemos a Ver Mais Longe (Parte II)
A proximidade das travessas (ver fotografia) garantia a sustentação do telhado mesmo sem algumas telhas, mas tornava mais difícil a remoção das telhas e a passagem para o exterior.
A saída para o telhado era feita pelo lado interior da camarata do 1º ano. Depois, uma vez no exterior, podíamos finalmente ver mais longe... Na altura, ainda não tinham sido construídos os balneários actualmente existentes entre as camaratas, pelo que era possível ter uma perspectiva mais vasta do Colégio.
A deslocação pelo telhado era sempre feita pelo lado interior, para limitar a possibilidade de sermos vistos a partir do exterior. Uma coisa era sermos apanhados pelos Oficiais ou "Vigilas", outra - grave! - era sermos vistos no telhado por pessoas estranhas ao Colégio.
Dizia-me há dias um camarada de aventura (com o qual concordo): "eu não tinha medo de ser apanhado, tinha era medo de cair dali abaixo!" De facto, isso justifica porque é que "rastejávamos" pelo telhado, em vez de andar ou gatinhar... Uma coisa é fazer umas acções fora do comum, para ter umas histórias "para contar aos netos", outra é correr riscos desnecessários, e nestas acções ninguém tinha vergonha de demonstrar apego à vida fazendo todos os movimentos com muito cuidado. O único risco que corríamos era mesmo o de sermos punidos, e nisso a sorte protegeu-nos.
Fotografados: 207/78, 357/77 e 401/77.
Continua em Memórias do Baú XXXI - Frases Lapidares.
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Continuação de Memórias do Baú XXVIII - Frases Lapidares.
No Colégio, Aprendemos a Ver Mais Longe (Parte I)
Em primeiro lugar, havia que localizar o ponto de passagem para cima da placa. Ficava por cima das latrinas do 1º ano, ao fundo, do lado esquerdo: um buraco quadrado, com cerca de 40 cm de lado, com uma tampa de madeira pintada de branco, para ficar devidamente "camuflado".
O acesso à tampa não era fácil. Um aluno alto, em pé em cima das paredes das latrinas e com os braços esticados, ainda ficava quase a 1 metro da abertura, que nem sequer ficava directamente por cima de uma das paredes, mas mesmo por cima da latrina.
Já não me lembro como é que a abertura era acedida, mas terá certamente sido necessário algum objecto volumoso para servir de escadote: por exemplo, dois armários verdes empilhados lateralmente sobre as paredes das latrinas serviriam perfeitamente. Qualquer que fosse a solução, ela ficava montada durante a incursão até ao topo, dando a quem a visse a indicação clara de que havia gente lá em cima.
Uma vez acedida a tampa, esta era removida para cima, e os "exploradores" passavam um a um, levando pelo menos uma lanterna e o indispensável equipamento fotográfico.
O espaço entre a placa e o telhado era absolutamente normal, dando a ideia de uma construção de boa qualidade. Não havia qualquer vestígio da presença de alunos - números pintados ou marcados a canivete, etc. Não havia nada de interessante a fazer, a não ser ir até ao fundo das camaratas ("dica" para a "Noite dos Fantasmas" dos próximos anos: andar, saltar e arrastar correntes por cima da camarata do 1º ano deve dar um efeito fabuloso!).
Depois vinha a parte mais difícil: abrir um espaço no telhado que desse para passar, sem partir telhas, e que fosse possível voltar a fechar outra vez...
Fotografados: 207/78 e 357/77.
Continua em Memórias do Baú XXX - Frases Lapidares.
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Continuação de As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte III).
Nos "posts" anteriores desta série foram apresentadas as 3 medalhas que ninguém do curso de 1977/85 ganhou (também ninguém ganhou as Medalhas de Ouro de Aptidão Militar e Física nos 3º e 7º anos, mas isto é apenas "uma questão de cor").
Esta (inútil mas, por enquanto, ainda não doentia) obsessão por medalhas continuará brevemente na série As Medalhas Que Alguém Ganhou, com estatísticas globais para o curso.
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Devido à sua complexidade, o tema No Colégio, Aprendemos a Ver Mais Longe será dividido em três partes, em vez das duas inicialmente previstas.
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Continuação de Memórias do Baú XXVII - Frases Lapidares.
No Colégio, Traçamos o Nosso Destino
Onde é que vamos esta noite?
À rouparia? À Secretaria? Ao gabinete do Adjunto? À arrecadação dos serventes? Ou vamos ficar aqui, no gabinete do Comandante de Companhia?
Todas as noites traçávamos o nosso destino, partindo das opções que nos eram dadas pelo chaveiro da sala do Comandante de Companhia.
Umas vezes, era uma simples viagem à rouparia, para ir buscar roupa lavada; as roupeiras deviam achar estranho que alguns graduados nunca lhes pedissem roupa, mas a roupa lavada ia desaparecendo da prateleira respectiva, enquanto que a roupa suja ia aparecendo no "carrinho". Outras vezes, ficávamos simplesmente no gabinete do Comandante de Companhia, "entretidos" a ler informação reservada.
De vez em quando, um sobressalto. "Chiu! Um barulho! Será um 'vigilas'?"
O gabinete do Comandante de Companhia tinha uma casa de banho, e o nosso receio era que algum 'vigilas' da 1ª a quisesse usar, ou então que algum 'vigilas' tivesse visto a luz das lanternas através do vidro martelado da porta.
Ficávamos imóveis na escuridão, à espera, olhando através do vidro. Alguém se encostava à porta... toc, toc, toc... ok, era só mais um graduado que queria entrar para a "Sala de Leitura"...
Continua em Memórias do Baú XXIX - Frases Lapidares.
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Continuação de Memórias do Baú XXVI - Frases Lapidares.
A "Chama" Que "Arde" em Cada "Menino da Luz" (Parte II)
Uma das formas mais interessantes de "extintorar" camaradas era... nas latrinas.
As portas das latrinas do Corpo de Alunos fechavam-se, mas não se trancavam. Assim, quando algum graduado era observado a dirigir-se às latrinas, rapidamente se colocava em marcha o "dispositivo de ataque".
Em primeiro lugar, era preciso dar algum tempo. Pelo menos o tempo necessário para que levantar-se e tentar responder ao ataque não fosse uma opção para o "alvo" (já que fugir era completamente impossível). Em seguida, o grupo atacante, geralmente formado por dois elementos, dirigia-se silenciosamente para as latrinas, carregando consigo o extintor. Uma vez localizada a latrina ocupada pelo "alvo", assumiam-se as posições de ataque.
O 1º elemento carregava o extintor e colocava-se em frente à zona para a qual a porta abriria, pronto a "disparar". A missão do 2º elemento era a de rodar a maçaneta e abrir a porta o mais depressa possível, mantendo-se sempre fora do ângulo de ataque.
Após um sinal visual de "pronto!", o 2º elemento abria a porta com rapidez e o 1º elemento "disparava" após uma fracção de segundo, logo que o ângulo de abertura permitia a passagem do jacto de pó.
O resultado era indescritível: o "alvo", muitas vezes distraído a ler, reagia por instinto tentando proteger a cara, e ficava todo coberto de pó químico, restando-lhe apenas, uma vez recuperado do susto, a opção de insultar os agressores, já que persegui-los não era uma opção...
Fotografados: 207/78 e 439/76.
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Continuação de Frases Lapidares (Introdução).
A "Chama" Que "Arde" em Cada "Menino da Luz" (Parte I)
Ainda bem que havia extintores nas camaratas.
É que às vezes, após um Zacatraz, um olhar de relance para a cúpula, ou a prática de um acto de sã camaradagem, a "chama" de "Menino da Luz" que "arde" em nós atingia uma tal intensidade, que só uma boa dose de pó químico a permitia controlar.
Se era tóxico? O rótulo dizia que sim, mas aprendemos no Colégio a não impor nem aceitar rótulos. Só havia uma forma de o saber: tal como Pasteur se injectou com uma Penadur para ver se fazia algum efeito (para além de ficar uns dias sem conseguir andar), também nós percebemos que a única forma de saber se o pó químico era tóxico era experimentando-o em nós próprios. Se era tóxico, pelo menos não parecia.
Tudo começou com uma dúvida legítima: um dos graduados reparou que o selo de segurança do extintor da camarata estava partido. Será que o extintor estava com carga? Será que estava vazio, e que só o descobriríamos numa situação de emergência? O extintor era pesado, mas assumimos que a maior parte do peso viria do invólucro e não da carga, pelo que um extintor vazio também seria pesado.
A única forma de descobrir se o extintor tinha carga era fazer um teste. Retirámos o extintor do suporte, apontámos para uma das zonas de lavatórios à porta da camarata e “apertámos o gatilho”. Vooooooossssssssssssshhhhhhhhh! Saiu uma nuvem branca, acompanhada por um dos sons mais fantásticos que alguma vez ouvi, e de que ainda hoje me recordo. No chão ficou apenas uma camada fina de pó branco, que não deu praticamente trabalho nenhum a disfarçar.
Olhámos uns para os outros com satisfação, e não tardou que estivéssemos a fazer mais experiências, e que começássemos a fazer pontaria uns aos outros, primeiro às pernas, e depois, uma vez verificado que o pó não estragava a farda nem parecia afectar-nos, “levantando a mira”...
Passámos a surpreender-nos uns aos outros nas situações mais diversas, fazendo aproximações “furtivas”, para depois fazer “saltar” a “vítima” com o “rugido” do extintor e o envolvimento pela nuvem branca.
A carga do extintor durou poucas semanas. Esta situação acabou por ter uma virtude: passámos de uma dúvida – o extintor teria carga? – a uma certeza – o extintor não tinha carga!
Quando a outra camarata soube das nossas experiências, o selo de segurança do extintor deles também “apareceu” partido, e a carga do extintor durou dois dias. Corriam atrás uns dos outros de extintor na mão, e só paravam quando a “vítima” era “encurralada” e devidamente coberta de pó químico.
Irresponsabilidade? Seguramente. Mas a "chama" de adolescentes que "ardia" em nós levava-nos a fazer disparates destes... Não recordo isto como um “troféu” do passado, mas simplesmente como uma história curiosa, que felizmente não teve consequências. Como atenuante, posso apenas referir que tivemos sempre o cuidado de nunca usar o extintor à frente dos alunos mais novos.
Fotografados: 439/76 e 357/77.
Continua em Memórias do Baú XXVII - Frases Lapidares.
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Continuação de As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte II).
Medalha do Fundador do Colégio Militar (7º e 8º Anos)
De acordo com o folheto habitualmente distribuído aos convidados na cerimónia da Abertura Solene, esta medalha visava "distinguir alunos dos dois últimos anos do Curso do Colégio Militar que, pela conduta mantida ao longo da sua permanência no Colégio, maiores garantias ofereçam de no futuro, pelo seu exemplo, poderem dar testemunho do espírito e missão educativa do Colégio Militar".
O texto fazia ainda referência à necessidade de demonstração clara de alinhamento com os "princípios educativos da Instituição, a saber: sentido das responsabilidades, lealdade, camaradagem, brio e dedicação no cumprimento dos seus deveres, bondade desinteressada e respeito pelo próximo".
Tratava-se, assim, de uma análise subjectiva feita por Oficiais e Professores, e visava todo o período de permanência no Colégio.
Sendo uma análise subjectiva, a não atribuição desta medalha a qualquer elemento do meu curso não tem uma explicação próxima e racional como a das restantes medalhas que analisei.
Ninguém ganhou esta medalha porque ninguém foi considerado merecedor; resta-nos apenas respeitar a avaliação feita por quem tinha competência para decidir.
Ou então, seguir as instruções... ;-)
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Autor: 140/84.
O Santos (207/78) era o 3 estrelas (***) da 1ª em 1984/85.
Dele os "ratas" podiam esperar a aplicação da velha máxima militar "serviço é serviço, conhaque é conhaque", ou seja, boa disposição e brincadeiras na camarata, mas pouco paternalismo e pouca paciência para aturar "malandros" depois de tocar a formar.
O seu sentido de justiça era irrepreensível, o que lhe valeu o respeito por parte dos "ratas".
Cumpriu a sua missão e partiu para a missão seguinte, não voltando a ser muito "assíduo" para os lados da Luz. Ainda hoje é vulgar os camaradas do curso de 84 que eu encontro perguntarem-me pelo Santos: "O que é que é feito do Santos? Nunca mais vi o Santos..."
Talvez o próximo dia 5 de Março acorde enevoado...
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Com 3 meses de trabalho e mais de 50 "posts", quando comparo o meu modesto "blog" com outros em que cada "post" é, pelo seu fervor colegial, digno de figurar numa placa nos Claustros, sinto falta de abordar temas mais "nobres".
Por isso, fui ao "baú" à procura de memórias com um elevado grau de simbolismo, às quais associei frases lapidares sobre o Colégio.
Assim, associando-me à comemoração dos 203 anos do Colégio, interromperei a habitual programação do "blog" para publicar esta série.
São os seguintes os temas que irão ser desenvolvidos:
Tema I - A "Chama" Que "Arde" em Cada "Menino da Luz" (Partes I e II)
Tema II - No Colégio, Traçamos o Nosso Destino
Tema III - No Colégio, Aprendemos a Ver Mais Longe (Partes I e II)
Continua em Memórias do Baú XXVI - Frases Lapidares.
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O momento em que o Comandante de Batalhão abraçava o "Batalhãozinho" era o ponto alto da cerimónia da Abertura Solene.
Recuemos 7 anos, até à Abertura Solene de 1977/78 (voltaremos a esta fotografia mais tarde, quando explorarmos outras zonas do "baú").
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Esta fotografia aérea foi retirada da "História do Colégio Militar", Volume II.
Em que ano foi tirada? Respondam (e justifiquem) sff nos comentários.
Nota: eu não sei a resposta correcta. Também vou tentar deduzir, exclusivamente com base na informação dada pela fotografia.
Continua em De Que Ano É Este Colégio? (Parte II).
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Continuação de L. A. C. - Liga Anti-Cavalo (Parte IV).
O artigo que reproduzo foi publicado no "Jornal do Colégio Militar" nº 145, de Dezembro de 1984, e visava suscitar a discussão sobre um tema importante e polémico: a obrigatoriedade das aulas de equitação no Colégio.
Antes que algum anónimo mais mal intencionado me pergunte se o autor do artigo era membro da L. A. C., adianto desde já que não revelarei tal informação. Os arquivos da L. A. C. são mais secretos do que os da P. I. D. E., e não quero destruir a honorabilidade de um cidadão com revelações desta natureza. Apenas posso adiantar que o autor participou (e, se bem me lembro, venceu!) no "Jogo do Pato" de 1984/85, coisa que nem me passou pela cabeça fazer, devido à dificuldade que teria em calcular qual era a quantidade de água-pé a partir da qual eu teria vontade de subir para cima do cavalo, mas que não fosse ainda suficiente para me fazer sair de imediato pelo outro lado.
Fica aqui a homenagem a um camarada com o qual partilhei 8 anos de Colégio, a 1ª Companhia enquanto graduado, e algumas ideias sobre os equídeos (embora o sigilo me impeça de desenvolver este tema).
Continua em L. A. C. - Liga Anti-Cavalo (Edição Especial).
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