sexta-feira, abril 07, 2006

A "Tecnica do Arantes" (Parte I)

Continuação de A "Técnica do Arantes" (Introdução).

No início da década de 80, foi construída no Colégio uma "pista de combate" para complementar a formação do Curso Geral de Milicianos (CGM) que era ministrada nos últimos anos do curso.

O início da pista era no topo Oeste do campo de futebol, junto à estrada que sobe do Pavilhão de Ciências para o Ginásio; a pista seguia depois paralela ao campo de futebol, entre a pista de atletismo e as bancadas, e fazia uma curva a acompanhar a pista de atletismo, passando por trás das sebes, e indo acabar na estrada que passa atrás do refeitório.

A "pista de combate" tinha pouco mais de uma dezena de obstáculos, após o que se seguia uma corrida de cerca de 30 metros, terminando numa descida abrupta até à estrada que passa atrás do refeitório.

O último obstáculo era um dos mais "indesejados": a "Escada Chinesa". A "Escada Chinesa" era constituída por quatro troncos afastados e com uma altura crescente, que eram subidos em corrida (quanto mais devagar, mais difícil era subi-los), após o que se saltava para o chão e se seguia até ao final.

O problema é que, sendo o último obstáculo, os alunos já lá chegavam completamente "rotos", e ainda tinham que ter cuidado para subirem sem cair nem perder a velocidade, para depois saltarem para o chão (leia-se caírem como um "saco de batatas"), levantarem-se, e correrem até ao final.

A essência da "Técnica do Arantes" era a gestão do esforço. Em vez de dar tudo o que tinha e "arrastar-se" na fase final, o Arantes poupava ao longo dos obstáculos a energia necessária para um "sprint" vigoroso desde o salto da "Escada Chinesa" até ao final.

"Arrancou que nem uma flecha!", dizia o Major Fernandes com admiração, encorajando-nos a usar a "Técnica do Arantes".

Mas a "Técnica do Arantes" tinha os seus segredos...

Continua em A "Técnica do Arantes" (Parte II).

quarta-feira, abril 05, 2006

Memórias do Baú XL - As Redacções


Autor: 142/84, o "Baldas" (alcunha "by Santos").

À medida que vou publicando as redacções, vou-me apercebendo de que há uns graduados que são mais "visados" do que outros.

A esta distância, não consigo dizer se a escolha do "retratado" era da minha responsabilidade, ou se ficava ao critério do autor. De qualquer forma, esta questão é irrelevante, pois calculo que qualquer das opções conduziria ao mesmo resultado... ;-)

Para acederes ao "post" anterior sobre as Redacções, clica aqui.

Para acederes ao "post" seguinte sobre as Redacções, clica aqui.

segunda-feira, abril 03, 2006

Memórias do Baú XXXIX - Os "Ratas" - O "Migalha"

O "Migalha" era o "Batalhãozinho" do curso de 1984/85. "Dois palmos de gente", mas uma atitude muito "reguila"...

Talvez por isso, foi um dos primeiros a beneficiar da "máquina de alcunhas" que era o Santos (207/78, *** 1ª), que colocou aos "ratas" algumas alcunhas que ficaram para a posteridade.

Assim, numa troca de argumentos em que o "Batalhãozinho" se terá tentado colocar "em bicos de pés" (não é que adiantasse alguma coisa...), o Santos brincou com a altura dele e disse-lhe "olha para ti, és minúsculo, és insignificante, és uma migalha!". E ficou o "Migalha".

O "Migalha" acabou por não chegar ao fim do curso (parece ser uma "sina" que atinge a quase totalidade dos "Batalhãozinhos"), e acabei por lhe "perder o rasto".

Presumo que esteja mais alto. ;-)

Fotografados: 288/84, 262/84, 30/84, 22/84.

Para acederes ao "post" seguinte sobre os "Ratas", clica aqui.

domingo, abril 02, 2006

A "Tecnica do Arantes" (Introdução)

O Arantes (522/77) tinha uma das melhores notas a Instrução Militar (só suplantado por dois alunos do 4º grupo...), e era um dos "campeões" de medalhas de Aptidão Militar e Física.

Para atingir esses objectivos era preciso muito esforço, muita dedicação e... muita técnica.

Esta série debruçar-se-á sobre a técnica que ele desenvolveu, e que ficou conhecida como a "Técnica do Arantes".

Continua em A "Técnica do Arantes" (Parte I).

sexta-feira, março 31, 2006

As Elites da Elite (Parte IV)

Continuação de As Elites da Elite (Parte III).

O Comandante de Batalhão e as Elites

Texto escrito com base na realidade da década de 80, mas possivelmente aplicável nos dias de hoje.

O Comandante de Batalhão devia ser escolhido em função da capacidade de executar uma missão definida dentro dos limites estabelecidos pela estratégia da Direcção do Colégio.

Para que isso fosse possível, a capacidade de influência do Comandante de Batalhão sobre o curso deveria ser abrangente, pelo que seria recomendável que ele pertencesse às 3 elites indicadas nesta série ou, no mínimo, à Classe Especial e ao Quadro de Honra.

Mas existia alguma estratégia definida pela Direcção? Era definida alguma missão para o Comandante de Batalhão? Para que "servia" o Comandante de Batalhão?

Posso ter estado muito distraído ou ter pouca sensibilidade a este tema, mas fiquei com a ideia de que o Comandante de Batalhão tinha essencialmente uma função de representação: comandava o Batalhão nas cerimónias oficiais e nas paradas, representava o Colégio em eventos externos, e pronto.

Sendo assim, o critério de nomeação passava a ser o do aluno que, para a Direcção, melhor imagem dava do Colégio. Como isso geralmente passava por um elevado número de medalhas, o escolhido acabava por pertencer às elites indicadas, pelo que este critério se confundia com o inicialmente estabelecido.

Em alternativa, e não havendo preferências por parte da Direcção, era aceite a votação do curso, desde que a escolha não fosse "escandalosa". Também neste caso havia uma probabilidade elevada de o escolhido pertencer às elites.

Conclusão: ainda que feita por motivos errados, a escolha acabava geralmente por obedecer aos critérios certos, parecendo assim uma boa escolha. E às vezes até era.

quarta-feira, março 29, 2006

Memórias do Baú XXXVIII - As Requisições


O 486/84, mais conhecido por "Lamego" (sua terra de origem), era um "cromo" que nos proporcionava muitos episódios divertidos e caricatos.

Justificará um regresso ao "baú" em breve... ;-)

Para acederes ao "post" anterior sobre as requisições, clica aqui.

Para acederes ao "post" seguinte sobre as requisições, clica aqui.

segunda-feira, março 27, 2006

Memórias do Baú XXXVII - O Guião


Continência à Bandeira, na cerimónia de Abertura Solene de 1984/85.

O 82/77 - Freire apresenta o guião com a divisa "Um Por Todos, Todos Por Um", guião que nos acompanhou ao longo da nossa vida colegial, mas que viria a ser "reformado" poucos anos depois.

O guião tem sido mudado de 20 em 20 anos, o que faz com que a sua imagem não seja uma referência comum para os ex-alunos, o que é de lamentar, pois seria um símbolo colegial com bastante força.

Ainda assim, é importante referir que o "nosso" é o mais bonito de todos; tenho pena de ter estragado a minha miniatura de tanto a usar nas batalhas de "Action Men"... ;-)

Será que ainda se vende algures?

Para acederes ao "post" seguinte sobre o Guião, clica aqui.

sexta-feira, março 24, 2006

Os Jantares de Curso

Os nossos Jantares de Curso passaram por diferentes fases...

Período Clássico - Jantares enquanto finalistas e "Jantar do Arantes"

Dos jantares enquanto finalistas, ficou a memória de um certo jantar nas "Janelas Verdes", no qual "comemos" o Livro de Curso (só havia dinheiro para uma das coisas...). Esse jantar será objecto de uma "ida ao baú" em tempo oportuno...

Já depois de sairmos, passámos a fazer um jantar com uma regularidade aproximadamente mensal, que viria a ter à posteriori a designação de "Jantar do Arantes". Porquê? É simples: ao princípio, juntávamos cerca de 20 camaradas mais o Arantes (522/77); uns meses depois, passaram a 15 mais o Arantes; depois, passaram a 10 mais o Arantes; depois, 5 mais o Arantes; finalmente, houve um dia em que só apareceu o Arantes. E deixou de haver Jantares de Curso.

Período Moderno

No Período Moderno não houve Jantares de Curso. A "malta" andava muito ocupada a gerir o casamento, os filhos e a carreira...

Período Contemporâneo - "Jantar do Rosa"

Ao fim de uns anos de interregno nos jantares, o Rosa (339/78) resolveu chamar a si a difícil tarefa de voltar a estabelecer um Jantar de Curso regular. Esse jantar, prontamente designado por "Jantar do Rosa", realiza-se agora nos dias 1 de Abril e 1 de Outubro de cada ano, na Portugália do Chile. Aparece quem quiser, sem marcação, e já chegámos a juntar 8 camaradas num só jantar!...

quarta-feira, março 22, 2006

Memórias do Baú XXXVII - O "Enxoval" (Parte IV)

Continuação de Memórias do Baú XXIII - O "Enxoval" (Parte III).


As Botas de Atanado

Não fosse a minha memória ser uma "miséria", teria certamente material para escrever várias páginas sobre as botas de atanado.

As botas de atanado eram usadas com a farda interna (de cotim), até ao fim da década de 70. Eram feitas de pele, sem atacadores, com bandas elásticas de cada um dos lados, e uma "pega" na parte de trás para ajudar a calçar.

Devido ao facto de serem compradas com folga, para darem para alguns anos, e de não terem atacadores, as botas andavam "à solta" no pé, o que conferia um som "oco" e arrastado ao andar, já que o calcanhar da bota batia sozinho no chão, e só depois chegava o calcanhar do pé, depois de um ligeiro arrastar do calcanhar da bota.

O facto de as botas estarem largas facilitava o calçar e o descalçar: para calçar, bastava enfiar o pé; para descalçar, bastava dar um "pontapé no ar", que a bota "voava"...

Com mais ou menos pontapés em pedras, a parte inferior/frontal da sola começava a descolar. A partir de uma certa amplitude, o andar passava a ser acompanhado do barulho da sola a bater na bota ou a arrastar pelo chão quando o pé ia para a frente. Havia camaradas que tinham alguma "inércia" em mandar arranjar as botas, o que fazia com que andassem com elas descoladas durante semanas.

Para não apodrecerem, as botas de atanado tinham que ser ensebadas, o que normalmente era feito no fim de cada período escolar. Ensebadas... que conceito "jurássico". Mas quem não se lembra do cheiro, da cor e do toque de umas botas de atanado acabadas de ensebar?

Duas imagens que me "saltam à memória":

1) o "Peçonha" (442/77) a marchar (semanas?) com as solas das duas botas completamente descoladas... schlak, schlak, schlak...

2) O "Chaminhas" (475/77) a tentar atravessar o campo de obstáculos cheio de lama, só pela diversão, com os pés a sairem e as botas a ficarem completamente enterradas...

Continua em Memórias do Baú XLII - O "Enxoval" (Parte V).

segunda-feira, março 20, 2006

Memórias do Baú XXXVI - A "Noite dos Fantasmas"


O Marechal discursa para os "ratas", dando-lhes as boas-vindas ao Colégio.

Para acederes ao "post" anterior sobre a "Noite dos Fantasmas", clica aqui.

sexta-feira, março 17, 2006

As Elites da Elite (Parte III)

Continuação de As Elites da Elite (Parte II).

A Classe Especial


A Classe Especial era a elite das elites. Simbolizava a força, o rigor, a disciplina, o sacrifício, a audácia, o risco - muitas das características e valores que o Colégio procurava incutir nos seus alunos.

A grande importância da Classe Especial vinha sobretudo da participação em exibições e festivais em diversos pontos do país, divulgando e dignificando o nome do Colégio.


Os "gafanhotos" - a especialidade da Classe Especial - eram originais e espectaculares, havendo sempre alguma incógnita em relação à direcção a tomar por cada aluno depois da impulsão na "cama elástica"... ;-)

Essencial para a "mística" da Classe Especial era a liderança do Prof. Dario, um dos melhores educadores de que a minha geração teve a oportunidade de beneficiar.

O Prof. Dario reformou-se, e com ele "reformaram-se" também os gafanhotos. Talvez um dia, quem sabe, a "praga" regresse...

Continua em As Elites da Elite (Parte IV).

quinta-feira, março 16, 2006

No Banco de Trás

A Abertura ao Externato

Seguimos durante muitos anos pela mesma estrada, partindo da mesma origem e chegando ao mesmo destino.

Ao longo do tempo, fomos verificando mudanças na paisagem, e fomos percebendo que se estavam a construir outros destinos mais valorizados pela sociedade, ainda que aparentemente menos interessantes do que o nosso; continuámos.

Se tivessemos decidido mudar, teríamos tido a possibilidade de escolher como, quando e por onde mudar, e teríamos escolhido o melhor compromisso entre o destino a que rumámos até hoje e aquele a que esperam que rumemos no futuro. É o privilégio de quem vai ao volante.

Pedimos tempo, aparentemente para trabalhar melhor a argumentação de que o nosso destino é que é bom.

Agora fomos passados para o banco de trás (*). Provavelmente, em vez de percebermos como é que criamos condições para passar rapidamente para o banco da frente, vamos ficar cá atrás a gritar "não, não, por aí não!".

Neste momento já não estamos a seguir a nossa estratégia, mas sim a dos outros ou, pior, (quase garantidamente) nenhuma.

----------------------------

(*) Podes ver a notícia sobre a abertura do Colégio Militar ao externato aqui e aqui.

quarta-feira, março 15, 2006

Memórias do Baú XXXV - As Redacções

Nem sempre o tema das redacções era o Colégio ou os graduados. Por vezes também havia temas culturais ou de história universal... ;-)


Autor: 324/83.

Para acederes ao "post" anterior sobre as Redacções, clica aqui.

Para acederes ao "post" seguinte sobre as Redacções, clica aqui.

segunda-feira, março 13, 2006

Memórias do Baú XXXIV - A Abertura Solene


Comandado pelo "Fru-fru", o 2º ano presta continência à Bandeira (actualmente designada por "Estandarte Nacional").

Enquanto isso, após uma rápida mas intensa sessão de instrução militar, os "ratas" dirigem-se para os Claustros. Como se não fosse já suficientemente confuso para eles o facto de terem que marchar em pelotão, e quando se devia aproveitar todas as oportunidades para treinar as posições e os alinhamentos, os oficiais determinam que o pelotão marche ao contrário, ou seja, com os mais altos à frente, para facilitar a manobra de entrada nos Claustros... ;-)


Para acederes ao "post" anterior sobre a Abertura Solene, clica aqui.

domingo, março 12, 2006

L. A. C. - Liga Anti-Cavalo (Edição Especial)

Continuação de L. A. C. - Liga Anti-Cavalo (Parte V).

Nunca Digas "Nunca Mais"

Gosto de ser eu a escolher os meus desafios.

Num evento profissional, surgiu a oportunidade de reencontrar "velhos amigos" e fazer uma "trégua" numa "cruzada" antiga: estive 30 minutos em cima de um cavalo, tendo até sido elogiado pelo meu "trote levantado" (o Dores teria ficado orgulhoso).

Galope? Tal como no jogo e na bebida, é preciso saber quando se deve parar...

Alguns dirão que estou a renegar a L. A. C., da qual sou Presidente; eu digo apenas que não sou dos que acha que a mais-valia do Colégio deva ser colocar-nos perante situações difíceis e obrigar-nos a superá-las, mas sim colocar-nos perante situações difíceis e ensinar-nos a superá-las. O que eu detestava nas aulas de equitação era o facto de o medo dos alunos ser "curado" com um "deixe-se de mariquices e volte a montar".

Se, 22 anos depois, ainda sei fazer o "trote levantado", pergunto-me o que saberia se efectivamente alguém tivesse querido ensinar-me a montar a cavalo...

sexta-feira, março 10, 2006

Um Homem Não Chora(va)

No meu tempo de Colégio dizia-se: "um homem não chora, nem que tenha as tripas de outro na mão".

Fui educado e eduquei com base neste princípio, e recordo que um "rata" de 1984/85 que chorou mais dias do que era habitual ficou conhecido entre nós "para a posteridade" como o "chorinhas".

Agora as coisas são diferentes. Fez-me confusão ver os graduados a chorar na televisão, mas já vivi o suficiente para perceber que as coisas mudam, e que aquilo que me choca pelos padrões pelos quais fui educado pode ser perfeitamente normal e aceitável pelos padrões de hoje. E, afinal de contas, era o último "3 de Março"...

Resta-me, por isso, deixar uma mensagem aos meus camaradas graduados: requisitem "resmas" de lenços de papel, porque vão precisar. É que ainda falta o último período, o último mês, a última semana, o último dia, o último "cavanço", o último banho, a última aula, a última refeição, a última punição, o último louvor, o último castigo aplicado, a última tradição cumprida, a última formatura, o último "destroçar", o último "Zacatraz", a última fotografia, a última saída, etc.

Estou certo de que vão contar com o apoio dos camaradas mais novos, sempre prontos a disponibilizar um ombro amigo.

quarta-feira, março 08, 2006

Memórias do Baú XXXIII - As Requisições


Aqui está o caso de um "rata" que ia requisitar material escolar, mas verificou que lhe faltavam coisas mais urgentes. Dada a limitação de recursos, teve que optar...

Para acederes ao "post" anterior sobre as requisições, clica aqui.

Para acederes ao "post" seguinte sobre as requisições, clica aqui.

segunda-feira, março 06, 2006

Memórias do Baú XXXII - A Abertura Solene

Que pai não entregaria o seu filho à guarda desta dupla? ;-)

Chega o primeiro dia para os novos "ratas", e as famílias vão às camaratas conhecer o espaço e ajudar a fazer a cama e arrumar o armário. São recebidas pelos seis graduados do 1º ano, que vão ajudando, dando conselhos, respondendo a dúvidas, etc. Pelo caminho, vão recebendo alguns pedidos especiais para olhar pelo "X", para não "apertar" muito como o "Y", etc. E vão tendo tempo para trocar entre si informações preciosas: "Já viste a irmã do 'Z'?".

Era o início de uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida...

Fotografados: 207/78 e 357/77.

Nota: ao fundo são visíveis os armários castanhos referidos no "post" sobre o meu canto. Estes armários foram retirados no decorrer do ano lectivo.

Para acederes ao "post" anterior sobre a Abertura Solene, clica aqui.

Para acederes ao "post" seguinte sobre a Abertura Solene, clica aqui.

sexta-feira, março 03, 2006

As Elites da Elite (Parte II)

Continuação de As Elites da Elite (Parte I).

A Escolta a Cavalo

Nos meus tempos de Colégio, a Escolta a Cavalo era, no seu espírito, o exemplo mais genuíno do que devia ser uma elite no contexto colegial: um grupo com admissão limitada, por candidatura, com uma "mística" e um conjunto de regras próprias, e com uma disciplina rígida.

Nas missões que era chamada a desempenhar no contexto do Colégio, fosse a cavalo ou a pé, a Escolta a Cavalo deixava sempre uma imagem de rigor e disciplina.

A Escolta exercia sobre mim o fascínio próprio dos grupos restritos, para os quais não conseguiamos deixar de querer ser convidados. Por isso, lá fui eu no 3º ano a um "despeneiranço", apesar de já ter uma sensação de que a minha relação com os cavalos não ia ser famosa... chumbei, naturalmente!

Nem tudo era perfeito. Havia camaradas, autênticas "sandes de sela" (besta-sela-besta) ou, usando uma expressão do "Bata", "fracções impróprias" (a besta maior estava em cima), que achavam que eram mais "Meninos da Luz" do que eu por serem da Escolta. Quando esses camaradas chegavam a graduados, o seu "estatuto de imunidade" permitia-lhes demonstrar que os restantes camaradas lhes mereciam menos respeito do que os solípedes. Apesar de tudo, eram excepções que não desvalorizavam a boa imagem da escolta (mas que irritavam o pessoal, ai isso sim!).

Sempre que vou ao "3 de Março" e tenho a oportunidade de assistir ao desfile completo, vejo a Escolta como a "cereja em cima do bolo". E aqueles "cavalinhos de circo" da GNR, até eu montava... ;-)

Continua em As Elites da Elite (Parte III).

quarta-feira, março 01, 2006

Memórias do Baú XXXI - Frases Lapidares

Continuação de Memórias do Baú XXX - Frases Lapidares.

No Colégio, Aprendemos a Ver Mais Longe (Parte III)


Fotografados: 401/77 e 357/77.

Ver Mais Longe

Filhos da Luz, temerários,
P'ra cumprir a sua sina,
Empilharam uns armários
E subiram p’la latrina.

E no seu Colégio amado,
Bem sedentos de conquista,
"Passearam" pelo telhado
Sem os “cães” lhes porem vista.

Hoje têm uma mensagem
Para as novas gerações:
É perigosa a viagem;
Cuidado c’os trambolhões.

Se caírem, pois então,
Já que a vida é fugaz,
Até chegarem ao chão,
Gritem alto: “ZACATRAZ!”

Epílogo

De facto, se há coisa que eu aprendi no Colégio foi a ver mais longe, para lá do óbvio, das primeiras impressões e das reacções "à flor da pele".

É possível brincar com um tema sério sem lhe perder o respeito; é possível discordar de alguém sem o insultar; é possível trabalhar em conjunto com pessoas com as quais se têm divergências profundas em alguns temas, desde que se tenha uma base comum para construir um acordo.

Aprendi isto muito à custa do internato, que não nos facilitava a fuga aos problemas. Para o conseguir, no entanto, é preciso "subir ao telhado" e ver mais longe... ;-)

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Resumo de Janeiro e Fevereiro de 2006

Este "post" faz o resumo da actividade do "blog" em Janeiro e Fevereiro de 2006.

Em termos de organização, o aspecto mais relevante foi a criação do Índice Temático. Através deste índice, é possível aceder directamente a qualquer "post" publicado no "blog", organizado pelo respectivo tema e não pela data em que foi publicado. Associada à criação do Índice foi feita uma nova classificação dos "posts", que passaram a estar divididos em 5 temas: Histórias do Meu Tempo de Colégio, Memórias do Baú, A Actualidade, O Futuro e O "Blog".

No tema Histórias do Meu Tempo de Colégio, há a destacar a finalização da série dedicada à L. A. C. - Liga Anti-Cavalo, a publicação da série As Medalhas Que Ninguém Ganhou e o início da série As Elites da Elite.

No tema Memórias do Baú, há a destacar a publicação de memórias sobre A "Noite dos Fantasmas", A Imposição das Graduações, A Abertura Solene, As Requisições, O "Enxoval", As Redacções e, sobretudo, a série dedicada às Frases Lapidares.

Se preferirem, podem iniciar a exploração pela página inicial.

Agradeço quaisquer comentários ou sugestões que queiram deixar.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Memórias do Baú XXX - Frases Lapidares

Continuação de Memórias do Baú XXIX - Frases Lapidares.

No Colégio, Aprendemos a Ver Mais Longe (Parte II)


A proximidade das travessas (ver fotografia) garantia a sustentação do telhado mesmo sem algumas telhas, mas tornava mais difícil a remoção das telhas e a passagem para o exterior.

A saída para o telhado era feita pelo lado interior da camarata do 1º ano. Depois, uma vez no exterior, podíamos finalmente ver mais longe... Na altura, ainda não tinham sido construídos os balneários actualmente existentes entre as camaratas, pelo que era possível ter uma perspectiva mais vasta do Colégio.

A deslocação pelo telhado era sempre feita pelo lado interior, para limitar a possibilidade de sermos vistos a partir do exterior. Uma coisa era sermos apanhados pelos Oficiais ou "Vigilas", outra - grave! - era sermos vistos no telhado por pessoas estranhas ao Colégio.

Dizia-me há dias um camarada de aventura (com o qual concordo): "eu não tinha medo de ser apanhado, tinha era medo de cair dali abaixo!" De facto, isso justifica porque é que "rastejávamos" pelo telhado, em vez de andar ou gatinhar... Uma coisa é fazer umas acções fora do comum, para ter umas histórias "para contar aos netos", outra é correr riscos desnecessários, e nestas acções ninguém tinha vergonha de demonstrar apego à vida fazendo todos os movimentos com muito cuidado. O único risco que corríamos era mesmo o de sermos punidos, e nisso a sorte protegeu-nos.

Fotografados: 207/78, 357/77 e 401/77.

Continua em Memórias do Baú XXXI - Frases Lapidares.

sábado, fevereiro 25, 2006

Memórias do Baú XXIX - Frases Lapidares

Continuação de Memórias do Baú XXVIII - Frases Lapidares.

No Colégio, Aprendemos a Ver Mais Longe (Parte I)


Em primeiro lugar, havia que localizar o ponto de passagem para cima da placa. Ficava por cima das latrinas do 1º ano, ao fundo, do lado esquerdo: um buraco quadrado, com cerca de 40 cm de lado, com uma tampa de madeira pintada de branco, para ficar devidamente "camuflado".

O acesso à tampa não era fácil. Um aluno alto, em pé em cima das paredes das latrinas e com os braços esticados, ainda ficava quase a 1 metro da abertura, que nem sequer ficava directamente por cima de uma das paredes, mas mesmo por cima da latrina.

Já não me lembro como é que a abertura era acedida, mas terá certamente sido necessário algum objecto volumoso para servir de escadote: por exemplo, dois armários verdes empilhados lateralmente sobre as paredes das latrinas serviriam perfeitamente. Qualquer que fosse a solução, ela ficava montada durante a incursão até ao topo, dando a quem a visse a indicação clara de que havia gente lá em cima.

Uma vez acedida a tampa, esta era removida para cima, e os "exploradores" passavam um a um, levando pelo menos uma lanterna e o indispensável equipamento fotográfico.

O espaço entre a placa e o telhado era absolutamente normal, dando a ideia de uma construção de boa qualidade. Não havia qualquer vestígio da presença de alunos - números pintados ou marcados a canivete, etc. Não havia nada de interessante a fazer, a não ser ir até ao fundo das camaratas ("dica" para a "Noite dos Fantasmas" dos próximos anos: andar, saltar e arrastar correntes por cima da camarata do 1º ano deve dar um efeito fabuloso!).

Depois vinha a parte mais difícil: abrir um espaço no telhado que desse para passar, sem partir telhas, e que fosse possível voltar a fechar outra vez...

Fotografados: 207/78 e 357/77.

Continua em Memórias do Baú XXX - Frases Lapidares.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Conclusão)

Continuação de As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte III).

Nos "posts" anteriores desta série foram apresentadas as 3 medalhas que ninguém do curso de 1977/85 ganhou (também ninguém ganhou as Medalhas de Ouro de Aptidão Militar e Física nos 3º e 7º anos, mas isto é apenas "uma questão de cor").

Esta (inútil mas, por enquanto, ainda não doentia) obsessão por medalhas continuará brevemente na série As Medalhas Que Alguém Ganhou, com estatísticas globais para o curso.

Frases Lapidares (Actualização)

Devido à sua complexidade, o tema No Colégio, Aprendemos a Ver Mais Longe será dividido em três partes, em vez das duas inicialmente previstas.