sexta-feira, maio 26, 2006

O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte I)

Continuação de O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Introdução).

Dos Comandantes de Batalhão que tive, o 641/74 (Alves Caetano) é aquele de quem guardo a imagem mais positiva.

Era um aluno excepcional, quer na componente literária, quer na militar e física, e a "atestá-lo" tinha uma "molhada" de medalhas, em número muito superior ao que o nosso cérebro é capaz de contar com um olhar.

Quando vi a fotografia anexa na "História do Colégio Militar", que o classifica como "o até hoje mais medalhado dos Colegiais", resolvi contá-las.

17. 17! Dezassete? Mas o número máximo de medalhas que era possível alguém ganhar era de 16 - ou, pelo menos, era essa a ideia que eu tinha.

Analisando a fotografia em detalhe, descobri 3 curiosidades, que vou partilhar com os leitores.

Continua em O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte II).

quarta-feira, maio 24, 2006

Memórias do Baú L - As Redacções


Autor: 114/84.

Mais um momento cultural!

Neste caso, temos a (até agora desconhecida) história de "Lourence" da Arábia.

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segunda-feira, maio 22, 2006

Memórias do Baú XLIX - "Almofadadas" e Outros "Granéis"


Aqui temos um verdadeiro "guerreiro": o 30/84 (à direita). Uma vez atacado, saltou da cama e combateu os "invasores" até à exaustão.

É tal o empenho, que até o "invasor" parece estar a dizer "não me batas mais!"...

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domingo, maio 21, 2006

O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Introdução)

Devia haver no Colégio uma galeria de “alunos ilustres”, com os alunos mais medalhados de sempre. Para além de uma (justa) homenagem, seria uma forma de “inspirar” os alunos do presente a lutarem pela excelência.

Dado que o número máximo de medalhas tem variado ao longo dos tempos, a forma mais justa de seleccionar os alunos para a galeria seria dividindo o número de medalhas que ganharam pelo número máximo de medalhas que era possível ganhar na sua época, calculando assim uma percentagem.

Embora haja ao longo da história do Colégio vários alunos que ganharam 100% do número máximo de medalhas que era possível ganhar na sua época, o topo da lista seria ocupado por um aluno que ganhou 106,25% do número máximo de medalhas para a sua época, ou seja, ganhou mais medalhas do que o máximo teórico.

Esta série é sobre esta "curiosidade colegial".

Continua em O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte I).

sexta-feira, maio 19, 2006

O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Parte II)

Continuação de O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Parte I).

Na semana seguinte fui "intimado" a apresentar-me no gabinete do "Panzer".

O "Panzer" era um tenente ex-aluno, que tinha fama de ter sido um "duro" enquanto aluno, e que gostava de manter essa fama enquanto oficial.

Apesar de tudo, sempre achei que de "duro" ele só tinha a fama; o que ele não gostava (quem gosta?) era de ser "toureado" pelos alunos, e havia alguma tendência da malta em abusar só porque ele era ex-aluno.

Por motivos que nunca entendi - não era certamente pelas marcas que alcançava na pista de combate - tinha sempre boas notas a Instrução Militar, e acho que essa decisão passava também pelo "Panzer". Por isso, senti-o com um misto de satisfação por ir "entalar" mais um "malandro", e de insatisfação por ser este "malandro". É que o "Panzer" sabia perfeitamente que o Major era um bocado ingénuo na relação com os alunos, e que era natural que estes usassem alguns esquemas para o enganar. Mas um engano destes, era evidente demais...

- "Explica-me lá como é que fizeste este tempo." - perguntou-me.

- "Não fiz." - respondi.

Preciso de explicar que, na altura, eu gostava bastante de utilizar a ironia, ainda que correndo o risco de esta não ser apreciada. Por isso, achei que era melhor fornecer as informações "a saca-rolhas" do que começar logo a "desbobinar" a história toda.

- "Então como é que explicas isto?"

- "Foi um engano do Major."

- "E porque é que não lhe chamaste à atenção?"

- "Chamei, mas ele confirmou que eu ia muito bem e que, se tivesse usado a 'Técnica do Arantes' tinha batido o 'record' do Colégio."

O "Panzer" teve que se agarrar ao bigode e fazer um esforço enorme para não se "partir a rir" à minha frente, ao imaginar o Major a explicar a um "perneta" como eu que se me tivesse esforçado tinha batido o "record" do Colégio. É que era preciso ser mesmo muito distraído...

Depois de uma pausa para se recompor, olhou para mim com um ar sério e disse:

- "Obrigado. Podes ir."

Não sei se fiquei para a posteridade como um dos melhores a fazer a pista de combate. O que é um facto é que a nota ao fim do período não reflectiu a extraordinária melhoria na performance.

quarta-feira, maio 17, 2006

100 Comentários

Este é o "post" nº 100 do "blog".

O "blog" começou por ser um veículo para publicar algumas fotografias que eu tirei nos tempos do Colégio e que pensei que, por serem raras, teriam algum interesse (pelo menos para os "visados").

No dia 15 de Dezembro, eu escrevia: "Hoje, dezena e meia de 'posts' depois, já percebi o que é um 'blog' e já percebi o que quero fazer com o meu: não quero divagar sobre os meus 'estados de alma' ou dar opiniões inflamadas e/ou subjectivas sobre o futuro da humanidade ou até mesmo o do Colégio; quero essencialmente partilhar uma série de memórias em suporte físico – fotografias, etc – e recordar algumas histórias engraçadas dos tempos do Colégio."

Duplo engano. Não só as fotografias não despertaram uma onda de curiosidade e comentários, nem da parte dos "visados", como eu acabei (por isso mesmo) por acrescentar comentários subjectivos sobre alguns aspectos do Colégio.

Quanto aos comentários aos meus comentários, houve poucos e tímidos. Não só ninguém publica as suas "memórias" - parecemos todos o Museu do Colégio: cheio de História, mas nem no "3 de Março" está aberto para ser visitado pelos ex-alunos - como ninguém comenta as memórias dos outros. Ninguém tem sequer tempo para ler as memórias dos outros, quanto mais comentá-las.

Houve alguns comentários interessantes, em especial por parte de anónimos, que tiveram o mérito de causar alguma polémica e "inflamação", mas assim que estes deixaram de comentar, a coisa estagnou. Aliás, mesmo ao nível de outros "blogs" e das "mailing lists", a generalidade das pessoas só se manifesta para sufocar as polémicas. "Prejudicam a imagem do Colégio", dizem. Como se o silêncio não fosse pior.

No fim de contas, esta é apenas mais uma consequência do alheamento que a generalidade dos ex-alunos mantém em relação ao Colégio. Poucos são sócios da AAACM, menos vão ao 3 de Março, e menos ainda se envolvem em actividades relacionadas com o Colégio. O investimento que o Colégio fez em nós, devolvemo-lo à sociedade, certamente com uma rentabilidade "fantástica", mas não nos sobra nem um bocadinho para o próprio Colégio.

segunda-feira, maio 15, 2006

Memórias do Baú XLVIII - "Almofadadas" e Outros "Granéis"


Um ataque de "almofadada" é uma aula de Ciências Humanas e Sociais. Ao observarmos as reacções de um camarada, podemos tirar muitas conclusões sobre a sua maneira de ser como indivíduo e como elemento de um grupo.

No "post" anterior desta série vimos camaradas que, apesar de a camarata estar toda em alvoroço, continuavam na cama como se não fosse nada com eles. É um "clássico" que todos os dias vemos repetido, quer na nossa vida profissional, quer na pessoal.

O "post" de hoje apresenta outro "clássico": a redução da acção à defesa do espaço pessoal, até que o ataque termine. Não há aqui qualquer intenção de rechaçar o inimigo, mas sim simplesmente a de sobreviver.

Gestores, sigam o meu conselho: organizem uma sessão de "almofadada" entre os candidatos a uma posição na vossa empresa, e rapidamente perceberão quem devem contratar.

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sexta-feira, maio 12, 2006

O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Parte I)

Continuação de O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Introdução).

Lá estava eu na linha de partida para mais uma prova na pista de combate.

Não era uma coisa que me desagradasse particularmente, mas também não me dava grande prazer, por isso limitava-me a cumprir com um esforço moderado, sem demonstrar desinteresse, mas sabendo à partida que era um forte candidato a um dos 20% piores tempos.

O "record" da pista de combate era ligeiramente inferior a 1 minuto, ao qual eu acrescentava normalmente 25 a 30 segundos.

Iniciei a minha prova, fiz a minha secção favorita - paliçada, muro, vala e "mergulho" para passar por baixo dos arames - e lá segui com a minha obrigação. Depois da corrida até ao final, regressei "pachorrentamente" até ao local (perto do inicio) em que se encontrava o Major Fernandes, com um cronómetro em cada mão, a dar as ordens de partida.

Espreitei por cima do ombro do Major, e nem queria acreditar no tempo que estava registado.

- Um minuto???!!!! (*)

- Ah Chagas, já chegaste... ias muito bem, muito bem! - disse o Major, não tirando os olhos dos meus camaradas que se encontravam nesse momento na pista.

- Mas meu Major, isso não é possível!

- Claro que é possível!...

- Mas...

- ... e se tivesses usado a "Técnica do Arantes" - eu estou farto de vos dizer isto mas vocês não me ligam nenhuma - tinhas certamente batido o "record" do Colégio.

- Mas, ó meu Major, eu costumo fazer mais de 1:25...

- Mas ias muito bem, já te disse que ias muito bem! Agora deixa-me que tenho que despachar o resto da malta.

Encolhi os ombros e lá fui à minha vida, calculando que a coisa não ia ficar por ali.

E não ficou.

Continua em O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Parte II).

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(*) Não me lembro do tempo exacto, mas o erro não será superior a 1 segundo.

quarta-feira, maio 10, 2006

O Colégio na "Revista dos Combatentes"

A "Revista dos Combatentes", no seu nº 9 (Abril/Maio de 2006), tem como tema de capa "Meninos da Luz marcham para o futuro".

No interior há várias páginas dedicadas ao Colégio e outras dedicadas a ou escritas por ex-alunos de prestígio.

Dado que nem todos os ex-alunos têm a projecção mediática que merecem, publico em seguida uma das fotografias incluidas na revista, com o objectivo de esclarecer os milhares de leitores da mesma que terão feito a si próprios a pergunta "quem é aquela 'malta' que está atrás do Chagas?". Entre a 'malta' em 2º plano estão o 33/20 - António de Spínola e o seu sucessor 33/77 - Alexandre Fernandes (filho do Prof. Dario).

Fica o esclarecimento aos leitores da revista... ;-)

segunda-feira, maio 08, 2006

Memórias do Baú XLVII - "Almofadadas" e Outros "Granéis"


Um militar tem que ser capaz de (1) desenvolver acções com a inteligência e destreza suficientes para surpreender o IN, e (2) reagir com prontidão e eficácia a um ataque de surpresa do IN.

Estas acções eram treinadas em alturas estratégicas, nomeadamente nas últimas noites de cada período escolar, nas quais a disciplina era "afrouxada" de forma a dar espaço a "exercícios de campo" com diversas configurações.

Nos exercícios mais simples, uma camarata atacava a outra de surpresa, mas havia configurações mais complexas, com emboscadas, ou configurações mais desiguais, com ataques entre diferentes companhias.

O saldo dos exercícios caracterizava-se geralmente por tonturas causadas pelo acordar súbito e pelo impacto das almofadas, mas também por uma enorme quantidade do novas histórias "épicas" para contar.

Ao lado apresenta-se uma versão editada da fotografia, para que se possa verificar que toda a camarata estava tranformada num "campo de batalha"...

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domingo, maio 07, 2006

O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Introdução)

Há dias em que um homem se sente forte, seguro e descontraído, e nos quais as coisas lhe correm melhor do que esperava. Por vezes, atinge resultados que ficam a uma distância muito pequena de uma meta importante, ficando a interrogar-se sobre o que poderia ter acontecido se estivesse um bocado mais focado no atingimento de objectivos...

Esta série é sobre um dia desses na vida de um homem.

Continua em O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Parte I).

sexta-feira, maio 05, 2006

Gratidão (Parte I)

Todos nós tivemos ao longo da nossa vida influências que moldaram (formaram/deformaram) o nosso carácter e que fizeram de nós o que somos hoje.

Para avaliarmos a importância dessas influências é preciso tempo (*), pois só o passar dos anos faz sedimentar as experiências irrelevantes e sobressair as relevantes, e memória, pois as experiências mais relevantes podem ter ocorrido em tempos remotos.

A volatilidade da nossa memória faz-nos perder a noção de algumas influências fundamentais que certamente tivémos quando eramos crianças, e que não conseguimos materializar de forma objectiva: professores(as) primários(as), família alargada, etc.

Depois, há as influências que tivémos mas não queremos ou não somos capazes de reconhecer. Há filhos que, na adolescência, têm conflitos com os pais, para depois serem iguais a estes (embora quase nunca o reconheçam...).

Finalmente, há as influências que reconhecemos e das quais nos orgulhamos.

Identificadas as influências positivas, há duas posições possíveis: a gratidão "passiva" e a gratidão "activa".

A gratidão "passiva" é a mais frequente. Estamos gratos a uma pessoa mas guardamos para nós essa gratidão, por vergonha, falta de tempo, falta de oportunidade, ou por acharmos que é irrelevante para a outra pessoa, e só quando a pessoa desaparece do nosso convívio é que lamentamos nunca lhe ter dito o quanto a sua influência foi importante para nós.

A gratidão "activa" dignifica-nos e "humaniza-nos", e é muito importante para o destinatário. Se ainda estiver no activo, reforça a sua acção educativa; se já estiver na reforma, constitui um reforço positivo para uma fase em que por vezes se fazem análises do género "Será que fiz bem? Será que fiz tudo o que podia ter feito? Será que exagerei nesta ou naquela atitude?".

Recentemente arranjei tempo, criei uma oportunidade, perdi a vergonha, e disse a um dos meus educadores que ele tinha tido uma grande importância na minha educação. Custou menos do que eu esperava, e o resultado foi muito positivo. Recomendo.

Continua em A Gratidão (Parte II).

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(*) Pelo menos 20 anos...

quinta-feira, maio 04, 2006

Resumo de Março e Abril de 2006

Este "post" faz o resumo da actividade do "blog" em Março e Abril de 2006.

Neste período há a destacar duas polémicas interessantes: uma esperada/provocada - Um Homem Não Chora(va) - e outra inesperada - Os Jantares de Curso.

No tema Histórias do Meu Tempo de Colégio, há a destacar a finalização da série As Elites da Elite, a apresentação da série A Técnica do Arantes e uma Edição Especial da série L. A. C. - Liga Anti-Cavalo.

No tema Memórias do Baú, para além das habituais Requisições e Redacções, há a destacar as memórias sobre a Abertura Solene, a "Mocada" e o "Enxoval".

Se preferirem, podem iniciar a exploração pela página inicial.

Agradeço comentários/sugestões.

quarta-feira, maio 03, 2006

Memórias do Baú XLVI - As Requisições


Um dos raros alunos que acerta na cor da requisição para o material não-escolar!...

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segunda-feira, maio 01, 2006

Memórias do Baú XLV - A "Mocada"


"Chaminhas", o Defenestrado (*)

Reza a história que em 1 de Dezembro de 1640, no assalto dos conjurados ao Palácio da Ribeira (no Terreiro do Paço), o traidor Miguel de Vasconcelos foi encontrado escondido num armário e foi lançado pela janela.

A nossa reconstituição história, em vez do habitual boneco feito com almofadas, contou com o "Chaminhas" (475/77) no papel de Miguel de Vasconcelos, que saltou de forma decidida da varanda dos Claustros.

Consta que a "aterragem" do Miguel de Vasconcelos não terá sido tão suave como a do nosso camarada... ;-)

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(*) Defenestrar: lançar violentamente de uma janela ou varanda para a rua.

sexta-feira, abril 28, 2006

Graduações 1984/85: "Post-mortem" (Parte IV - O "Pai Natal")

Continuação de Graduações 1984/85: "Post-mortem" (Parte III).

Em 1984/85, foi significativo o número de graduados que sairam do Colégio ao longo do ano lectivo - só no 1º período sairam sete -, e um dos que saiu, poucas semanas após o início do ano lectivo, foi o comandante do 2º pelotão da 1ª Companhia.

Dado o carácter prematuro da saída e a importância da estabilidade no enquadramento dos alunos do 1º ano, esperava-se uma substituição rápida, mas os dias transformaram-se em semanas, e as semanas em meses...

Só quando saiu um comandante de pelotão de outra Companhia (4ª) é que o Comandante do Corpo de Alunos "acordou" para a situação e pediu um nome para a substituição. Após as inevitáveis "negociações de bastidores", coube-me a honra de ser o escolhido para ocupar o lugar.

Assim, no último dia de aulas do 1º período, já com as Companhias formadas "de pano" e prontas para sair para férias, eu e o Capela (255/76) fomos chamados ao gabinete do Comandante do Corpo de Alunos para uma cerimónia de graduação patética e feita à pressa (do género "tomem lá e felicidades"...).

Quando voltei à Companhia, já os alunos estavam a tirar os cartões e a sair, e eu fiz o mesmo. Depois das férias, em Janeiro, trazia na farda mais uma estrela - um presente do "Pai Natal".

O meu ego ficou mais "composto", como se pode depreender do que escrevi sobre as graduações e dos comentários do(s) anonymous (que saudades...), mas esta mudança teve um outro efeito positivo: como mudei do 1º para o 2º pelotão, isto deu-me a oportunidade de lidar de perto com todos os alunos do 1º ano. Às vezes mais "de perto" do que eles gostariam, mas sempre dentro da lei, e (espero que) dentro da prática colegial da altura... ;-)

(continua)

quarta-feira, abril 26, 2006

Memórias do Baú XLIV - A "Mocada"

O Discurso

O discurso da "Mocada" seguiu o "menu" habitual: um tom jocoso, com referências mais ou menos óbvias a Professores e Oficiais.

Não era, do ponto de vista literário, nada de que nos pudessemos orgulhar, mas serviu para "desenrascar"...

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segunda-feira, abril 17, 2006

Memórias do Baú XLIII - Os "Ratas" - O "Feinho"

O 278 ocupava a primeira cama à entrada da camarata, posição que ocupei também no 1º ano (embora do lado oposto), e que sei que pode ser ingrata...

Era o primeiro a ser atacado nas "almofadadas" e a primeira cama a "ir ao poço" sempre que a tradição o justificava; mas também era o que tinha que percorrer menos espaço até à formatura, ganhando uns preciosos segundos na contagem "uma, uma e meia, duas, duas e meia, duas e três quartos...".

Uma das consequências naturais da posição era também uma maior interacção com os graduados, e foi numa dessas interacções (provavelmente a seguir a uma aula de ginástica, quando protestava pelo facto de as suas costas serem usadas para aquecer as mãos geladas dos graduados que tinham acabado de chegar para o intervalo do reforço) que o 278 ficou a saber a opinião do Santos sobre a sua fisionomia, e passou a ostentar a alcunha de "Feinho".

O 278 entretanto cresceu, e alcunha foi, por esse motivo, actualizada para "Feio". Perdeu alguma mística, porque se tornou mais óbvia, mas como é que o Santos ia adivinhar que isso ia acontecer?... ;-)

Fotografados: 278/84, 288/84, 22/84.

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sexta-feira, abril 14, 2006

A "Tecnica do Arantes" (Parte II)

Continuação de A "Técnica do Arantes" (Parte I).

O segredo da "Técnica do Arantes", mais do que numa sábia gestão de esforço, assentava numa demonstração de ilusionismo digna do grande Mestre Houdini.

O Arantes dava o máximo até ao topo da "Escada Chinesa" e depois deixava-se cair, ficando estendido no chão. O "Arantes" que arrancava "como uma flecha" rumo ao final da prova era o Pestana (288/77), um dos alunos mais rápidos do curso.

Toda esta "ilusão" era ocultada do "público" pelas sebes e pelo facto de a prova terminar numa descida abrupta para fora do alcance da vista de quem, como o instrutor - o Major Fernandes -, se encontrava no início da pista.

A diferença de ritmos de corrida naquela fase da prova era tão evidente, quer entre o Arantes de antes e de depois da "Escada Chinesa", quer entre o Arantes e os outros camaradas, que esperávamos que a qualquer momento a ilusão fosse descoberta. No entanto, esta técnica foi usada várias vezes, sempre com sucesso e rasgados elogios por parte do Major, que incentivava os restantes alunos a utilizarem-na.

Foi preciso esperar alguns anos para que uns "nabos" de um curso mais novo se deixassem apanhar, porque não verificaram que no campo de obstáculos estava um oficial a montar a cavalo... e a ver tudo o que se passava do outro lado do "palco"! ;-)

quarta-feira, abril 12, 2006

Memórias do Baú XLII - O "Enxoval" (Parte V)

Continuação de Memórias do Baú XXXVII - O "Enxoval" (Parte IV).


Sapatos de Ginástica

Alpercata: substantivo feminino.

Calçado grosseiro de lona, assente sobre corda ou borracha, que se prende ao pé por tiras de couro ou de pano; alparca; alparcata; alpargata; alpergata.


Os sapatos de ginástica, dos quais havia dois pares, eram designados por qualquer das formas indicadas acima ou, simplesmente, por "sapatilhas".

O primeiro par era destinado à ginástica, onde se mantinham geralmente brancas e em bom estado de conservação. Normalmente eram "abatidas" porque deixavam de servir.

O segundo par era destinado ao desporto e ao atletismo, onde, apesar de serem completamente desaconselhadas, eram verdadeiras "sapatihas todo-o-terreno". Serviam para correr na pista enlameada, jogar futebol, saltar em comprimento, etc. Ficavam rapidamente castanhas, mas aguentavam muitas vezes um ano inteiro de "abusos". Quando "rebentavam", era geralmente na parte da frente, na ligação do tecido à borracha, ou então na costura traseira (quando estavam muito apertadas).

Quando, por qualquer azar, era o par da ginástica que cedia, a solução temporária passava por pintar o outro par com giz branco, fazendo-o assim passar por "imaculado". Uma solução patética, mas que "desenrascava".

A meio do curso, o "enxoval" passou a ter uns ténis para desporto e atletismo. De design, conforto e durabilidade questionáveis, sempre pareciam mais adaptados às necessidades da prática desportiva.

Duas memórias:

1) Chutar uma bola de futebol com as sapatihas de ginástica era quase como chutar descalço; para a dor que provocava, era bom que fosse golo... ;-)

2) No fim do ano lectivo, já com as sapatilhas no limite do aperto, fazia-se um último esforço para evitar comprar outras antes do início do ano lectivo seguinte. Nessas alturas, "comprimiamos" os pés dentro das sapatihas, na melhor tradição chinesa, o que tornava doloroso o simples acto de andar...

(continua)

segunda-feira, abril 10, 2006

Memórias do Baú XLI - A "Mocada"


Em 1984, a honra de ler o discurso de vitória dos Portugueses na "Mocada" coube a dois "sorjas" da 1ª. O que terá justificado tamanha distinção?

O mês de Novembro aproximava-se do fim, e a data da "Mocada" estava cada vez mais próxima. Como é habitual em situações em que não há liderança, as coisas vão andando, até que alguém, quase no fim do prazo, "salta para a frente" e as coisas acontecem. Nem sempre da melhor forma, porque o tempo de preparação é um factor importante, mas acontecem.

Um desses "alguéns" era o Rosa (339/78), que saltou para "puxar a carroça" em vários momentos decisivos ao longo do curso.

Já em plena semana da "Mocada", o Rosa chamou a si a responsabilidade de escrever o discurso, tendo-me pedido ajuda nesta tarefa. Sendo a "Mocada" na 6ª feira, combinámos que ele escreveria uma primeira versão na 4ª feira à tarde, em casa, e que na 5ª feira à noite daríamos os retoques finais e integraríamos as minhas sugestões.

Na 5ª feira de manhã o Rosa ficou doente em casa. Através do seu vizinho "Rodinhas" (79/77), enviou um esboço do discurso, eventualmente mais esboço do que ele próprio gostaria que fosse.

Até 6ª feira à hora da "Mocada", foi uma "corrida contra o tempo" para escrever um discurso que, ainda que não "arrasasse", pelo menos não nos envergonhasse... Pedi ajuda ao "Kika" (467/77), que trabalhou comigo no discurso e o ajudou a passar a limpo. Tradicionalmente o discurso era escrito em papel higiénico, mas no nosso caso mal houve tempo para o escrever em papel normal, quanto mais em papel higiénico.

Quando chegou a "hora da verdade" e o "leitor de serviço" avançou, rapidamente se concluiu que os únicos capazes de ler o discurso com a fluência necessária eram os que o tinham escrito. E assim foi.

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sexta-feira, abril 07, 2006

A "Tecnica do Arantes" (Parte I)

Continuação de A "Técnica do Arantes" (Introdução).

No início da década de 80, foi construída no Colégio uma "pista de combate" para complementar a formação do Curso Geral de Milicianos (CGM) que era ministrada nos últimos anos do curso.

O início da pista era no topo Oeste do campo de futebol, junto à estrada que sobe do Pavilhão de Ciências para o Ginásio; a pista seguia depois paralela ao campo de futebol, entre a pista de atletismo e as bancadas, e fazia uma curva a acompanhar a pista de atletismo, passando por trás das sebes, e indo acabar na estrada que passa atrás do refeitório.

A "pista de combate" tinha pouco mais de uma dezena de obstáculos, após o que se seguia uma corrida de cerca de 30 metros, terminando numa descida abrupta até à estrada que passa atrás do refeitório.

O último obstáculo era um dos mais "indesejados": a "Escada Chinesa". A "Escada Chinesa" era constituída por quatro troncos afastados e com uma altura crescente, que eram subidos em corrida (quanto mais devagar, mais difícil era subi-los), após o que se saltava para o chão e se seguia até ao final.

O problema é que, sendo o último obstáculo, os alunos já lá chegavam completamente "rotos", e ainda tinham que ter cuidado para subirem sem cair nem perder a velocidade, para depois saltarem para o chão (leia-se caírem como um "saco de batatas"), levantarem-se, e correrem até ao final.

A essência da "Técnica do Arantes" era a gestão do esforço. Em vez de dar tudo o que tinha e "arrastar-se" na fase final, o Arantes poupava ao longo dos obstáculos a energia necessária para um "sprint" vigoroso desde o salto da "Escada Chinesa" até ao final.

"Arrancou que nem uma flecha!", dizia o Major Fernandes com admiração, encorajando-nos a usar a "Técnica do Arantes".

Mas a "Técnica do Arantes" tinha os seus segredos...

Continua em A "Técnica do Arantes" (Parte II).

quarta-feira, abril 05, 2006

Memórias do Baú XL - As Redacções


Autor: 142/84, o "Baldas" (alcunha "by Santos").

À medida que vou publicando as redacções, vou-me apercebendo de que há uns graduados que são mais "visados" do que outros.

A esta distância, não consigo dizer se a escolha do "retratado" era da minha responsabilidade, ou se ficava ao critério do autor. De qualquer forma, esta questão é irrelevante, pois calculo que qualquer das opções conduziria ao mesmo resultado... ;-)

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segunda-feira, abril 03, 2006

Memórias do Baú XXXIX - Os "Ratas" - O "Migalha"

O "Migalha" era o "Batalhãozinho" do curso de 1984/85. "Dois palmos de gente", mas uma atitude muito "reguila"...

Talvez por isso, foi um dos primeiros a beneficiar da "máquina de alcunhas" que era o Santos (207/78, *** 1ª), que colocou aos "ratas" algumas alcunhas que ficaram para a posteridade.

Assim, numa troca de argumentos em que o "Batalhãozinho" se terá tentado colocar "em bicos de pés" (não é que adiantasse alguma coisa...), o Santos brincou com a altura dele e disse-lhe "olha para ti, és minúsculo, és insignificante, és uma migalha!". E ficou o "Migalha".

O "Migalha" acabou por não chegar ao fim do curso (parece ser uma "sina" que atinge a quase totalidade dos "Batalhãozinhos"), e acabei por lhe "perder o rasto".

Presumo que esteja mais alto. ;-)

Fotografados: 288/84, 262/84, 30/84, 22/84.

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domingo, abril 02, 2006

A "Tecnica do Arantes" (Introdução)

O Arantes (522/77) tinha uma das melhores notas a Instrução Militar (só suplantado por dois alunos do 4º grupo...), e era um dos "campeões" de medalhas de Aptidão Militar e Física.

Para atingir esses objectivos era preciso muito esforço, muita dedicação e... muita técnica.

Esta série debruçar-se-á sobre a técnica que ele desenvolveu, e que ficou conhecida como a "Técnica do Arantes".

Continua em A "Técnica do Arantes" (Parte I).