Todos nós tivemos ao longo da nossa vida influências que moldaram (formaram/deformaram) o nosso carácter e que fizeram de nós o que somos hoje.
Para avaliarmos a importância dessas influências é preciso tempo (*), pois só o passar dos anos faz sedimentar as experiências irrelevantes e sobressair as relevantes, e memória, pois as experiências mais relevantes podem ter ocorrido em tempos remotos.
A volatilidade da nossa memória faz-nos perder a noção de algumas influências fundamentais que certamente tivémos quando eramos crianças, e que não conseguimos materializar de forma objectiva: professores(as) primários(as), família alargada, etc.
Depois, há as influências que tivémos mas não queremos ou não somos capazes de reconhecer. Há filhos que, na adolescência, têm conflitos com os pais, para depois serem iguais a estes (embora quase nunca o reconheçam...).
Finalmente, há as influências que reconhecemos e das quais nos orgulhamos.
Identificadas as influências positivas, há duas posições possíveis: a gratidão "passiva" e a gratidão "activa".
A gratidão "passiva" é a mais frequente. Estamos gratos a uma pessoa mas guardamos para nós essa gratidão, por vergonha, falta de tempo, falta de oportunidade, ou por acharmos que é irrelevante para a outra pessoa, e só quando a pessoa desaparece do nosso convívio é que lamentamos nunca lhe ter dito o quanto a sua influência foi importante para nós.
A gratidão "activa" dignifica-nos e "humaniza-nos", e é muito importante para o destinatário. Se ainda estiver no activo, reforça a sua acção educativa; se já estiver na reforma, constitui um reforço positivo para uma fase em que por vezes se fazem análises do género "Será que fiz bem? Será que fiz tudo o que podia ter feito? Será que exagerei nesta ou naquela atitude?".
Recentemente arranjei tempo, criei uma oportunidade, perdi a vergonha, e disse a um dos meus educadores que ele tinha tido uma grande importância na minha educação. Custou menos do que eu esperava, e o resultado foi muito positivo. Recomendo.
Continua em A Gratidão (Parte II).
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(*) Pelo menos 20 anos...