sexta-feira, junho 23, 2006

A "Cama à Espanhola"

A "Cama à Espanhola" foi responsável pelo meu primeiro "trauma" no Colégio.

Na minha primeira noite no Colégio, cheguei à camarata ainda com a lágrima ao canto do olho por causa da despedida dos meus pais, e descobri que alguém tinha mexido na minha cama e a tinha colocado numa configuração estranha que mais tarde fiquei a saber que se designava por "Cama à Espanhola".

Percebi também mais tarde que quem quer que tenha feito o "serviço" não percebia nada do assunto, porque me tirou um dos lençóis, que só apareceu ao fim de alguns dias.

Dediquei-me então a investigar técnicas de fazer a "Cama à Espanhola" que fossem rápidas de executar (aproveitando apenas uma brevíssima ausência do "proprietário" da cama) e que não prejudicassem desnecessariamente o "destinatário".

Apresento de seguida a tecnica mais rápida (tempo inferior a um minuto).

Uma "Cama à Espanhola" "em 3 Tempos"

1 - Rodar o colchão.


2 - Puxar os cobertores ligeiramente para baixo, colocando a parte de cima ao nível em que estava originalmente.

3 - Dobrar o lençol para cima sensivelmente a meio e fazer a dobra característica do lençol de cima (com o mesmo tamanho da dobra original).


Nota: Para não levantar suspeitas, é necessário deixar a cama com o mesmo ar desarrumado com que estava originalmente.

quarta-feira, junho 21, 2006

Memória do Baú LVIII - As Redacções

Aqui está o exemplo de um jovem que parece mais preocupado com factos do que com teorias.

Vê-se já aqui, pela forma como descreve objectiva e desapaixonadamente o "recheio" da companhia, uma amostra das características que iriam determinar a escolha da sua actividade profissional(*)... ;-)


Autor: 256/84.

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(*) Sector Segurador.

segunda-feira, junho 19, 2006

Memórias do Baú LVII - "Almofadadas" e Outros "Granéis"


A fotografia "analógica" tem destes problemas: estamos nós convencidos de que capturámos o momento "para a posteridade", mas na realidade "falhámos a pontaria"...

Este momento mostra a entrada em campo de um elemento não identificado que veio lançar a confusão num jogo até aí muito organizado... ;-)

Não se consegue perceber por qual das equipas é que este elemento jogava, mas provavelmente seria por... nenhuma delas.

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sexta-feira, junho 16, 2006

A "Guerra das Turmas" (Parte I)

Em 1977/78, o primeiro ano tinha 72 alunos, divididos por 3 turmas.

A Turma A tinha os alunos que tinham escolhido Francês (22), e os restantes estavam divididos de igual forma pelas Turmas B e C (25 em cada Turma).

A distribuição dos alunos entre as Turmas B e C foi feita de forma administrativa, ou seja, a metade com os números mais baixos ficou na Turma B, e a metade com os números mais altos ficou na Turma C.

De uma divisão utilizando estes critérios simples esperar-se-ia alguma homogeneidade no comportamento e no aproveitamento escolar. Nada mais errado!

O comportamento da Turma B era, em média, bastante melhor do que o da Turma C, o mesmo se podendo dizer do aproveitamento escolar. Era como se a divisão entre as turmas de Inglês tivesse sido feita de forma propositada, deixando os "marrões" de um lado e os "baldas" do outro. A turma A tinha um comportamento na média, mas um aproveitamento inferior à média.

Na Turma B havia competição em cada aula e em cada teste. O ambiente da entrega de cada teste era o de um filme de "suspense", em que a "audiência" aguardava de forma expectante para saber qual dos "suspeitos do costume" tinha a melhor nota, ou se havia algum "outsider" a intrometer-se na "luta". Já nas outras turmas reinava a descontracção ou, no caso da Turma C, até algum "orgulho" em ser mediano: havia alunos para os quais uma nota boa seria uma "nódoa" no seu "curriculum"... ;-)

Continua em A "Guerra das Turmas" (Parte II).

quarta-feira, junho 14, 2006

Memórias do Baú LVI - As Redacções

Um tema recorrente, a mesma "ignorância Bíblica" (como diria o Semita)... ;-)




Autor: 38/84.

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terça-feira, junho 13, 2006

Os Comentários

O modelo usado pelo "Blogger" (serviço onde está "alojado" este "blog") para gerir os comentários é bastante "primitivo", uma vez que (1) obriga cada pessoa a voltar frequentemente a um "post" para perceber se houve comentários aos seus comentários , e (2) não informa os visitantes sobre comentários feitos por visitantes "atrasados" a "posts" publicados há muito tempo.

Foi assim que o "mundo" ficou alheio aos comentários do Fózi (401/77), que, por terem sido escritos alguns meses depois de publicados os respectivos "posts", não foram lidos senão por mim...

Depois de muita "investigação", acabei por arranjar uma solução que, embora necessite de algumas "marteladas", permite que os comentários apareçam num "blog" complementar, onde poderão ser consultados por ordem inversa da chegada, ou seja, com os mais recentes em primeiro lugar. A partir de cada comentário é possível aceder ao "post" a que este diz respeito.

Desta forma, qualquer comentário que o Fózi faça a um "post" de Novembro de 2005 poderá ser lido (e respondido) por todos os visitantes.

Para acederem aos comentários, poderão utilizar o "link" na barra ao lado, ou então clicar aqui.

segunda-feira, junho 12, 2006

Memórias do Baú LV - "Almofadadas" e Outros "Granéis"


Bola ao ar para o início de uma nova jogada...

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sexta-feira, junho 09, 2006

O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte III)

Continuação de O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte II).

Curiosidade nº 2

Pergunta: Onde está a medalha de Aplicação Literária do 8º ano?

Resposta: Não está.

O que fazer quando os factos colidem com a lógica?

Factos: (1) A medalha não está na fotografia, e não me parece que este fosse o tipo de aluno de "esquecê-la em casa"... ;-) (2) A listagem de medalhas da "História do Colégio Militar" também não tem referência a esta medalha ter sido conquistada pelo Caetano.

Lógica: Um aluno que, na vertente de Aplicação Literária, ganhou a medalha de Prata no 1º ano para "aquecer os motores", e depois ganhou seis medalhas de Ouro seguidas, chega ao último ano e não ganha sequer a medalha de Prata? Se a isso acrescentarmos o facto de ser Comandante de Batalhão, de ter ganho todas as medalhas anteriores e, devido a estes factos, ter certamente toda a gente a "puxar" por ele (como se precisasse...), toda a lógica aponta para um resultado inevitável, e no entanto...

Será que o Caetano se "desleixou" no último ano? Ou será que a "armadilha" montada uns anos antes acabou por "apanhar" quem a Direcção menos gostaria que fosse apanhado? Estava toda a gente distraída?

A ser verdade - e eu persisto no alinhamento pela lógica - foi uma injustiça e uma vergonha que o Colégio tratasse desta forma um dos seus melhores alunos.

Continua em O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte IV).

quarta-feira, junho 07, 2006

Memórias do Baú LIV - As Redacções


Autor: 250/84.

Mais um depoimento que confirma a capacidade do "Fru-fru" deixar "impressões duradouras"... ;-)

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segunda-feira, junho 05, 2006

Memórias do Baú LIII - Os "Ratas" - O Covas


Os graduados, mesmo que procurem tratar da mesma forma todos os camaradas que enquadram, acabam por ter relações mais privilegiadas com um conjunto restrito, em função da "proximidade geográfica" na camarata, da mesa do refeitório, da semelhança de feitios, etc.

Alguns graduados (espero não ter sido um deles...) exageram, e formam verdadeiras "castas" entre os camaradas mais novos, tratando um conjunto de "privilegiados" de uma forma radicalmente diferente (nem sempre melhor...) do que os restantes.

O Covas era um "puto" em relação ao qual eu sentia algumas semelhanças em termos de feitio, pelo menos em termos do feitio que eu achava que tinha com a idade dele. Nessa idade, eu mantinha uma “saudável” distância em relação aos graduados, o que ele fez comigo, nunca me dando grande “confiança”... ;-)

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sexta-feira, junho 02, 2006

O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte II)

Continuação de O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte I).

Curiosidade nº 1

Pergunta: De que ano é esta medalha?

Resposta: 8º.

As medalhas conquistadas num determinado ano lectivo só se recebem no início do ano lectivo seguinte, na cerimónia de Abertura Solene. Sendo assim, as medalhas do 8º ano recebem-se já depois de se ter sido abatido ao Batalhão Colegial, ou seja, já "à civil".

Não é, portanto, possível tirar uma fotografia enquanto aluno e com medalhas do 8º ano.

Não sei se é tradição fazer isto com os Comandantes de Batalhão, na sua fotografia para a respectiva galeria; em todo o caso, compreender-se-ia se esta situação fosse uma excepção para um aluno excepcional, para deixar uma imagem que "esmagasse" o observador com o número de medalhas... o que tornaria ainda mais curiosa (e incompreensível) a próxima curiosidade.

Continua em O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte III).

quarta-feira, maio 31, 2006

Memórias do Baú LII - Os "Ratas" - O "Lamego"

O "Lamego" era um "rata"... diferente.

Era da "província" (Lamego), numa altura em que a diferença cultural era muito mais forte do que é hoje. Tinha uma voz alta e aguda, e falava sem parar (até nos enervar...), usando a 2ª pessoa do plural tal como vem na gramática: "Pensasteis que eu escondia a 'bolama' ai?".

Rapidamente houve quem, fazendo um "jogo de palavras" com a sua terra de origem, lhe colocasse a alcunha de "labrego", que foi prontamente desencorajada pelos graduados, por nos parecer tão... real.

O "Lamego", com o seu comportamento "espalhafatoso" e às vezes enervante, apenas procurava o "tempo de antena" que não tinha em casa, por ser um dos alunos que só ia a casa nas férias. Não consigo sequer imaginar o que isto significa para um miúdo de 10 anos...

Talvez por nunca ter o "stress" de limpar os botões para sair ao Sábado, o "Lamego" começou a voluntariar-se para limpar os meus, tendo posteriormente (sempre em regime de voluntariado) alargado a sua responsabilidade a todo o meu fardamento.

No "3 de Março", veio a recompensa: uma espada colocada à sua exclusiva responsabilidade!...

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segunda-feira, maio 29, 2006

Memórias do Baú LI - "Almofadadas" e Outros "Granéis"


No fim de cada período escolar havia um conjunto de actividades que visavam descontrair os alunos, após alguns meses de esforço escolar e de disciplina militar.

Para além das tradicionais "almofadadas", outra das actividades desenvolvidas eram os jogos de "brutebol", espécie de rugby só com formações (des)ordenadas, em que o objectivo era fazer chegar a bola ao "alvo" do adversário (no ginásio era um colchão, no geral da Companhia eram as balizas feitas com os caixotes do lixo) por todos os meios possíveis e imaginários.

O número de elementos de cada equipa dependia dos camaradas disponíveis - quantos mais, melhor - e a "ciência" para "sobreviver" ao jogo passava essencialmente por empurrar o portador da bola (ou a zona onde se suponha que este estaria) sem se deixar envolver numa "molhada" e ser pisado e/ou esmagado por dezenas de camaradas.

Como desafio, fica a sugestão aos leitores de tentarem descobrir onde é que está a bola... ;-)

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sexta-feira, maio 26, 2006

O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte I)

Continuação de O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Introdução).

Dos Comandantes de Batalhão que tive, o 641/74 (Alves Caetano) é aquele de quem guardo a imagem mais positiva.

Era um aluno excepcional, quer na componente literária, quer na militar e física, e a "atestá-lo" tinha uma "molhada" de medalhas, em número muito superior ao que o nosso cérebro é capaz de contar com um olhar.

Quando vi a fotografia anexa na "História do Colégio Militar", que o classifica como "o até hoje mais medalhado dos Colegiais", resolvi contá-las.

17. 17! Dezassete? Mas o número máximo de medalhas que era possível alguém ganhar era de 16 - ou, pelo menos, era essa a ideia que eu tinha.

Analisando a fotografia em detalhe, descobri 3 curiosidades, que vou partilhar com os leitores.

Continua em O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte II).

quarta-feira, maio 24, 2006

Memórias do Baú L - As Redacções


Autor: 114/84.

Mais um momento cultural!

Neste caso, temos a (até agora desconhecida) história de "Lourence" da Arábia.

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segunda-feira, maio 22, 2006

Memórias do Baú XLIX - "Almofadadas" e Outros "Granéis"


Aqui temos um verdadeiro "guerreiro": o 30/84 (à direita). Uma vez atacado, saltou da cama e combateu os "invasores" até à exaustão.

É tal o empenho, que até o "invasor" parece estar a dizer "não me batas mais!"...

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domingo, maio 21, 2006

O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Introdução)

Devia haver no Colégio uma galeria de “alunos ilustres”, com os alunos mais medalhados de sempre. Para além de uma (justa) homenagem, seria uma forma de “inspirar” os alunos do presente a lutarem pela excelência.

Dado que o número máximo de medalhas tem variado ao longo dos tempos, a forma mais justa de seleccionar os alunos para a galeria seria dividindo o número de medalhas que ganharam pelo número máximo de medalhas que era possível ganhar na sua época, calculando assim uma percentagem.

Embora haja ao longo da história do Colégio vários alunos que ganharam 100% do número máximo de medalhas que era possível ganhar na sua época, o topo da lista seria ocupado por um aluno que ganhou 106,25% do número máximo de medalhas para a sua época, ou seja, ganhou mais medalhas do que o máximo teórico.

Esta série é sobre esta "curiosidade colegial".

Continua em O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas (Parte I).

sexta-feira, maio 19, 2006

O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Parte II)

Continuação de O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Parte I).

Na semana seguinte fui "intimado" a apresentar-me no gabinete do "Panzer".

O "Panzer" era um tenente ex-aluno, que tinha fama de ter sido um "duro" enquanto aluno, e que gostava de manter essa fama enquanto oficial.

Apesar de tudo, sempre achei que de "duro" ele só tinha a fama; o que ele não gostava (quem gosta?) era de ser "toureado" pelos alunos, e havia alguma tendência da malta em abusar só porque ele era ex-aluno.

Por motivos que nunca entendi - não era certamente pelas marcas que alcançava na pista de combate - tinha sempre boas notas a Instrução Militar, e acho que essa decisão passava também pelo "Panzer". Por isso, senti-o com um misto de satisfação por ir "entalar" mais um "malandro", e de insatisfação por ser este "malandro". É que o "Panzer" sabia perfeitamente que o Major era um bocado ingénuo na relação com os alunos, e que era natural que estes usassem alguns esquemas para o enganar. Mas um engano destes, era evidente demais...

- "Explica-me lá como é que fizeste este tempo." - perguntou-me.

- "Não fiz." - respondi.

Preciso de explicar que, na altura, eu gostava bastante de utilizar a ironia, ainda que correndo o risco de esta não ser apreciada. Por isso, achei que era melhor fornecer as informações "a saca-rolhas" do que começar logo a "desbobinar" a história toda.

- "Então como é que explicas isto?"

- "Foi um engano do Major."

- "E porque é que não lhe chamaste à atenção?"

- "Chamei, mas ele confirmou que eu ia muito bem e que, se tivesse usado a 'Técnica do Arantes' tinha batido o 'record' do Colégio."

O "Panzer" teve que se agarrar ao bigode e fazer um esforço enorme para não se "partir a rir" à minha frente, ao imaginar o Major a explicar a um "perneta" como eu que se me tivesse esforçado tinha batido o "record" do Colégio. É que era preciso ser mesmo muito distraído...

Depois de uma pausa para se recompor, olhou para mim com um ar sério e disse:

- "Obrigado. Podes ir."

Não sei se fiquei para a posteridade como um dos melhores a fazer a pista de combate. O que é um facto é que a nota ao fim do período não reflectiu a extraordinária melhoria na performance.

quarta-feira, maio 17, 2006

100 Comentários

Este é o "post" nº 100 do "blog".

O "blog" começou por ser um veículo para publicar algumas fotografias que eu tirei nos tempos do Colégio e que pensei que, por serem raras, teriam algum interesse (pelo menos para os "visados").

No dia 15 de Dezembro, eu escrevia: "Hoje, dezena e meia de 'posts' depois, já percebi o que é um 'blog' e já percebi o que quero fazer com o meu: não quero divagar sobre os meus 'estados de alma' ou dar opiniões inflamadas e/ou subjectivas sobre o futuro da humanidade ou até mesmo o do Colégio; quero essencialmente partilhar uma série de memórias em suporte físico – fotografias, etc – e recordar algumas histórias engraçadas dos tempos do Colégio."

Duplo engano. Não só as fotografias não despertaram uma onda de curiosidade e comentários, nem da parte dos "visados", como eu acabei (por isso mesmo) por acrescentar comentários subjectivos sobre alguns aspectos do Colégio.

Quanto aos comentários aos meus comentários, houve poucos e tímidos. Não só ninguém publica as suas "memórias" - parecemos todos o Museu do Colégio: cheio de História, mas nem no "3 de Março" está aberto para ser visitado pelos ex-alunos - como ninguém comenta as memórias dos outros. Ninguém tem sequer tempo para ler as memórias dos outros, quanto mais comentá-las.

Houve alguns comentários interessantes, em especial por parte de anónimos, que tiveram o mérito de causar alguma polémica e "inflamação", mas assim que estes deixaram de comentar, a coisa estagnou. Aliás, mesmo ao nível de outros "blogs" e das "mailing lists", a generalidade das pessoas só se manifesta para sufocar as polémicas. "Prejudicam a imagem do Colégio", dizem. Como se o silêncio não fosse pior.

No fim de contas, esta é apenas mais uma consequência do alheamento que a generalidade dos ex-alunos mantém em relação ao Colégio. Poucos são sócios da AAACM, menos vão ao 3 de Março, e menos ainda se envolvem em actividades relacionadas com o Colégio. O investimento que o Colégio fez em nós, devolvemo-lo à sociedade, certamente com uma rentabilidade "fantástica", mas não nos sobra nem um bocadinho para o próprio Colégio.

segunda-feira, maio 15, 2006

Memórias do Baú XLVIII - "Almofadadas" e Outros "Granéis"


Um ataque de "almofadada" é uma aula de Ciências Humanas e Sociais. Ao observarmos as reacções de um camarada, podemos tirar muitas conclusões sobre a sua maneira de ser como indivíduo e como elemento de um grupo.

No "post" anterior desta série vimos camaradas que, apesar de a camarata estar toda em alvoroço, continuavam na cama como se não fosse nada com eles. É um "clássico" que todos os dias vemos repetido, quer na nossa vida profissional, quer na pessoal.

O "post" de hoje apresenta outro "clássico": a redução da acção à defesa do espaço pessoal, até que o ataque termine. Não há aqui qualquer intenção de rechaçar o inimigo, mas sim simplesmente a de sobreviver.

Gestores, sigam o meu conselho: organizem uma sessão de "almofadada" entre os candidatos a uma posição na vossa empresa, e rapidamente perceberão quem devem contratar.

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sexta-feira, maio 12, 2006

O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Parte I)

Continuação de O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Introdução).

Lá estava eu na linha de partida para mais uma prova na pista de combate.

Não era uma coisa que me desagradasse particularmente, mas também não me dava grande prazer, por isso limitava-me a cumprir com um esforço moderado, sem demonstrar desinteresse, mas sabendo à partida que era um forte candidato a um dos 20% piores tempos.

O "record" da pista de combate era ligeiramente inferior a 1 minuto, ao qual eu acrescentava normalmente 25 a 30 segundos.

Iniciei a minha prova, fiz a minha secção favorita - paliçada, muro, vala e "mergulho" para passar por baixo dos arames - e lá segui com a minha obrigação. Depois da corrida até ao final, regressei "pachorrentamente" até ao local (perto do inicio) em que se encontrava o Major Fernandes, com um cronómetro em cada mão, a dar as ordens de partida.

Espreitei por cima do ombro do Major, e nem queria acreditar no tempo que estava registado.

- Um minuto???!!!! (*)

- Ah Chagas, já chegaste... ias muito bem, muito bem! - disse o Major, não tirando os olhos dos meus camaradas que se encontravam nesse momento na pista.

- Mas meu Major, isso não é possível!

- Claro que é possível!...

- Mas...

- ... e se tivesses usado a "Técnica do Arantes" - eu estou farto de vos dizer isto mas vocês não me ligam nenhuma - tinhas certamente batido o "record" do Colégio.

- Mas, ó meu Major, eu costumo fazer mais de 1:25...

- Mas ias muito bem, já te disse que ias muito bem! Agora deixa-me que tenho que despachar o resto da malta.

Encolhi os ombros e lá fui à minha vida, calculando que a coisa não ia ficar por ali.

E não ficou.

Continua em O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Parte II).

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(*) Não me lembro do tempo exacto, mas o erro não será superior a 1 segundo.

quarta-feira, maio 10, 2006

O Colégio na "Revista dos Combatentes"

A "Revista dos Combatentes", no seu nº 9 (Abril/Maio de 2006), tem como tema de capa "Meninos da Luz marcham para o futuro".

No interior há várias páginas dedicadas ao Colégio e outras dedicadas a ou escritas por ex-alunos de prestígio.

Dado que nem todos os ex-alunos têm a projecção mediática que merecem, publico em seguida uma das fotografias incluidas na revista, com o objectivo de esclarecer os milhares de leitores da mesma que terão feito a si próprios a pergunta "quem é aquela 'malta' que está atrás do Chagas?". Entre a 'malta' em 2º plano estão o 33/20 - António de Spínola e o seu sucessor 33/77 - Alexandre Fernandes (filho do Prof. Dario).

Fica o esclarecimento aos leitores da revista... ;-)

segunda-feira, maio 08, 2006

Memórias do Baú XLVII - "Almofadadas" e Outros "Granéis"


Um militar tem que ser capaz de (1) desenvolver acções com a inteligência e destreza suficientes para surpreender o IN, e (2) reagir com prontidão e eficácia a um ataque de surpresa do IN.

Estas acções eram treinadas em alturas estratégicas, nomeadamente nas últimas noites de cada período escolar, nas quais a disciplina era "afrouxada" de forma a dar espaço a "exercícios de campo" com diversas configurações.

Nos exercícios mais simples, uma camarata atacava a outra de surpresa, mas havia configurações mais complexas, com emboscadas, ou configurações mais desiguais, com ataques entre diferentes companhias.

O saldo dos exercícios caracterizava-se geralmente por tonturas causadas pelo acordar súbito e pelo impacto das almofadas, mas também por uma enorme quantidade do novas histórias "épicas" para contar.

Ao lado apresenta-se uma versão editada da fotografia, para que se possa verificar que toda a camarata estava tranformada num "campo de batalha"...

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domingo, maio 07, 2006

O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Introdução)

Há dias em que um homem se sente forte, seguro e descontraído, e nos quais as coisas lhe correm melhor do que esperava. Por vezes, atinge resultados que ficam a uma distância muito pequena de uma meta importante, ficando a interrogar-se sobre o que poderia ter acontecido se estivesse um bocado mais focado no atingimento de objectivos...

Esta série é sobre um dia desses na vida de um homem.

Continua em O Homem Que Quase Bateu o "Record" da Pista de Combate (Parte I).

sexta-feira, maio 05, 2006

Gratidão (Parte I)

Todos nós tivemos ao longo da nossa vida influências que moldaram (formaram/deformaram) o nosso carácter e que fizeram de nós o que somos hoje.

Para avaliarmos a importância dessas influências é preciso tempo (*), pois só o passar dos anos faz sedimentar as experiências irrelevantes e sobressair as relevantes, e memória, pois as experiências mais relevantes podem ter ocorrido em tempos remotos.

A volatilidade da nossa memória faz-nos perder a noção de algumas influências fundamentais que certamente tivémos quando eramos crianças, e que não conseguimos materializar de forma objectiva: professores(as) primários(as), família alargada, etc.

Depois, há as influências que tivémos mas não queremos ou não somos capazes de reconhecer. Há filhos que, na adolescência, têm conflitos com os pais, para depois serem iguais a estes (embora quase nunca o reconheçam...).

Finalmente, há as influências que reconhecemos e das quais nos orgulhamos.

Identificadas as influências positivas, há duas posições possíveis: a gratidão "passiva" e a gratidão "activa".

A gratidão "passiva" é a mais frequente. Estamos gratos a uma pessoa mas guardamos para nós essa gratidão, por vergonha, falta de tempo, falta de oportunidade, ou por acharmos que é irrelevante para a outra pessoa, e só quando a pessoa desaparece do nosso convívio é que lamentamos nunca lhe ter dito o quanto a sua influência foi importante para nós.

A gratidão "activa" dignifica-nos e "humaniza-nos", e é muito importante para o destinatário. Se ainda estiver no activo, reforça a sua acção educativa; se já estiver na reforma, constitui um reforço positivo para uma fase em que por vezes se fazem análises do género "Será que fiz bem? Será que fiz tudo o que podia ter feito? Será que exagerei nesta ou naquela atitude?".

Recentemente arranjei tempo, criei uma oportunidade, perdi a vergonha, e disse a um dos meus educadores que ele tinha tido uma grande importância na minha educação. Custou menos do que eu esperava, e o resultado foi muito positivo. Recomendo.

Continua em A Gratidão (Parte II).

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(*) Pelo menos 20 anos...