sábado, fevereiro 17, 2007

Onde Estão Os Ex-Alunos? (Parte I)

Inspirado por um artigo sobre o "Quem é Quem" escrito pelo João Martins Mateus (169/1944) na revista da AAACM nº 165, e por uma análise sobre a base de dados "exalunoscm" publicada pelo Pedro Freitas (15/1975) no seu "blog" (http://www.defreitas.blog.co.uk), resolvi voltar a uma análise estatística que fiz há um ano sobre o mesmo tema: a ligação dos ex-alunos à AAACM (e, consequentemente, ao Colégio).

O estudo visava analisar a ligação dos diversos cursos/épocas à AAACM, de forma a tentar identificar padrões que permitam definir acções a tomar para "puxar" mais ex-alunos para sócios da AAACM. Face aos estudos que referi, este tem a vantagem de partir de dados que reflectem um maior compromisso por parte dos ex-alunos (pagamento de quotas vs. preenchimento de uma ficha ou de um formulário "on-line").

Nesta 1ª parte, apresento um gráfico que relaciona, para os ex-alunos entrados em cada ano, o número estimado dos que estão vivos com o número dos que são sócios da AAACM.


Analisando a média móvel do número de sócios por ano de entrada, verifica-se que há uma representatividade uniforme de todas as épocas, com uma média de 20 a 30 ex-alunos por curso de entrada. Este facto causa desde já alguma estranheza, dada a variação muito mais ampla que se verifica na média móvel do número de alunos entrados.

É também visível a enorme diferença que há entre as duas curvas, colocando os sócios da AAACM como uma clara minoria.

Qualquer dos aspectos atrás referidos será objecto de uma análise mais detalhada nas partes seguintes desta série.

Continua em Onde Estão Os Ex-Alunos? (Parte II).

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Memórias do Baú LXXXII - "3 de Março" - 1985


Finalmente, após horas e horas de treinos, chegava o "momento da verdade"!

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sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Visita de Estudo a Braga, Guimarães e Serra do Gerês

Em Abril de 1982, no 5º ano, fomos fazer uma visita de estudo de vários dias a Braga, Guimarães e Serra do Gerês.

O objectivo seria o de, numa só viagem, podermos observar "no terreno" alguns aspectos que tínhamos estudado ao longo dos anos nas disciplinas de História, Geografia, Ciências e Biologia.

Como ponto de apoio, teríamos o Regimento de Cavalaria de Braga, onde ficaríamos hospedados "em regime de MP".

Naquele tempo, uma viagem até Braga em autocarros militares demorava uma "eternidade", pelo que chegámos já tarde e cansados de tanto solavanco, bem como esfomeados por só termos comido o tradicional almoço "take-away" do Colégio: uma sandes, um pedaço de frango, uma peça de fruta e um pacote de sumo.

Foi com grande alívio que finalmente chegámos à Porta de Armas do Regimento, onde nos esperava (assim esperávamos) um reconfortante jantar.

Do outro lado, vislubrámos alguns olhares de surpresa, primeiro do praça de guarda à Porta de Armas e depois do Oficial de Dia. Será que nunca tinham visto "Meninos da Luz"? Momentos depois, vislumbrámos a mesma surpresa no olhar do oficial responsável pelo nosso grupo, após uma curta conversa que este manteve com o Oficial de Dia do Regimento.

Aparentemente, havia um "pequeno problema": ninguém sabia da nossa vinda. As comunicações militares, com todos os protocolos para as tornar infalíveis, tinham falhado. Casernas disponíveis? Não havia. Comida? Também não.

Mas não há imprevisto que arrase a motivação de um Português, muito menos a de um que é militar, e por isso começou-se de imediato a trabalhar num cenário alternativo: havia "kits" de tendas (1 pano, 2 estacas e espias), também se arranjavam alguns cobertores, e havia um terreno a uns (bons) quilómetros que podia ser utilizado para fazer um acampamento. Comida? Ia-se ver o que é que se arranjava, mas certamente que mais tarde se arranjava alguma coisa.

E assim, cansados, com fome e com frio, fomos montar o nosso acampamento num terreno "no meio de nada", ficando depois à espera do jantar.

O jantar chegou, já bem depois da hora apropriada: uma caixa de madeira com pão e outra cheia de sardinhas em sal. Era o que se conseguia arranjar, tendo em conta a pouca antecedência.

A imagem dessa noite é inesquecível: os alunos juntos à volta da fogueira, enrolados em cobertores, cada um com um pau com uma sardinha espetada, que iam assando directamente nas chamas da fogueira e comendo com pão. E as sardinhas, diga-se de passagem, "souberam a pato".

Histórias dessa viagem, houve muitas, tendo algumas já sido contadas nos comentários de um outro "post": aqui, aqui, aqui e aqui.

domingo, fevereiro 04, 2007

Memórias do Baú LXXXI - "Área Reservada"


O Gabinete do Comandante de Companhia

Hoje existe legislação ao abrigo da qual um cidadão pode consultar a informação que uma determinada entidade guarda a seu respeito.

Infelizmente essa não era ainda a realidade em 1985, e por isso os cidadãos colegiais tinham que arranjar formas "criativas" para acederem aos seus "cadastros".

Corriam, naturalmente, o risco de que essa consulta viesse, caso fosse descoberta, a contribuir para o "enriquecimento" do próprio "cadastro"... ;-)

Fotografados: 207/78, 583/78 e 401/77.

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quarta-feira, janeiro 31, 2007

As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte III)

Continuação de As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte II).


O gráfico apresentado tem como objectivo analisar a relação entre as medalhas de Aplicação Literária e de Aptidão Militar e Física conquistadas pelo curso de 1977/85.

Cada um dos eixos representa o número de medalhas de um determinado tipo conquistadas por um determinado aluno, e a dimensão de cada bola representa o número de alunos que se encontram em cada intersecção, ou seja, que conquistaram uma combinação específica de medalhas dos dois tipos.

Em primeiro lugar, é imediatamente observável que a zona superior direita não está preenchida, ou seja, que nenhum aluno conquistou mais do que a metade da soma do número máximo de medalhas dos dois tipos. Este facto contrasta com a generalidade dos cursos, que acabam por ter vários alunos nesta zona (alguns deles no ou perto do topo), mas também significa uma distribuição mais "democrática" das medalhas pelos elementos do curso.

Em segundo lugar, é observável a concentração de medalhas nos eixos. 53% das Literárias foram conquistadas por alunos que não conquistaram quaisquer Físicas; para termo de comparação, no curso de 1974 (o do Caetano) este valor foi de 13%. 62% das Físicas foram conquistadas por alunos que não conquistaram quaisquer Literárias; no curso de 1974, este valor foi de 49%.

Daqui se conclui haver uma separação maior do que a habitual entre as duas elites mais importantes dentro de cada curso.

Os elementos do eixo das Literárias eram, naturalmente, "Não-Fixes".

sábado, janeiro 27, 2007

Memórias do Baú LXXX - As Redacções


Autor: 363/84.

Tirando aguma confusão em relação ao género ("[...] Ele devia ser mais simpática à noite porque às vezes por causa dela só nos deitamos às quinhentas. [...]" ?????), temos aqui uma redacção bem estruturada e bem escrita.

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terça-feira, janeiro 23, 2007

A Punição Que Eu Não Tive

Na sequência da publicação das punições que eu tive (Memórias do Baú LXXIII, LXXVI e LXXVIII), e para ilustrar as particularidades da justiça colegial que referi em Que Pesos, Que Medidas?, nada melhor do que utilizar um exemplo que se passou comigo, ou seja, uma punição da qual me safei... à conta do meu pai.

Estávamos no fim do 7º ano, na semana de campo, realizada em Mafra.

A prova de orientação era geralmente o "ponto alto" da semana de campo, na qual se coleccionavam as histórias mais interessantes: patrulhas perdidas, boleias apanhadas, etc. A formação das patrulhas ficava ao critério dos alunos, pelo que se estabeleciam grupos em função dos objectivos: sobreviver ou competir para ganhar.

A minha patrulha era geralmente uma das que lutava para sobreviver. A prova era para fazer com calma... até porque nunca ficou demonstrado que houvesse alguma vantagem em fazê-la depressa... ;-) (não estou a ser inteiramente justo: havia medalhas para a patrulha vencedora).

A minha patrulha estava à procura do ponto "n", que sabíamos (por colocação das coordenadas do ponto na carta militar) que se localizava na estrada que delimita a tapada. Íamos, por isso, seguindo a estrada até encontrar o oficial que havia de colocar o comprovativo de passagem na nossa caderneta.

Ao fazer uma curva, lá estava ele: o Tenente Fernandes (não tenho a certeza de que fosse este o nome, mas o jags pode confirmar), um Tenente "veterano", daqueles que evoluiu "a pulso" a partir de soldado, e que, certamente farto de uma carreira inteira a aturar Oficiais Superiores e Oficiais Generais, tinha agora sido "condenado" a ir para o Colégio aturar os filhos destes.

O Tenente Fernandes assinou a nossa caderneta e deu-nos as coordenadas do ponto seguinte, e nós lá fomos à procura deste.

Quando, depois de uma boa caminhada, chegámos ao ponto seguinte, o Oficial presente no mesmo olhou para a nossa caderneta e disse-nos que tínhamos falhado um ponto, uma vez que tínhamos todos os pontos até ao "n-1", e depois tínhamos o "n+1" e (agora) o "n+2". Percebemos então que o Tenente Fernandes estava no ponto "n+1" e não no ponto "n", e que tínhamos encontrado o "n+1" por acaso, quando procurávamos o "n".

Voltámos para trás, decididos a procurar o ponto "n", mas ao passar pelo ponto "n+1", fomos pedir satisfações ao Tenente Fernandes sobre o que achávamos ter sido uma "falta de colaboração" da parte dele ao "esquecer-se" de nos informar que não era aquele ponto de que estávamos à procura.

A discussão foi intensa e eu ter-me-ei excedido, porque às tantas o Tenente "passou-se" e "procedeu à minha identificação", ameaçando punir-me. Achei que a ideia lhe ia passar, o que não era invulgar, mas fui chamado uns dias depois ao gabinete dele, e aí percebi que a coisa estava "preta".

Depois de uma "seca" em que me disse que exigia respeito, que tinha idade para ser meu pai, etc, etc, foi ao dossier buscar o meu "cadastro", gesto que apreciei, dado que o "cadastro" jogava geralmente a meu favor.

Deteve-se logo no início, e perguntou-me: "és filho do Chagas do Serviço Não-Sei-Quantos de Não-Sei-Onde?". Eu confirmei, e aí a "seca" mudou de rumo: que não era certamente esta a educação que o meu pai me tinha dado, que ele ia ter um desgosto, etc, etc.

Depois de ter "desabafado", disse-me: "diz ao teu pai que eu quero que ele venha cá falar comigo".

Só há poucas semanas perguntei ao meu pai qual tinha sido exactamente o teor da conversa. Na altura, interessou-me mais o resultado: não levei "seca" do meu pai e, sobretudo, não fui punido.

Fez-se justiça... colegial.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Memórias do Baú LXXIX - A Melhor Mãe do Mundo

Maria Manuela Chagas (20/03/1935 - 17/01/2007)

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Os "Ourives"

Ganhar medalhas nunca foi uma tarefa fácil, e por isso havia normalmente algumas "negociações" no fim do ano lectivo para arredondar para cima uma nota do aluno A ou do aluno B.

Com a alteração de regulamento feita no início da década de 80, veio a necessidade de ter uma nota mínima em cada disciplina, o que se tornou um fardo ainda mais difícil de carregar, pois havia sempre (pelo menos) uma disciplina para a qual se tinha menos apetência ou jeito, ou para a qual o estudo não era o factor primordial (ex: desenho).

Esta situação era particularmente verdadeira com professores novos, que ainda não sabiam que notas é que tinham que dar. É que, por vezes, a intuição não era um elemento suficiente para distinguir entre o aluno que tinha média de 13 nos testes porque era um aluno mediano, e que merecia um 13 no fim do período, do aluno que tinha média de 13 nos testes porque era um aluno bom que tinha tido alguns "dias maus", e que merecia um 15 no fim do período, a título de investimento (para não se desmotivar).

Este trabalho de "enquadramento" era feito por professores ou oficiais bem posicionados junto dos seus pares, que garantiam que os bons alunos não eram penalizados numa fase inicial pelos seus "dias maus", ou que a nota não era usada para passar mensagens do tipo "eu acho que se te esforçasses mais obterias excelentes resultados". Estes homens eram autênticos "ourives", uma vez que ajudavam a "fabricar" as medalhas que os alunos posteriormente usariam no peito com orgulho.

Mas, para que houvesse um investimento, era necessário que houvesse alguma garantia de retorno. Para ser ajudado, era preciso saber pôr-se "a jeito", demonstrando vontade, capacidade de trabalho e resultados, sob pena de no período seguinte o investimento ser cobrado e a medalha "ir à vida".

Pela minha parte, estou grato a um "ourives" em especial - o Prof. Carmo -, que me fez acreditar que eu podia chegar à categoria dos "dourados", e me deu uma ajuda sempre que me faltou um "danoninho"... ;-)

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Memórias do Baú LXXVIII - O "Cadastro" (Parte V)

Continuação de Memórias do Baú LXXVI - O "Cadastro" (Parte IV).


Aparentemente, um dia faltei a uma consulta "previamente publicada em O. S.".

Que consultas é que eram publicadas em O. S.? As consultas externas e as "revisões gerais" a toda a turma.

Tratando-se de uma consulta de Estomatologia, provavelmente era uma "revisão geral" aos dentes do pessoal, e eu devia ter uma boa razão para me "baldar": sabia que tinha problemas, mas preferia ser "torturado" pelo meu dentista habitual do que pelo dentista do Colégio!

Ainda tentei alegar desconhecimento, mas não se safei dos 4 pontos "da praxe"...

domingo, janeiro 07, 2007

As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte II)

Continuação de As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte I).


Não tenho conhecimentos (ou memória...) suficientes para explicar o gráfico de medalhas de Aptidão Militar e Física por ano do nosso curso, pelo que espero que algum camarada se "chegue à frente" e o explique. Eu quase sinto a obrigação de explicar porque é que não ganhei a medalha de Aptidão Militar e Física no 5º ano... é que fui praticamente o único... ;-)

Quanto à explicação para a não existência de medalhas no 8º ano, reafirmo o que escrevi em As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte II).

O incidente que se verificou nos Açores com a Classe Especial, apesar de aparentemente não ter passado de um mal-entendido pontual, motivou um protesto do Comandante do navio junto do Colégio. Apesar de não ter havido uma acção disciplinar, os oficiais da Instrução Militar encarregaram-se de garantir que no ano lectivo seguinte se aplicariam as consequências de uma acção disciplinar "virtual".

No total, foram conquistadas 64 medalhas de Aptidão Militar e Física, o que corresponde a uma média de 10,67 por ano.

Continua em As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte III).

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Resumo de Novembro e Dezembro de 2006

Este "post" faz o resumo da actividade do "blog" em Novembro e Dezembro de 2006.

Em Novembro, o "blog" comemorou um ano de publicação, o que motivou a publicação de dois "posts": Memórias do Baú LXXI - Edição de Aniversário e Um Ano de "Blog" - Um Balanço.

No tema Histórias do Meu Tempo de Colégio, há a destacar o encerramento da série A "Guerra das Turmas", a continuação da série No Divã da "Enferma" e a estreia da série As Medalhas Que Alguém Ganhou.

No tema Memórias do Baú, há a destacar as memórias sobre as "Áreas Reservadas", O "Cadastro", a Visita a Santa Margarida e O Guião.

O maior destaque deste período vai, contudo, para a publicação, no tema A Actualidade, de um texto enviado pelo Alvin, que nos deu o prazer de voltar ao nosso convívio, por enquanto de forma apenas "virtual". Escolhi um título - Olhos Nos Olhos - que penso que retrata a frontalidade e honestidade do texto, e que, ao mesmo tempo, liga bem com a fotografia. Para mim, foi o momento mais alto do "blog" até hoje: recuperar memórias é importante, mas recuperar amigos é mais importante ainda.

Merecem sempre destaque no "blog" o Índice Temático e os Comentários.

Se preferirem, podem iniciar a exploração pela página inicial.

Agradeço comentários/sugestões.

domingo, dezembro 31, 2006

Memórias do Baú LXXVII - O Guião


O Jags fez-me chegar esta imagem, que tem a particularidade de o ter como "Porta-Guião", o que aconteceu porque o "titular do cargo" - o 82/77 - pertencia ao Orfeão e preferiu integrá-lo durante a missa do "3 de Março" (e fez muito bem, mas falarei mais sobre isto quando falar sobre o Orfeão).

O Jags teve, assim, a possibilidade de empunhar o Guião numa cerimónia oficial, o que é uma honra para qualquer Menino da Luz.

A somar a isto, há a referir que o Jags tinha já sido "Porta-Bandeira" no "Dia do Exército" de 1984 (que ocorreu nas férias entre o 7º e o 8º anos), o que fará dele um dos poucos alunos a ter tido a possibilidade de empunhar os dois símbolos em cerimónias oficiais. Como "sorja", é certamente o único.

Convenhamos que o mínimo que devo fazer é "passar a mão pelo pêlo" a quem tem trazido alguma animação a este "blog"... ;-)

Para acederes ao "post" anterior sobre o Guião, clica aqui.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte I)

Complemento da série As Medalhas Que Ninguém Ganhou.


Depois de ver o gráfico do número de medalhas de Aplicação Literária do nosso curso por ano de curso, percebo claramente como é que os geólogos tiram tanta informação a partir de um simples corte numa parede rochosa...

Do lado esquerdo, no 1º e 2º anos, podemos ver a vida antes do "meteorito" (mudança de regulamento), com alguma abundância de "medalháveis".

O 3º ano é o ano do "impacto", que foi forte para todos os cursos, mas "arrasador" para o nosso - mais detalhes em As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte I).

No 4º ano voltámos às medalhas, mas longe dos níveis atingidos nos 2 primeiros anos.

Até ao 6º ano verificou-se alguma melhoria, muito por mérito de alguns casos particulares, e nos 7º e 8º anos verificou-se um decréscimo, talvez influenciado pelo aumento do grau de exigência, mas seguramente influenciado pelo aumento do número de "incidentes disciplinares".

No total, foram conquistadas 66 medalhas de Aplicação Literária, o que corresponde a uma média de 8,25 por ano.

Continua em As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte II).

sábado, dezembro 23, 2006

Memórias do Baú LXXVI - O "Cadastro" (Parte IV)

Continuação de Memórias do Baú LXXIII - O "Cadastro" (Parte III).


No final do ano lectivo de 1979/80, a tradicional festa de encerramento incluía uma competição de atletismo entre as 3 turmas do 3º ano, vestindo cada uma delas uma camisola de alças de uma cor específica: verde para a Turma A, amarelo para a Turma B e encarnado para a Turma C.

Eu participava na prova de salto em altura, que era o que eu fazia "menos mal".

No fim da nossa prova, eu e "outro aluno" (se bem me lembro, o 646) teremos alegadamente ficado a dar cambalhotas nos colchões. Digo "alegadamente" porque não me lembro hoje nem me lembrava na altura em que, já em férias, me chegou a punição a casa.

Diz o Regulamento de Disciplina do Colégio (aliás, diz qualquer regulamento) que o acusado tem o direito a ser ouvido para apresentar a sua defesa, mas a falta devia ser tão óbvia que o Comandante de Companhia dispensou a minha presença e me "aviou" com 25 pontos negativos, tendo o Comandante do Corpo de Alunos agravado para 35 pontos negativos.

O que vale é que, para mim, o objectivo principal do ano já há muito que estava perdido, pelo que esta punição não fez mais do que reforçar a minha aceitação pelos camaradas da Turma C, para a qual eu tinha mudado no início do ano lectivo. Depois disto, eu era claramente um "deles"... ;-)

Continua em Memórias do Baú LXXVIII - O "Cadastro" (Parte V).

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Memórias do Baú LXXV - O Guião


Um dos meus momentos preferidos em qualquer "3 de Março" era o hastear de um Guião "king size" na parada do Corpo de Alunos.

Sempre tive um fascínio pelo nosso Guião, pela simetria, pelas cores, pelo desenho central e pela força da mensagem, e vê-lo a ondular ao vento era mais um indicador de que o Colégio estava a viver o período mais especial do ano: a comemoração de mais um aniversário (neste caso, o 182º).

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quarta-feira, dezembro 13, 2006

Casos Notáveis (Parte I)

notável (adjectivo, 2 géneros): digno de nota, de atenção ou reparo.

Caracterização de alguns aspectos da vida colegial, tomando como partida exemplos de alguns camaradas de curso - sem números, sem alcunhas, sem nomes.

Os "Rótulos"

Acredito que temos uma tendência para julgar o trabalho das pessoas em função da opinião que temos delas, do seu trabalho no passado, das expectativas que temos para elas, etc; em resumo, tudo menos o valor objectivo que esse trabalho tem no presente.

Em particular, num meio fechado como o Colégio, depois de um aluno ser "rotulado", carrega esse "rótulo" (para o bem ou para o mal) durante os restantes anos da sua vida colegial.

Se chega atrasado a uma aula e o "rótulo" é "positivo", leva uma admoestação verbal ou desce até 5 pontos; se o "rótulo" é "negativo", desce 10 a 25 pontos. Se o aluno ganha medalhas nos primeiros anos, aumenta a probabilidade de ganhar nos restantes; se não ganha nos primeiros anos, dificilmente lá chegará nos restantes.

Foi neste contexto que, já depois de passada metade do curso, dois alunos até aí "medianos" um dia decidiram: "a partir de hoje vou ser bom aluno".

O balanço final apresenta 3 medalhas de Ouro para cada um, revelando que, desse ponto de vista, os resultados foram plenamente atingidos.

Para além das dificuldades naturais associadas aos testes e aos trabalhos, estes alunos tiveram que ultrapassar os "rótulos" colocados pelos professores e oficiais, não beneficiando, na fase inicial do seu esforço, das "ajudas" habitualmente reservadas aos "medalháveis".

Pela intenção demonstrada, pelo esforço e pelos resultados atingidos, estes camaradas justificam a sua presença na minha galeria dos "Casos Notáveis". A história deles recorda-me que a vontade e o esforço são 90% das condições necessárias para o sucesso. Como dizem os nossos camaradas da farda azul, "querer é poder".

E o "rótulo" colocado pelos colegas, mudou com a mudança dos resultados?

A avaliação que o grupo faz de cada elemento depende da sua contribuição para o grupo, seja qual for a forma dessa contribuição. O "rótulo" de cada elemento depende, assim, do benefício que o grupo tira do sucesso individual desse elemento, e a correlação entre estes dois factores tem alguma tendência para ser negativa...

sábado, dezembro 09, 2006

Memórias do Baú LXXIV - Visita a Santa Margarida


"- Há 'Não-Fixes' à vista?"

Um grupo de "Fixes" especula sobre o impacto de um projectil de 105 mm do "M48A5 Patton" na Messe de Sargentos em plena hora de almoço... ;-)

terça-feira, dezembro 05, 2006

No Divã da "Enferma": os "Fixes" e os "Não-Fixes"

Para um curso habituado a viver em "anarquia", com várias facções mais ou menos organizadas e um futuro líder tacitamente aceite por todas, mas que não apareceu no início do 8º ano, passar a ter uma estrutura formal de liderança foi uma experiência... interessante.

Apesar desta estrutura formal, os circuitos de disseminação da informação continuavam a ser muito "ad-hoc", em função das relações estabelecidas no passado. Quando havia "coisas" para saber, havia sempre quem as sabia e quem não as sabia, formando dois grupos de dimensões semelhantes e relativamente estanques.

Quando realizámos uma visita de estudo ao Campo Militar de Santa Margarida, houve a necessidade de, por limitações logísticas, dividir o curso em dois grupos de igual dimensão, um dos quais almoçaria na Messe de Oficiais com o Comandante da Unidade, enquanto o outro almoçaria na Messe de Sargentos.

A divisão do curso ficou a cargo do Comandante de Batalhão, e os dois grupos resultantes representaram simbolicamente a divisão do curso, tendo sido "baptizados" de "Fixes" e "Não-Fixes".

A terminologia "pegou", e a partir desse momento era vulgar uma conversa entre "Não-Fixes" ser interrompida por causa da aproximação de um camarada, exclamando alguém "cuidado que este gajo é 'Fixe'!".

Enfim, brincadeiras... A brincar, a brincar... ;-)

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Memórias do Baú LXXIII - O "Cadastro" (Parte III)

Continuação de Memórias do Baú LXXII - O "Cadastro" (Parte II).

O Furto das "Guloseimas"


Estávamos no 2º ano, no fim do ano lectivo de 1978/79, e fomos para o Pavilhão dos Desportos (actual Pavilhão Carlos Lopes) treinar para o Sarau de Fim de Ano que se ia realizar no dia seguinte.

As diversas classes sucediam-se num ensaio geral especialmente demorado, devido aos últimos acertos, e o tempo era marcado essencialmente por duas sensações: tédio, porque para quem não estava a ensaiar não havia nada para fazer, e fome, porque a tarde já ia longa e não havia nada para comer.

Foi então que, como que "por magia", apareceram nas bancadas umas sandes de pacote que, depois de partilhadas, acabaram por servir para pouco mais do que "enganar" a fome. Apesar de não ter havido muitas perguntas, era óbvio para os presentes que as sandes tinham uma origem ilícita, e que isso nos podia trazer problemas.

O Sarau realizou-se, o ano lectivo acabou, e fomos todos para casa, ser pensar mais nas sandes. No entanto, no ano lectivo seguinte, o longo braço da justiça estava à nossa espera...

Iniciou-se então uma investigação especialmente complexa, devido ao número elevado de "arguidos" e ao facto de ter já passado algum tempo e já ninguém se lembrar (ou não se querer lembrar) muito bem do que tinha acontecido. As coisas ficaram ainda mais complicadas quando percebemos que a queixa apresentada referia uma dimensão muito superior àquela pela qual reconhecíamos ser responsáveis, o que deixava antever que tinha havido outros camaradas a ter a mesma ideia, ou que a queixa tinha sido propositadamente exagerada para a obtenção de uma compensação mais elevada.

Ao fim de vários meses, os oficiais acabaram por se render à evidência de que, face às variáveis em jogo, nunca iriam conseguir perceber exactamente o que tinha acontecido, e acabámos por nos "safar" apenas com uma repreensão escrita.

Houve dois aspectos muito relevantes para mim neste processo: em primeiro lugar, ficámos com um "peso na consciência" por termos feito uma acção que, para além de ter consequências disciplinares para nós, prejudicou a imagem do Colégio; em segundo lugar, ficou muito claro para nós que éramos todos responsáveis no mesmo grau, independentemente de quem furtou, quem vigiou, e quem só comeu, sabendo ou suspeitando de onde vinham. O texto da punição foi, aliás, igual para todos, referindo-se às sandes como "guloseimas", talvez para reforçar a censurabilidade do acto.

Há um ditado popular que diz que "tão ladrão é o que vai à horta, como o que fica à porta". A isto, a nossa experiência acrescentou "como o que, mesmo não metendo lá os pés, usufrui conscientemente dos produtos hortícolas furtados".

Continua em Memórias do Baú LXXVI - O "Cadastro" (Parte IV).

segunda-feira, novembro 27, 2006

Olhos Nos Olhos

Agora falo eu. Sim, é o Alvin, ex-402. Para quem se perguntava sobre o meu paradeiro, aqui estou, vivo e de boa saúde. Continuo o mesmo puto baixinho, brincalhão (agora com 40, uns quilitos a mais e uns cabelos a menos), como alguns de vós (do curso do Chagas, de 77) me conheceram melhor.

Sou polícia (irónico, não é?), casado, sem filhos e vivo em Linda-a-Velha, já desde 94, e vim para a grande metrópole em 92, por motivos profissionais (invariavelmente, todos os chuis passam por cá).

Embora me tenha desligado completamente do pessoal, acreditem que nunca me esqueci daqueles com quem vivi naquele Colégio (e reparem que o escrevo com letra maiúscula), tanto dos que recordo com saudade, como daqueles que más memórias me trazem. E para estar aqui é porque mantenho contacto com alguns desse tempo e também visito este blog. E foi precisamente por, com grande surpresa, me ver como tema de discussão, que resolvi “levantar o véu” e dar alguns esclarecimentos pessoais, para clarificar qualquer dúvida sobre o assunto em apreço.

De facto, todo aquele episódio dos “interrogatórios pidescos” foi terrivelmente marcante. Para mim e para outros, particularmente para o “Fozi”, com quem, devo dizer, tive um relacionamento porreiro. Para este último, que era um aluno de excepção (conduta e aproveitamento), foi imperdoável o que lhe fizeram. Conspurcaram o verdadeiro espírito do Colégio Militar num inocente, de forma brutal e asquerosa. A minha sincera pena e solidariedade, Fozi. Também um grande abraço para o 376 – Lopes (de cuja alcunha já não me lembrava – tive que ir à enciclopédia colegial, i.e. Chagas).

Continuando… Quanto a mim, que já era suspeito do costume (porque andava sempre na berlinda por tudo e mais alguma coisa – sim, fui muito massacrado!), portanto se calhar até andava a pedi-las e paguei por aquela que não tinha cometido e por outras que tinha cometido. Só quero que fique bem claro mais uma vez que tudo aquilo que alguns passaram naquela episódio de má memória, não é da minha culpa. Eu não era flor que se cheirasse, é certo, mas o que eu e outros (miúdos) passámos foi realmente degradante para aquela casa secular, ícone de tradição, honra e cavalheirismo. Os alunos graduados que lideraram todo aquele enredo também mereciam uma coisa que eu cá sei.

Posso garantir-vos que em 14 anos de profissão já vi muita merda e muito facínora (e trabalhei nalguns dos piores sítios, acreditem) e sei reconhecer a maldade quando a vejo. E ali, meus caros, houve despotismo e maldade pura – não tentemos amenizar. Caso se perguntem, não, como polícia nunca o fiz e nunca permiti que o fizessem com o meu conhecimento. Mas este tema já foi debatido amplamente, não quero tocar-lhe mais, pois já bastaram estes anos todos a tentar esquecê-lo.

Outro esclarecimento é o seguinte: eu fui, claro, convidado a sair do Colégio, não saí por iniciativa própria. De qualquer forma, acho que não suportaria a vergonha de lá continuar, dadas as circunstâncias do meu passado em relação a furtos que tinha cometido. Não o escondo – é verdade.

A minha consideração final é a seguinte: de facto, o Colégio Militar não se faz destes tristes episódios, nem desta minoria que fracassa nestes dois aspectos: comportamento e/ou aproveitamento escolar. E eu sou o primeiro a atestá-lo. Não queria que o meu caso fosse divulgado, pela vergonha que persiste em ensombrar-me. Mas vivo com isso e não me atormenta propriamente, pois já passou algum tempo (20 anos) e arrogo-me o direito de regeneração – perdão ficará à vossa consideração. Quero sim dizer que, até eu, que vivi 7 anos que abarcaram parte das minhas infância e adolescência, e que cometi muitas argoladas, sinto hoje que nem tudo se perdeu. Aquela casa incutiu-me realmente valores, que me têm valido ao longo da vida. Eu noto a diferença entre a minha forma de estar e a dos outros, nos mais diversos aspectos. Por isso, agradeço tudo o que o Colégio Militar me ensinou de bom e quero esquecer os aspectos negativos. Aquela casa não morreu para mim, e especialmente os meus camaradas de curso adoptivo (os de 77), por ter sido repetente. Espero ainda vir a dar um valente abraço a muitos deles, se os voltar a ver, como já aconteceu nalguns casos. A lagrimazita vai vir, da força da emoção.

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Texto enviado para publicação pelo Alvin, na sequência dos acontecimentos referidos nos comentários do "post" No Divã da "Enferma": O Botão Encarnado.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Memórias do Baú LXXII - O "Cadastro" (Parte II)

Continuação de Memórias do Baú LXIX - O "Cadastro" (Parte I).

A segunda secção do "cadastro" continha, para cada ano lectivo, o ano, a turma, a companhia, o aproveitamento e o comportamento.


A informação sobre o comportamento era a mais importante em termos da avaliação rápida das características de um aluno por parte de um oficial novo na companhia. Os oficiais tendiam a julgar os alunos em função do seu comportamento anterior, levando à criação de ciclos viciosos ou virtuosos, mediante os quais o comportamento anterior tinha a tendência a repetir-se no futuro.

Esta secção livrou-me de algumas punições "menores" (atrasos e afins), que eram geralmente convertidas em repreensões verbais.

Para além de um "B" (no 3º período do 3º ano) perdido no meio de uma série de "MBs" (a explicar mais tarde), há a referir a mudança de padrão na entrada para a 4ª companhia, onde a manutenção de "MB" seria considerada um desalinhamento com o espírito reinante... ;-) Felizmente consegui fazer a 4ª toda sem um único "MB"...

Continua em Memórias do Baú LXXIII - O "Cadastro" (Parte III).

sábado, novembro 18, 2006

Um Ano de "Blog" - Um Balanço

Do Que Eu Gostei Mais

A primeira "série por episódios": L. A. C. - Liga Anti-Cavalo. Ajudou a definir a direcção para o "blog".

A primeira "Memória do Baú" pouco vulgar: Memórias do Baú V - A Planta da Camarata. "Este gajo guardou isto?" Pois é.

O primeiro trabalho gráfico: As Medalhas Que Ninguém Ganhou. Divertido e útil... ;-)

As primeiras inovações face à estrutura tradicional de um "blog": Índice Temático e Os Comentários. Um dia, todos os "blogs" serão assim. ;-)

A primeira polémica: Um Homem Não Chora(va). Foi também a única que consegui prever.

O primeiro trabalho de investigação: O Aluno com Maior Percentagem de Medalhas Conquistadas. Como qualquer trabalho de investigação, deu trabalho e ninguém ligou. :-(

O primeiro "mega-hit" em termos de visitas e comentários: No Divã da "Enferma": O Botão Encarnado. Uma polémica inesperada que "apaixonou" a audiência.

terça-feira, novembro 14, 2006

Memórias do Baú LXXI - Edição de Aniversário

No dia em que passa um ano desde o primeiro "post" deste "blog", gostava de escrever sobre o processo de selecção e tratamento das memórias.

Ao contrário do que é sugerido em alguns comentários dos visitantes, a minha memória é fraca: vinte anos de vida académica, familiar e profissional acabaram por "escurecer" e "distorcer" as minhas memórias dos tempos do Colégio.

De cada ano que lá passei ficaram alguns episódios pontuais, sobretudo os associados aos momentos mais marcantes que vivi, aos amigos que fiz e a alguns objectos que guardei.

A selecção de memórias a desenvolver e publicar exige, assim, um esforço grande em termos de "pesquisa mental", com o qual vou alimentando um "banco de ideias" que considero serem merecedoras de abordagem no "blog".

Uma vez identificado um tema que considero interessante desenvolver, o mesmo anda na minha cabeça durante dias ou semanas, até finalmente começar a ficar mais claro e com contornos mais nítidos.

Nesta fase, começo a escrever os primeiros esboços, que vão progressivamente convergindo para a versão final. Tenho sempre a consciência de que o resultado final vai ser bastante incompleto, mas o meu objectivo é simplesmente o de despertar a mesma memória em outros ex-alunos, para que possam complementar o meu texto.

Tenho geralmente o cuidado de deixar "nebulosas" algumas áreas da memória, pois há temas que são sensíveis para terceiros, e prefiro que sejam estes a abordá-los (se assim o entenderem).

Após a publicação, cabe aos visitantes utilizar os comentários para melhorar a qualidade da memória, quer corrigindo algumas incorrecções, quer fazendo luz sobre aspectos não abordados.

O resultado final, não tendo a vivacidade das memórias do passado recente, permite-nos "rever" os acontecimentos e relembrar as sensações do passado.

Em alguns casos, a informação acrescentada é de uma tal riqueza em termos de detalhe que a memória ganha uma "cor" que já não tinha, e é quase como se a estivéssemos a viver no presente.


Os meus motivos para manter o "blog", após um ano de operação, são significativamente diferentes dos motivos iniciais.

Porque escrevo, então?

Em primeiro lugar, para me recordar e para não me esquecer. Em segundo lugar, para recordar com os ex-alunos meus contemporâneos os bons tempos que passámos no Colégio. Em terceiro lugar, para dar aos alunos e restantes ex-alunos uma visão do que era o Colégio "no meu tempo".

Quero aproveitar este "post" de aniversário para agradecer a todos os que, com os seus comentários, têm tornado as minhas memórias mais "nítidas" e com mais "cor". Infelizmente, não há uma cultura de acompanhamento regular de "blogs" (apesar das ferramentas que actualmente existem para facilitar esse acompanhamento) nem uma cultura de participação, o que faz com que o meu objectivo de melhoria da memória pela discussão seja, na maior parte das vezes, uma "miragem".

A Fotografia

A fotografia publicada não foi passada para o papel na altura da revelação, devido a estar muito escura. Utilizando um scanner e algumas funcionalidades básicas de um software de edição de imagem, foi possível chegar a uma versão que permite ter uma visão (ainda que de má qualidade) da cena fotografada.

A fotografia faz conjunto com as duas já publicadas em Memórias do Baú XXVI - Frases Lapidares e Memórias do Baú XXVII - Frases Lapidares.

Fotografados: 357/77 e ??? - talvez as outras duas fotografias contenham algumas pistas... aquela "pernoca" no ar tem o estilo da Classe Especial... ;-)

quinta-feira, novembro 09, 2006

A "Guerra das Turmas" (Parte IV)

Continuação de A "Guerra das Turmas" (Parte III).

A Explicação

Como explicar as características tão diferentes em termos de aproveitamento e comportamento entre três turmas definidas com base em critérios administrativos?

Comecemos pela Turma A. A Turma A era... - como dizê-lo?... - a turma dos gajos que escolheram Francês. Já na altura ninguém no seu perfeito juízo escolhia Francês, e os resultados estão à vista...;-)

Concentremo-nos então na diferença entre as Turmas B e C.

Quem escolhia os números para os filhos? Alguém que tinha ligação ao Colégio - ex-alunos, oficiais, professores -, alguém que queria que o filho tivesse o número de um ex-aluno ilustre, ou um oficial de alta patente a quem o Colégio sugeria essa possibilidade. Em qualquer dos casos, e porque o contingente do Batalhão Colegial esteve em crescimento até meio da década de 70, havia grande probabilidade de o número escolhido ser um número baixo.

A Turma B tinha, assim, uma maior percentagem de filhos de pessoas com maior ligação ao Colégio e/ou com maiores expectativas face ao mesmo.

Os alunos da Turma B não seriam, em termos estatísticos, melhores ou piores do que os da Turma C; tinham, no entanto, uma maior necessidade de corresponder às expectativas dos pais, o que tinha consequências ao nível do comportamento e da atitude face à aprendizagem (atenção nas aulas), com implicações ao nível do aproveitamento escolar.

Com o passar dos anos as diferenças foram-se esbatendo, até que o 5º ano mostrou a verdadeira relação de capacidades entre as turmas... ;-)