sábado, abril 07, 2007

A Última Vítima do Grizzly (Introdução)

A luta era desigual: de um lado, um monstro metálico de 30 toneladas; do outro, um rapaz franzino de 11 anos.

Iríamos assistir à repetição da luta entre David e Golias? Não; desta vez imperou a lógica, e o "Golias" levou a melhor.

O "David", apesar de tudo, viveu para contar.

Continua em A Última Vítima do Grizzly (Parte I).

quarta-feira, abril 04, 2007

Onde Estão Os Ex-Alunos? (Parte III)


Continuação de Onde Estão Os Ex-Alunos? (Parte II).

O gráfico acima publicado representa, por ano de entrada no Colégio, e para o número de ex-alunos que se estima estarem vivos (com base na aplicação de curvas de esperança de vida), a percentagem dos que são sócios da AAACM, bem como uma média móvel (para atenuar as diferenças entre anos próximos).

Da análise dos dados, verifica-se que:

- Para os entrados na década de 40, a percentagem de sócios ronda os 45%;

- Para os entrados na década de 50, a percentagem de sócios cai progressivamente até aos 25%;

- Para os entrados na década de 60, a percentagem de sócios mantém-se nos 25%;

- Para os entrados na década de 70, a percentagem de sócios vai até aos 20%, mas termina nos 25%;

- Para os entrados na década de 80, a percentagem de sócios sobe até aos 30%;

- Para os entrados na década de 90, a percentagem de sócios mantém-se nos 30%.

É ainda curioso verificar as grandes diferenças que há entre alguns cursos "vizinhos", havendo várias situações em que um curso tem metade da percentagem do curso que está ao lado.

Aceitam-se explicações.

Continua em Onde Estão Os Ex-Alunos? (Parte IV).

terça-feira, março 27, 2007

Memórias do Baú LXXXVII - A "Mocada"

O discurso da "Mocada" de 1984/85, conforme reproduzido no "Jornal do Colégio Militar" nº 146, de Março de 1985.


Para acederes ao "post" anterior sobre a "Mocada", clica aqui.

sexta-feira, março 23, 2007

Onde Estão Os Ex-Alunos? (Parte II)


Continuação de Onde Estão Os Ex-Alunos? (Parte I).

Este gráfico apresenta, curso a curso, a relação entre o número de ex-alunos vivos (estimativa) e o número de sócios.

Principais conclusões:

1) Há alguma correlação entre o número de ex-alunos vivos e o número de sócios;

2) Os cursos mais "bem comportados" (acima da diagonal) são os da década de 40;

3) Os cursos mais "mal comportados" (abaixo da diagonal) são os da década de 70.

Continua em Onde Estão Os Ex-Alunos? (Parte III).

domingo, março 18, 2007

Memórias do Baú LXXXVI - "3 de Março" - 1985


Fotografados: 451/76, 376/77.


Fotografados: 467/77, 177/78, 66/77, 401/77.

Para acederes ao "post" anterior sobre o "3 de Março" de 1985, clica aqui.

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domingo, março 11, 2007

Casos Notáveis (Parte II)

notável (adjectivo, 2 géneros): digno de nota, de atenção ou reparo.

Caracterização de alguns aspectos da vida colegial, tomando como partida exemplos de alguns camaradas de curso - sem números, sem alcunhas, sem nomes.

Tom & Jerry

O Tom era grande, e era frequente utilizar o seu tamanho para intimidar os mais pequenos e atingir os seus objectivos, ou seja, era aquilo a que no Colégio chamávamos de "despotista".

O Jerry era pequeno, mais fraco do que o Tom, mas nem por isso se deixava intimidar por este.

Por várias vezes o Tom passou dos limites, e ficou claro que era necessário fazer qualquer coisa. Se avançássemos todos contra ele, conseguíamos vencê-lo, mas quem fosse apanhado por ele podia ficar um bocado maltratado... Enquanto olhávamos todos uns para os outros e decidíamos o que fazer (basicamente todos à espera que alguém tomasse a iniciativa), o Jerry avançava, com a convicção de que havia uma missão a cumprir, e que ele a cumpriria sozinho ou acompanhado. E a malta lá ia atrás...

Tal como nos desenhos animados, o Tom até podia estar em vantagem no meio do episódio, mas o resultado final era invariavelmente favorável ao Jerry.

Hoje o Tom provavelmente continua a ser... o Tom. Quanto ao Jerry, continua a "pôr na linha" os Toms deste mundo.

quarta-feira, março 07, 2007

Memórias do Baú LXXXV - Os Chás Dançantes


Um convite a juntar à colecção publicada pela mbrmbr em http://chadancante.blog.co.uk.

Para acederes ao "post" seguinte sobre os Chás Dançantes, clica aqui.

sábado, março 03, 2007

A "Besta do Typographo"

Um famoso matemático colegial, cuja fotografia anexa, publicada na revista O Colégio Militar de Dezembro de 2006(*), terá sido tirada quando "tipógrafo" ainda se escrevia "typographo", atribuía à "besta do tipógrafo" qualquer erro que fosse identificado numa das suas "famosas" fichas manuscritas.

O referido professor publicou, nesse número da revista, um artigo sobre números perfeitos, no qual lançou novas "teorias matemáticas".

Veja-se o exemplo reproduzido de seguida, onde se afirma, entre outras coisas, que 211 - 1 = 2047 = 23 ? 89.


A explicação é simples: o "tipógrafo", entre outras coisas, "despromoveu" os expoentes das potências, tornando o artigo ilegível mesmo para os poucos que se aventurariam a tentar entender o tema.

O professor garante que ainda sabe fazer contas de subtrair. Mais uma vez, foi vítima da "besta do tipógrafo"...

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(*) Acessível neste link.

sexta-feira, março 02, 2007

Memórias do Baú LXXXIV - "3 de Março" - 1985


Não há palavras...

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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Resumo de Janeiro e Fevereiro de 2007

Este "post" faz o resumo da actividade do "blog" em Janeiro e Fevereiro de 2007.

No tema Histórias do Meu Tempo de Colégio, há a destacar o encerramento da série As Medalhas Que Alguém Ganhou, tendo ainda sido publicados "posts" sobre A Punição Que Eu Não Tive, Os "Ourives", a Visita de Estudo a Guimarães, Braga e Serra do Gerês e os Chás Dançantes ("A Menina Dança?").

No tema Memórias do Baú, há a referir as memórias sobre A Melhor Mãe do Mundo e As Mensalidades, bem como a continuação das séries O "Cadastro", As Redacções, "Área Reservada" e "3 de Março" - 1985.

No tema A Actualidade, há a destacar o início da publicação da série Onde Estão Os Ex-Alunos?.

Merecem sempre destaque no "blog" o Índice Temático e os Comentários.

Se preferirem, podem iniciar a exploração pela página inicial.

Agradeço comentários/sugestões.

domingo, fevereiro 25, 2007

"A Menina Dança?"

Os Chás Dançantes dos anos 80 davam um filme.

O filme começava muito antes da abertura das portas, com o planeamento dos trabalhos, a concepção, a construção dos elementos cénicos e a montagem.

Se o trabalho de concepção ficava a cargo de um grupo restrito, já a montagem "tocava a todos", pela quantidade e variedade das tarefas envolvidas: montagem dos cabos de suporte da cobertura, montagem da cobertura, montagem dos adereços (luzes, bolas de espelhos, máquinas de fumo, etc.), montagem da mesa de som e luzes, montagem do sistema de som, colocação dos cobertores nas janelas, montagem do bar, etc.

Depois vinha a "hora da verdade"... abriam-se os portões e começava a secção principal do filme: a festa!

Nesta secção, desfilavam personagens como o "dj", o "galã", o "predador", a "vamp", o(a) tímido(a), a aluna do IO (caracterizada pelo ataque/defesa em grupo), o ex-aluno com cabeleira farta (só porque podia), o "rata" que acompanhava a irmã mais velha (até ela o mandar "desaparecer"), o "nerd"(*), etc.

Depois vinha a parte final do filme... a desmontagem e arrumação do espaço, mas, sobretudo, a partilha e "arrumação" das memórias, com o consequente planeamento das acções para os dias seguintes (telefonemas a fazer, cartas a escrever, filmes para ver, etc.).

Os Chás Dançantes eram muito importantes para nós; tão importantes, que a ameaça do seu fim deu origem à "boiada" mais "mediática" dos anos 80: durante vários dias, todo o Batalhão andou em "fila indiana" para todo o lado, e nos intervalos das aulas os alunos andavam em duas filas (uma para cada lado) à volta das varandas dos claustros. Resultou: as duas partes em litígio sentaram-se à mesa e negociaram um acordo que permitiu a continuação dos Chás.

Recentemente, uma antiga frequentadora dos Chás Dançantes encontrou no "baú" alguns convites, tendo criado um "blog" para os partilhar. Estas imagens de pedaços de papel vão-nos certamente despertar memórias dos "bons velhos tempos".

A visitar, em http://chadancante.blog.co.uk.

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(*) Não estamos a falar do verdadeiro "nerd", porque esse obviamente não ia aos Chás: ia perder uma tarde de estudo, ouvir música em "altos berros" e - pormenor extremamente desagradável - estar ao pé de "gajas".

Estamos a falar do "nerd light", que o "galã" podia apresentar às amigas e explicar que era o gajo que tirava 18s e que lhe passava respostas nos pontos, mas que até gostava de música, ia aos Chás, e conseguia tentar dançar sem cair (estou obviamente a exagerar, porque o Salgueiro só me fez isto um vez).

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Memórias do Baú LXXXIII - As Mensalidades


Não tenho a ideia de quanto é que isto era "em melões", mas parece-me que, para a generalidade dos filhos de militares, e tendo em conta que incluía "cama, mesa e roupa lavada", era um valor acessível.

Considerando também que proporcionava condições muito acima da média dos estabelecimentos de ensino comparáveis (liceus, externatos, etc.), não era de estranhar que o número de candidatos superasse largamente o número de vagas.

Hoje o panorama é completamente diferente, e (pelo menos) numa coisa reconheço claras vantagens face ao passado: já ninguém vai para o Colégio porque é a escolha natural, ou para fugir ao caos que é o ensino no exterior; hoje os alunos vão para o Colégio por opção deles e dos pais. E é uma opção que certamente é bem pensada, porque o preço "dói" a quase todos, porque quase todos se encontram na categoria dos civis.

Há certamente menos candidatos, mas talvez os alunos tenham, em média, uma relação mais "saudável" com o Colégio do que os alunos tinham "no meu tempo".

sábado, fevereiro 17, 2007

Onde Estão Os Ex-Alunos? (Parte I)

Inspirado por um artigo sobre o "Quem é Quem" escrito pelo João Martins Mateus (169/1944) na revista da AAACM nº 165, e por uma análise sobre a base de dados "exalunoscm" publicada pelo Pedro Freitas (15/1975) no seu "blog" (http://www.defreitas.blog.co.uk), resolvi voltar a uma análise estatística que fiz há um ano sobre o mesmo tema: a ligação dos ex-alunos à AAACM (e, consequentemente, ao Colégio).

O estudo visava analisar a ligação dos diversos cursos/épocas à AAACM, de forma a tentar identificar padrões que permitam definir acções a tomar para "puxar" mais ex-alunos para sócios da AAACM. Face aos estudos que referi, este tem a vantagem de partir de dados que reflectem um maior compromisso por parte dos ex-alunos (pagamento de quotas vs. preenchimento de uma ficha ou de um formulário "on-line").

Nesta 1ª parte, apresento um gráfico que relaciona, para os ex-alunos entrados em cada ano, o número estimado dos que estão vivos com o número dos que são sócios da AAACM.


Analisando a média móvel do número de sócios por ano de entrada, verifica-se que há uma representatividade uniforme de todas as épocas, com uma média de 20 a 30 ex-alunos por curso de entrada. Este facto causa desde já alguma estranheza, dada a variação muito mais ampla que se verifica na média móvel do número de alunos entrados.

É também visível a enorme diferença que há entre as duas curvas, colocando os sócios da AAACM como uma clara minoria.

Qualquer dos aspectos atrás referidos será objecto de uma análise mais detalhada nas partes seguintes desta série.

Continua em Onde Estão Os Ex-Alunos? (Parte II).

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Memórias do Baú LXXXII - "3 de Março" - 1985


Finalmente, após horas e horas de treinos, chegava o "momento da verdade"!

Para acederes ao "post" anterior sobre o "3 de Março" de 1985, clica aqui.

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sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Visita de Estudo a Braga, Guimarães e Serra do Gerês

Em Abril de 1982, no 5º ano, fomos fazer uma visita de estudo de vários dias a Braga, Guimarães e Serra do Gerês.

O objectivo seria o de, numa só viagem, podermos observar "no terreno" alguns aspectos que tínhamos estudado ao longo dos anos nas disciplinas de História, Geografia, Ciências e Biologia.

Como ponto de apoio, teríamos o Regimento de Cavalaria de Braga, onde ficaríamos hospedados "em regime de MP".

Naquele tempo, uma viagem até Braga em autocarros militares demorava uma "eternidade", pelo que chegámos já tarde e cansados de tanto solavanco, bem como esfomeados por só termos comido o tradicional almoço "take-away" do Colégio: uma sandes, um pedaço de frango, uma peça de fruta e um pacote de sumo.

Foi com grande alívio que finalmente chegámos à Porta de Armas do Regimento, onde nos esperava (assim esperávamos) um reconfortante jantar.

Do outro lado, vislubrámos alguns olhares de surpresa, primeiro do praça de guarda à Porta de Armas e depois do Oficial de Dia. Será que nunca tinham visto "Meninos da Luz"? Momentos depois, vislumbrámos a mesma surpresa no olhar do oficial responsável pelo nosso grupo, após uma curta conversa que este manteve com o Oficial de Dia do Regimento.

Aparentemente, havia um "pequeno problema": ninguém sabia da nossa vinda. As comunicações militares, com todos os protocolos para as tornar infalíveis, tinham falhado. Casernas disponíveis? Não havia. Comida? Também não.

Mas não há imprevisto que arrase a motivação de um Português, muito menos a de um que é militar, e por isso começou-se de imediato a trabalhar num cenário alternativo: havia "kits" de tendas (1 pano, 2 estacas e espias), também se arranjavam alguns cobertores, e havia um terreno a uns (bons) quilómetros que podia ser utilizado para fazer um acampamento. Comida? Ia-se ver o que é que se arranjava, mas certamente que mais tarde se arranjava alguma coisa.

E assim, cansados, com fome e com frio, fomos montar o nosso acampamento num terreno "no meio de nada", ficando depois à espera do jantar.

O jantar chegou, já bem depois da hora apropriada: uma caixa de madeira com pão e outra cheia de sardinhas em sal. Era o que se conseguia arranjar, tendo em conta a pouca antecedência.

A imagem dessa noite é inesquecível: os alunos juntos à volta da fogueira, enrolados em cobertores, cada um com um pau com uma sardinha espetada, que iam assando directamente nas chamas da fogueira e comendo com pão. E as sardinhas, diga-se de passagem, "souberam a pato".

Histórias dessa viagem, houve muitas, tendo algumas já sido contadas nos comentários de um outro "post": aqui, aqui, aqui e aqui.

domingo, fevereiro 04, 2007

Memórias do Baú LXXXI - "Área Reservada"


O Gabinete do Comandante de Companhia

Hoje existe legislação ao abrigo da qual um cidadão pode consultar a informação que uma determinada entidade guarda a seu respeito.

Infelizmente essa não era ainda a realidade em 1985, e por isso os cidadãos colegiais tinham que arranjar formas "criativas" para acederem aos seus "cadastros".

Corriam, naturalmente, o risco de que essa consulta viesse, caso fosse descoberta, a contribuir para o "enriquecimento" do próprio "cadastro"... ;-)

Fotografados: 207/78, 583/78 e 401/77.

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quarta-feira, janeiro 31, 2007

As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte III)

Continuação de As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte II).


O gráfico apresentado tem como objectivo analisar a relação entre as medalhas de Aplicação Literária e de Aptidão Militar e Física conquistadas pelo curso de 1977/85.

Cada um dos eixos representa o número de medalhas de um determinado tipo conquistadas por um determinado aluno, e a dimensão de cada bola representa o número de alunos que se encontram em cada intersecção, ou seja, que conquistaram uma combinação específica de medalhas dos dois tipos.

Em primeiro lugar, é imediatamente observável que a zona superior direita não está preenchida, ou seja, que nenhum aluno conquistou mais do que a metade da soma do número máximo de medalhas dos dois tipos. Este facto contrasta com a generalidade dos cursos, que acabam por ter vários alunos nesta zona (alguns deles no ou perto do topo), mas também significa uma distribuição mais "democrática" das medalhas pelos elementos do curso.

Em segundo lugar, é observável a concentração de medalhas nos eixos. 53% das Literárias foram conquistadas por alunos que não conquistaram quaisquer Físicas; para termo de comparação, no curso de 1974 (o do Caetano) este valor foi de 13%. 62% das Físicas foram conquistadas por alunos que não conquistaram quaisquer Literárias; no curso de 1974, este valor foi de 49%.

Daqui se conclui haver uma separação maior do que a habitual entre as duas elites mais importantes dentro de cada curso.

Os elementos do eixo das Literárias eram, naturalmente, "Não-Fixes".

sábado, janeiro 27, 2007

Memórias do Baú LXXX - As Redacções


Autor: 363/84.

Tirando aguma confusão em relação ao género ("[...] Ele devia ser mais simpática à noite porque às vezes por causa dela só nos deitamos às quinhentas. [...]" ?????), temos aqui uma redacção bem estruturada e bem escrita.

Para acederes ao "post" anterior sobre as Redacções, clica aqui.

terça-feira, janeiro 23, 2007

A Punição Que Eu Não Tive

Na sequência da publicação das punições que eu tive (Memórias do Baú LXXIII, LXXVI e LXXVIII), e para ilustrar as particularidades da justiça colegial que referi em Que Pesos, Que Medidas?, nada melhor do que utilizar um exemplo que se passou comigo, ou seja, uma punição da qual me safei... à conta do meu pai.

Estávamos no fim do 7º ano, na semana de campo, realizada em Mafra.

A prova de orientação era geralmente o "ponto alto" da semana de campo, na qual se coleccionavam as histórias mais interessantes: patrulhas perdidas, boleias apanhadas, etc. A formação das patrulhas ficava ao critério dos alunos, pelo que se estabeleciam grupos em função dos objectivos: sobreviver ou competir para ganhar.

A minha patrulha era geralmente uma das que lutava para sobreviver. A prova era para fazer com calma... até porque nunca ficou demonstrado que houvesse alguma vantagem em fazê-la depressa... ;-) (não estou a ser inteiramente justo: havia medalhas para a patrulha vencedora).

A minha patrulha estava à procura do ponto "n", que sabíamos (por colocação das coordenadas do ponto na carta militar) que se localizava na estrada que delimita a tapada. Íamos, por isso, seguindo a estrada até encontrar o oficial que havia de colocar o comprovativo de passagem na nossa caderneta.

Ao fazer uma curva, lá estava ele: o Tenente Fernandes (não tenho a certeza de que fosse este o nome, mas o jags pode confirmar), um Tenente "veterano", daqueles que evoluiu "a pulso" a partir de soldado, e que, certamente farto de uma carreira inteira a aturar Oficiais Superiores e Oficiais Generais, tinha agora sido "condenado" a ir para o Colégio aturar os filhos destes.

O Tenente Fernandes assinou a nossa caderneta e deu-nos as coordenadas do ponto seguinte, e nós lá fomos à procura deste.

Quando, depois de uma boa caminhada, chegámos ao ponto seguinte, o Oficial presente no mesmo olhou para a nossa caderneta e disse-nos que tínhamos falhado um ponto, uma vez que tínhamos todos os pontos até ao "n-1", e depois tínhamos o "n+1" e (agora) o "n+2". Percebemos então que o Tenente Fernandes estava no ponto "n+1" e não no ponto "n", e que tínhamos encontrado o "n+1" por acaso, quando procurávamos o "n".

Voltámos para trás, decididos a procurar o ponto "n", mas ao passar pelo ponto "n+1", fomos pedir satisfações ao Tenente Fernandes sobre o que achávamos ter sido uma "falta de colaboração" da parte dele ao "esquecer-se" de nos informar que não era aquele ponto de que estávamos à procura.

A discussão foi intensa e eu ter-me-ei excedido, porque às tantas o Tenente "passou-se" e "procedeu à minha identificação", ameaçando punir-me. Achei que a ideia lhe ia passar, o que não era invulgar, mas fui chamado uns dias depois ao gabinete dele, e aí percebi que a coisa estava "preta".

Depois de uma "seca" em que me disse que exigia respeito, que tinha idade para ser meu pai, etc, etc, foi ao dossier buscar o meu "cadastro", gesto que apreciei, dado que o "cadastro" jogava geralmente a meu favor.

Deteve-se logo no início, e perguntou-me: "és filho do Chagas do Serviço Não-Sei-Quantos de Não-Sei-Onde?". Eu confirmei, e aí a "seca" mudou de rumo: que não era certamente esta a educação que o meu pai me tinha dado, que ele ia ter um desgosto, etc, etc.

Depois de ter "desabafado", disse-me: "diz ao teu pai que eu quero que ele venha cá falar comigo".

Só há poucas semanas perguntei ao meu pai qual tinha sido exactamente o teor da conversa. Na altura, interessou-me mais o resultado: não levei "seca" do meu pai e, sobretudo, não fui punido.

Fez-se justiça... colegial.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Memórias do Baú LXXIX - A Melhor Mãe do Mundo

Maria Manuela Chagas (20/03/1935 - 17/01/2007)

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Os "Ourives"

Ganhar medalhas nunca foi uma tarefa fácil, e por isso havia normalmente algumas "negociações" no fim do ano lectivo para arredondar para cima uma nota do aluno A ou do aluno B.

Com a alteração de regulamento feita no início da década de 80, veio a necessidade de ter uma nota mínima em cada disciplina, o que se tornou um fardo ainda mais difícil de carregar, pois havia sempre (pelo menos) uma disciplina para a qual se tinha menos apetência ou jeito, ou para a qual o estudo não era o factor primordial (ex: desenho).

Esta situação era particularmente verdadeira com professores novos, que ainda não sabiam que notas é que tinham que dar. É que, por vezes, a intuição não era um elemento suficiente para distinguir entre o aluno que tinha média de 13 nos testes porque era um aluno mediano, e que merecia um 13 no fim do período, do aluno que tinha média de 13 nos testes porque era um aluno bom que tinha tido alguns "dias maus", e que merecia um 15 no fim do período, a título de investimento (para não se desmotivar).

Este trabalho de "enquadramento" era feito por professores ou oficiais bem posicionados junto dos seus pares, que garantiam que os bons alunos não eram penalizados numa fase inicial pelos seus "dias maus", ou que a nota não era usada para passar mensagens do tipo "eu acho que se te esforçasses mais obterias excelentes resultados". Estes homens eram autênticos "ourives", uma vez que ajudavam a "fabricar" as medalhas que os alunos posteriormente usariam no peito com orgulho.

Mas, para que houvesse um investimento, era necessário que houvesse alguma garantia de retorno. Para ser ajudado, era preciso saber pôr-se "a jeito", demonstrando vontade, capacidade de trabalho e resultados, sob pena de no período seguinte o investimento ser cobrado e a medalha "ir à vida".

Pela minha parte, estou grato a um "ourives" em especial - o Prof. Carmo -, que me fez acreditar que eu podia chegar à categoria dos "dourados", e me deu uma ajuda sempre que me faltou um "danoninho"... ;-)

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Memórias do Baú LXXVIII - O "Cadastro" (Parte V)

Continuação de Memórias do Baú LXXVI - O "Cadastro" (Parte IV).


Aparentemente, um dia faltei a uma consulta "previamente publicada em O. S.".

Que consultas é que eram publicadas em O. S.? As consultas externas e as "revisões gerais" a toda a turma.

Tratando-se de uma consulta de Estomatologia, provavelmente era uma "revisão geral" aos dentes do pessoal, e eu devia ter uma boa razão para me "baldar": sabia que tinha problemas, mas preferia ser "torturado" pelo meu dentista habitual do que pelo dentista do Colégio!

Ainda tentei alegar desconhecimento, mas não se safei dos 4 pontos "da praxe"...

domingo, janeiro 07, 2007

As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte II)

Continuação de As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte I).


Não tenho conhecimentos (ou memória...) suficientes para explicar o gráfico de medalhas de Aptidão Militar e Física por ano do nosso curso, pelo que espero que algum camarada se "chegue à frente" e o explique. Eu quase sinto a obrigação de explicar porque é que não ganhei a medalha de Aptidão Militar e Física no 5º ano... é que fui praticamente o único... ;-)

Quanto à explicação para a não existência de medalhas no 8º ano, reafirmo o que escrevi em As Medalhas Que Ninguém Ganhou (Parte II).

O incidente que se verificou nos Açores com a Classe Especial, apesar de aparentemente não ter passado de um mal-entendido pontual, motivou um protesto do Comandante do navio junto do Colégio. Apesar de não ter havido uma acção disciplinar, os oficiais da Instrução Militar encarregaram-se de garantir que no ano lectivo seguinte se aplicariam as consequências de uma acção disciplinar "virtual".

No total, foram conquistadas 64 medalhas de Aptidão Militar e Física, o que corresponde a uma média de 10,67 por ano.

Continua em As Medalhas Que Alguém Ganhou (Parte III).

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Resumo de Novembro e Dezembro de 2006

Este "post" faz o resumo da actividade do "blog" em Novembro e Dezembro de 2006.

Em Novembro, o "blog" comemorou um ano de publicação, o que motivou a publicação de dois "posts": Memórias do Baú LXXI - Edição de Aniversário e Um Ano de "Blog" - Um Balanço.

No tema Histórias do Meu Tempo de Colégio, há a destacar o encerramento da série A "Guerra das Turmas", a continuação da série No Divã da "Enferma" e a estreia da série As Medalhas Que Alguém Ganhou.

No tema Memórias do Baú, há a destacar as memórias sobre as "Áreas Reservadas", O "Cadastro", a Visita a Santa Margarida e O Guião.

O maior destaque deste período vai, contudo, para a publicação, no tema A Actualidade, de um texto enviado pelo Alvin, que nos deu o prazer de voltar ao nosso convívio, por enquanto de forma apenas "virtual". Escolhi um título - Olhos Nos Olhos - que penso que retrata a frontalidade e honestidade do texto, e que, ao mesmo tempo, liga bem com a fotografia. Para mim, foi o momento mais alto do "blog" até hoje: recuperar memórias é importante, mas recuperar amigos é mais importante ainda.

Merecem sempre destaque no "blog" o Índice Temático e os Comentários.

Se preferirem, podem iniciar a exploração pela página inicial.

Agradeço comentários/sugestões.

domingo, dezembro 31, 2006

Memórias do Baú LXXVII - O Guião


O Jags fez-me chegar esta imagem, que tem a particularidade de o ter como "Porta-Guião", o que aconteceu porque o "titular do cargo" - o 82/77 - pertencia ao Orfeão e preferiu integrá-lo durante a missa do "3 de Março" (e fez muito bem, mas falarei mais sobre isto quando falar sobre o Orfeão).

O Jags teve, assim, a possibilidade de empunhar o Guião numa cerimónia oficial, o que é uma honra para qualquer Menino da Luz.

A somar a isto, há a referir que o Jags tinha já sido "Porta-Bandeira" no "Dia do Exército" de 1984 (que ocorreu nas férias entre o 7º e o 8º anos), o que fará dele um dos poucos alunos a ter tido a possibilidade de empunhar os dois símbolos em cerimónias oficiais. Como "sorja", é certamente o único.

Convenhamos que o mínimo que devo fazer é "passar a mão pelo pêlo" a quem tem trazido alguma animação a este "blog"... ;-)

Para acederes ao "post" anterior sobre o Guião, clica aqui.