A Última Vítima do Grizzly (Parte II)
Continuação de A Última Vítima do Grizzly (Parte I).
O "David"
O "David" desta história é o 475/77, que cedo ganhou a alcunha de "chaminhas", pelo facto de andar sempre a brincar com fósforos.
Era, segundo o próprio, uma "paixão" anterior à entrada no Colégio: "Lembro-me de uma vez quando estava na 3ª ou 4ª classe, eu e outro miúdo nos termos escapulido à hora do almoço do colégio onde estávamos e de ter comprado uma caixa de fósforos numa banca que havia junto à estação de comboios de Mem-Martins, onde eu vivia."
O "chaminhas" tornou-se especialmente notado no Colégio pelo incidente que relatarei nesta série, um "marco" na sua relação com o fogo, mas que nem por isso lhe diminuiu o interesse pelo tema. Aliás, durante a primeira metade dos anos que passou no Colégio, o "chaminhas" podia ser encontrado praticamente todas as tardes no "Monte Sinai"(*) a fazer fogueiras.
"Agora me lembro de estar na 1ª, com todos formados no geral na formatura para o almoço e ser apanhado sentado no chão a tentar acender fósforos, raspando-os nos mosaicos do chão do geral (e dava para acender). Estava tão entretido naquilo que perdi completamente a noção de onde estava. Nem dei pelo graduado (que já não me lembro quem era) se ter aproximado de mim e ter parado ao meu lado, estupefacto com o que estava a ver. Se bem me lembro nem sequer fui castigado." O graduado (128/71, "Nhó-nhó") lembra-se... e acrescentou que a história acabou com o "prevaricador" pendurado pelos pés sobre a latrina, com a ameaça de que a reincidência levaria ao "mergulho"...
Um toque de ironia do destino: coube ao "chaminhas" a honra de inaugurar a chama dos 175 anos do Colégio, então colocada na Parada do Corpo de Alunos.
Continua em A Última Vítima do Grizzly (Parte III).
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(*) "Monte Sinai": formação geológica situada a N do campo de futebol, e que apareceu como resultado da acumulação das terras tiradas para a construção do Pavilhão de Ciências.



















