terça-feira, abril 29, 2008

"Alguém" - Menau

"'Para alguém sou um lírio entre os a&ro%$#»...'", ditou o Menau, enquanto andava de um lado para o outro da sala, à frente do quadro.

"Desculpe, 'Stor', entre os quê?"

"A&ro%$#»."

"Desculpe, 'Stor', não percebi. Entre os agrolhos?"

"Não é a&ro%$#», é a&ro%$#»!"

"Agrórios?"

"Vós sois surdos, ou quê? A&ro%$#»! 'Para alguém sou um lírio entre os a&ro%$#»...'"

O Menau tinha um sotaque nortenho carregado, e falava de uma forma arrastada, projectando uma chuva de perdigotos até uma distância de 2 metros. Não valia a pena insistir nos pedidos de repetição; após uma troca furtiva de opiniões, concluímos que provavelmente a palavra alienígena seria "abrórios". Por acaso não era, mas tanto faz, estava resolvido o impasse e seguíamos em frente.

"'... E tenho as formas ideais de Cristo...'"

"'... E tem as formas ideais...'"

"'E tenho'! TENHO!"

"'... Para alguém sou a vida e a luz dos olhos...'"

"'... E, se na terra existe, é porque existo'."

A declamação foi prosseguindo a um ritmo acelerado, e com ela todas as dúvidas que iam sendo colocadas em relação a palavras cuja dicção não era a mais clara. A cada interrupção, o Menau reagia com uma irritação progressivamente maior, mas não era uma irritação normal, era uma irritação misturada com... emoção?!

A malta começou a sentir que se passava qualquer coisa de anormal, e imediatamente o ditado se transformou num jogo no qual quem fizesse a interrupção mais irritante ganhava. Mesmo que a frase fosse clara, havia sempre quem obrigasse o Menau a repeti-la várias vezes, o que ele fazia com crescente irritação, mas sem a fúria destinada a situações deste tipo, a mesma fúria devastadora que dirigia habitualmente a quem usava repetidamente a palavra "portanto".

"'...Esse alguém abre as asas no meu leito...'"

"'... do meu leite...'"

"'No meu leito'! 'NO MEU LEITO'!"

A tensão crescia, e o clímax aproximava-se. Finalmente, o Menau murmurou um doloroso "'... És tu, doce velhinha, ó minha mãe!'".

Após um breve silêncio, surgiu a pergunta inevitável: "... 'Stor', 'ó minha quê'?".

"'... Ó minha mãe'! Mãe! MÃE! Vós sois uns insensíveis! Vós não tendes mãe? Vós não mereceis as mães que tendes!". O Menau mal conseguia falar, com a voz completamente embargada pela emoção. Escorriam-lhe lágrimas pela face, que ele limpava enquanto balbuciava frases completamente imperceptíveis.

Passaram uns minutos até que o Menau recuperasse completamente a compostura, e a aula prosseguiu com o programa habitual: chamadas ao quadro feitas a voluntários previamente seleccionados por nós, que eram os únicos que faziam o TPE.

Por ocasião do Dia da Mãe, com uma dedicatória especial ao Menau e a todas as Mães do mundo, aqui fica o poema de Gonçalves Crespo, "ALGUÉM".

ALGUÉM

Para alguém sou um lírio entre os abrolhos,
E tenho as formas ideais de Cristo;
Para alguém sou a vida e a luz dos olhos,
E, se na terra existe, é porque existo.

Esse alguém, que prefere ao namorado
Cantar das aves a minha rude voz,
Não és tu, anjo meu idolatrado,
Nem, meus amigos, é nenhum de vós!

Quando alta noite me reclino e deito
Melancólico, triste e fatigado,
Esse alguém abre as asas no meu leito,
E o meu sono desliza perfumado.

Chovam bênçãos de Deus sobre a que chora
Por mim além dos mares! Esse alguém
É de meus dias a esplendente aurora,
És tu, doce velhinha, ó minha mãe!

quarta-feira, abril 23, 2008

Memórias do Baú CXXVIII - O Curso de Pára-quedismo


A fotografia mostra o avião no qual fizemos os últimos 4 saltos do curso, o Dornier 27A-3 de matrícula CS-AQS, uma "relíquia" do final da década de 50.

Quando, 9 anos mais tarde, voltei ao Aeródromo de Évora, ninguém queria acreditar que eu ainda tinha voado na DO (dê-ó, no género feminino, como o avião era carinhosamente tratado). O piloto da altura, o Comandante Elyseu, ainda por lá andava, e confirmou que esse deverá ter sido o ano de despedida da DO, para dar lugar aos mais modernos e eficientes Cessna 182.

Sem o saber, voámos num avião "mítico".

Para acederes ao "post" seguinte sobre o Curso de Pára-quedismo, clica aqui.

domingo, abril 13, 2008

O Curso de Pára-quedismo (Parte III)

Continuação de O Curso de Pára-quedismo (Parte II).

O Primeiro Salto

8 de Agosto de 1985. Finalmente, após um período de treino intensivo, chegou o dia do nosso primeiro salto.

Após o pequeno-almoço, fomos levados até à placa da Base Aérea de Tancos, onde nos equipámos.

Os nervos e a adrenalina faziam com que reinasse a boa disposição. Os instrutores gritavam perguntas, às quais respondíamos em coro. "Vamos saltar? SIIIIM! Alguém tem medo? NÃÃÃÃÃÃO!" Mais tarde, a caminho do avião, combinámos que, antes de saltar, à pergunta "alguém tem medo?" responderíamos em coro "o Aspirante Bonito!".

Neste nosso primeiro salto não íamos sozinhos. Faziam-nos companhia cerca de duas dezenas de instruendos pára-quedistas, e o que nos começou a perturbar foi o ar visivelmente assustado que todos eles tinham. Estavam brancos como a cal, e não diziam uma palavra.

Pouco a pouco, começámos a meter conversa. Era o primeiro salto? Não, era para aí o quinto ou sexto... então porquê o ar de pânico?

Percebemos então que este grupo tinha "descolado" de vários cursos devido a acidentes em saltos. Todos eles tinham partido alguma coisa (braços, pernas, etc.) ou feito queimaduras em arrastamentos em saltos anteriores há alguns meses. Agora, à medida que iam ficando curados, tinham que fazer os saltos em falta para poderem receber a boina.

Para eles, os acidentes na aterragem não eram uma ameaça, mas sim uma realidade que já tinham vivido e que os tinha incapacitado temporariamente, e era por isso que estavam perturbados.

Depois de equipados, avançámos para o Aviocar e ocupámos os nossos lugares. Poucos minutos depois, o avião descolou.

O barulho no interior tornava as conversas difíceis, e nessa altura também já não havia muita vontade de conversar, pelo que aguardámos com a tranquilidade possível o momento do salto.

A data altura, o sargento que tinha a função de largador abriu a porta do avião, e pudemos todos olhar lá para fora. Viam-se com clareza as árvores, as casas, os carros... íamos saltar desta altura? Estávamos quase no chão!

Ao sinal combinado, levantámo-nos e encaixámos a peça metálica da nossa tira extractora no cabo de aço que passava por cima das nossas cabeças. Seria essa tira que permitiria ao nosso pára-quedas sair automaticamente do seu saco e abrir-se.

À pergunta "alguém tem medo?", gritámos "o Aspirante Bonito!", mas o barulho era tanto que não deu para perceber.

Depois, foi como nos filmes: apagou-se a luz vermelha e acendeu-se a luz verde, e o largador fez sinal ao Aspirante Bonito para avançar. Houve um momento de pausa, durante o qual o Aspirante Bonito tentou perceber se aquele sinal de avançar era efectivamente o sinal de avançar, ou simplesmente algum movimento extemporâneo feito pelo largador. Desfeita a "dúvida", o Aspirante Bonito saiu finalmente pela porta fora, e atrás dele foram todos os restantes saltadores, de forma mecânica.

"Trezentos-e-trinta-e-AAAAAAAHHHHHHHH!". Em menos de um instante o pára-quedas estava aberto, ainda com os cordões quase paralelos ao chão, e depois balançou até atingir a posição normal de descida. À medida que o avião se afastou, ficou um silêncio total.

Olhei em volta para ver onde estavam os outros. Alguns estavam mais abaixo, enquanto outros pareciam ter apanhado correntes ascendentes e estavam a ficar "para trás". Experimentei puxar as tiras, apenas para confirmar a suspeita de que não adiantava nada, e deixei-me ir a gozar o momento.

O chão aproximava-se rapidamente, e chegou o momento de preparar a aterragem. Puxei as tiras para o peito e coloquei as pernas na posição correcta...

O contacto com o chão foi forte, mas suportável. Levantei-me e corri até o pára-quedas se "fechar", evitando assim ser arrastado. Estava terminada a aventura do primeiro salto.

Depois de enrolarmos e ensacarmos os pára-quedas, juntámo-nos todos para partilhar as experiências. Um Oficial pára-quedista aproximou-se e deu-nos os parabéns: "Estiveram muito bem! Só houve um que parecia um 'saco de batatas' a cair no chão". Rimo-nos todos e quisemos saber quem tinha sido. "Foi logo o primeiro", disse-nos o Oficial. O Aspirante Bonito era o "saco de batatas".

Continua em O Curso de Pára-quedismo (Parte IV).

Fotografias extraídas de http://fotos.paraquedistas.com.pt.

sábado, abril 05, 2008

De Que Ano É Este Colégio? (Parte II)

Continuação de De Que Ano É Este Colégio? (Desafio).

Lancei há dois anos um desafio no sentido de determinar a data de uma fotografia aérea do Colégio publicada na "História do Colégio Militar", Volume II. Esta fotografia encontra-se também no Museu do Colégio.

Nestes dois anos não consegui determinar a data da fotografia (há que dizer que não me esforcei muito... a resposta há-de vir ter comigo), não sendo possível definir assim o vencedor do desafio.

Entretanto, "tropecei" acidentalmente em mais um momento do voo.


Isto ajuda a determinar a data?

Continua em De Que Ano É Este Colégio? (Parte III).

sábado, março 29, 2008

Tens Medalhas a Haver do Colégio?

Em 1980, um Director resolveu alterar o regulamento das medalhas.

Para além de algumas situações curiosas, como a aplicação das novas regras com retroactividade e outras coisas do género, a grande inovação - claramente à frente do seu tempo - foi a criação de "medalhas virtuais": medalhas que tinham diploma, laço para usar na farda de pano, mas... não existiam.

Até 1979, havia medalhas de Aplicação Literária para os 7 anos do curso, e medalhas de Aptidão Militar e Física a partir do 3º ano. Depois de 1980, passou a haver medalhas de Aplicação Literária e de Aptidão Militar e Física do 2º ano em diante; para o 1º ano, os critérios eram iguais aos dos restantes anos, mas em vez de medalha, os alunos recebiam simplesmente o diploma, e podiam usar o laço na farda de pano.

Hoje é fácil dar o mérito a esse Director, pois um número cada vez maior de coisas é virtual, mas na altura a coisa causou alguma perplexidade.

Pouco mais de 20 anos depois, outro Director achou que a ideia de "medalhas virtuais" era um disparate, e resolveu acabar com elas.

Para que os alunos que tinham ganho "medalhas virtuais" nos anos imediatamente anteriores não ficassem tristes, resolveu aplicar a nova regra de forma retroactiva, mas apenas aos alunos que à altura faziam parte do Batalhão Colegial. Quem tinha ganho uma "medalha virtual" e ainda estava no Colégio, viu a sua medalha convertida numa medalha real; quem já tinha saído, mesmo que tivesse ganho uma "medalha virtual" no mesmo ano, não viu a sua medalha convertida numa medalha real.

Não fosse tratarem-se de dois Directores ex-alunos, e em relação aos quais, portanto, tenho que manifestar toda a solidariedade, diria que se tratou de um disparate corrigido com outro disparate.

O Director actual parece ser uma pessoa de bom-senso, que jamais concordará com esta dualidade de critérios. Por isso, camarada, se ganhaste uma "medalha virtual" algures entre 1980 e 2000 e picos, escreve para o Colégio e pede a conversão da mesma numa medalha real.

Na volta do correio vais certamente receber a tua medalha, mas nem tudo são boas notícias: é que vais receber uma das medalhas novas que, na escala que vai desde o brinde de um pacote de cereais até à condecoração militar, já está mais perto do extremo inferior. Mas o que conta é a intenção.

segunda-feira, março 24, 2008

Memórias do Baú CXXVII - Os "Ratas" - Na Sala de Leitura


Num Domingo à noite, na sala de leitura da Primeira, antes de um episódio do "Soap"...

Fotografados: 261/84, 278/84, 288/84, 357/77, 257/84, 397/84 e 500/84.

Para acederes ao "post" anterior sobre os "Ratas", clica aqui.

quarta-feira, março 19, 2008

O Curso de Pára-quedismo (Parte II)

Continuação de O Curso de Pára-quedismo (Parte I).

A Instrução

A instrução de pára-quedismo, como qualquer instrução militar, é baseada na repetição de gestos "até à exaustão", para que as actividades se tornem mecânicas e sejam executadas de forma expontânea, sem pensar, sobretudo nas situações em que, se pensassemos, provavelmente não executavamos a acção.

Por isso, cada uma das partes do salto é treinada em separado e em grande detalhe: os procedimentos de saída do avião, a contagem até à abertura, a verificação da calote, a preparação da aterragem, o enrolamento na aterragem, a neutralização dos arrastamentos, etc.

O processo de saída de um Aviocar é o mais simples que há: basta ir a correr atrás do camarada que nos precede e saltar pela porta fora. Apesar disso, somos treinados para memorizar uma série de gestos que nunca teremos a oportunidade de executar, como forma de manter o nosso cérebro ocupado antes do salto.

O processo de saída de um avião mais pequeno já apresenta algumas complicações, devido à dificuldade que há em sair até à asa, o que nos dá muito tempo para pensar "o que é que eu estou a fazer aqui?". Nessa situação, já sabemos que a bota do instrutor ganha um papel especial no processo de saída, podendo funcionar como um auxiliar para vencer o vento que nos cola contra a fuselagem e faz com que tenhamos alguma dificuldade em largar a asa.

Treinámos as saídas em simuladores dos diferentes modelos de aviões e na Torre de Saída, aprendendo o "trezentos-e-trinta-e-um - trezentos-e-trinta-e-dois - trezentos-e-trinta-e-três - trezentos-e-trinta-e-quatro" que representa o tempo necessário para a abertura do pára-quedas. Na prática, no Aviocar não chegamos ao "trezentos-e-trinta-e-um", e num avião mais pequeno não chegamos ao "trezentos-e-trinta-e-dois", mas é mesmo esse o objectivo: que o pára-quedas abra enquanto estamos ocupados a contar.

Uma das partes mais importantes de treinar é a manobra de aterragem. Ao chegar ao chão, o corpo do pára-quedista traz energia cinética que é necessário dissipar, e uma aterragem correcta é a que permite uma dissipação progressiva pelas partes mais resistentes do corpo. Por isso, a manobra de aterragem é treinada inúmeras vezes, procurando assim evitar que o pára-quedista cometa um dos maiores erros, que é o de tentar ficar de pé.

Uma das partes mais divertidas do treino foi a dos arrastamentos, e foi precisamente a que causou a primeira "vítima".

Imediatamente após a aterragem, se o pára-quedista não se levantar depressa e se o pára-quedas continuar "cheio", o pára-quedista poderá ser arrastado pelo chão até que o pára-quedas encontre um obstáculo ou o vento diminua e o pára-quedas se "feche".

Para conseguir que o pára-quedas se "feche", o pára-quedista tem que se virar de barriga para baixo enquanto é arrastado e puxar os cordões correspondentes à parte da calote que está a arrastar pelo chão. Terá que puxar os cordões com firmeza, porque se um golpe de vento tentar encher a calote, os cordões queimam os dedos ao deslizar dentro das mãos.

Foi precisamente nesta manobra que as coisas não correram bem ao "Escroque" (238/77)... Enquanto tentava puxar os cordões e evitar respirar as "toneladas" de pó que se levantavam com o arrastar do pára-quedas no campo de futebol da BETP, cenário utilizado para as nossas simulações de arrastamentos, veio uma rajada de vento e ele não foi capaz de segurar os cordões. Resultado: uma passagem na enfermaria para tratar as queimaduras e "entrapar" completamente as duas mãos.

Apesar do incidente e de não conseguir usar as mãos, o "Escroque" manteve a sua determinação e a instrução não parou...

Continua em O Curso de Pára-quedismo (Parte III).

Fotografias extraídas de http://fotos.paraquedistas.com.pt.

quarta-feira, março 12, 2008

Memórias do Baú CXXVI - A Visita dos "Craques"


A fotografia mostra um "afundanço" do Carlos Lisboa.

Antes do jogo, houve o cuidado de lhes pedir que não se pendurassem nas tabelas ao "afundar", uma vez que estas não estavam preparadas para resistir, e se se partissem ficavamos sem poder jogar durante uns tempos...

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sábado, março 08, 2008

O Curso de Pára-quedismo (Parte I)

Continuação de O Curso de Pára-quedismo (Introdução).

A Selecção do Grupo

Crescemos a olhar com admiração as "asas" que os alunos que tinham tirado o curso de pára-quedismo usavam orgulhosamente no peito. Em primeiro lugar, porque sabíamos que se tratava de uma actividade que nos colocaria no limite do nosso consciente - aquilo que mais tarde veio a ser caracterizado pela expressão "radical", entretanto completamente banalizada e aplicada a qualquer passeio em bicicleta fora de estrada - e, em segundo lugar, porque sabíamos que o curso era ministrado de uma forma extremamente exigente pelos instrutores da Base Escola de Tropas Pára-quedistas.

No início do nosso último ano de Colégio, foi feito um pré-levantamento dos candidatos ao curso de pára-quedismo. Como seria de esperar, eram "mais que muitos", e ficou logo no ar a necessidade de se proceder a uma selecção com base num critério qualquer a definir.

O tempo foi passando, e nada de novidades. Finalmente, já depois de terminado o ano lectivo, ligaram-nos para casa a comunicar a disponibilidade do curso e a avaliar o nosso interesse. Respondi que sim, e fui seleccionado "na hora"; apenas tive que convencer os meus pais a assinar um termo de responsabilidade (não foi fácil...), dado que eu era menor, e recuperar o meu "enxoval", entretanto já a caminho de se tornar "arquivo morto" (provavelmente ser oferecido ao depósito que a AAACM tinha na sede da Rua Marquês de Abrantes, no qual eu me tinha "abastecido" várias vezes no passado).

Quando cheguei ao Colégio, verifiquei com grande surpresa que, do extenso grupo de pré-candidatos, apenas tinham restado... quatro: eu, o 207/78, o 362/77 e o 238/77. Só foi possível realizar o curso porque se recrutaram voluntários no 7º ano (572/77, 200/78 e 590/78) e também porque contámos com a participação do Aspirante Bonito.

Telefonámos a vários camaradas de curso a perguntar porque é que não vinham fazer o curso connosco, e um deles disse-nos que "em princípio ia a Paris". A partir dessa altura, para aquele grupo, "ir a Paris" passou a ser sinónimo de "ter medo", e houve momentos ao longo do curso nos quais, de facto, desejei estar em Paris...

Continua em O Curso de Pára-quedismo (Parte II).

Fotografia extraída de http://fotos.paraquedistas.com.pt.

segunda-feira, março 03, 2008

Memórias do Baú CXXV - A Visita dos "Craques"


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quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Qual é o Verdadeiro Colégio?

Qual é o verdadeiro Colégio? O Colégio do Pedro, apresentado na reportagem da SIC ("Um Nó na Alma") em 17 de Fevereiro, ou o Colégio do João, apresentado na notícia do "24 Horas" de 28 de Janeiro? O Colégio dos graduados como irmãos mais velhos, que apoiam os alunos mais novos nas suas dificuldades, ou o Colégio dos graduados que "ameaçam com uma navalha"?

Gostei da reportagem da SIC, em especial pela postura assumida pelo Pedro. Ver um miúdo de 10 anos a dizer em relação a uma mudança deste calibre que "é um desafio" é simplesmente extraordinário. Há "homens feitos" que olham qualquer mudança como uma coisa temível, a evitar a todo o custo, e o Pedro olha a mudança de frente e chama-lhe um desafio.

Ser capaz de se adaptar ao desafio, quer a entrada para o Colégio seja por vontade própria, quer seja por vontade dos pais, é uma condição essencial para o sucesso de um aluno no Colégio.

No dia seguinta ao da emissão da reportagem, uma colega de trabalho comentou comigo que um familiar esteve para mandar o filho para o Colégio "para ver se o punham no sítio". Quando lhe perguntei que "sítio" era esse, referiu-me que o miúdo era mimado e insuportável (os pais quase não conseguiam ter mão nele) e que a disciplina do Colégio seria interessante para o educar.

Muito dificilmente o Colégio conseguirá dar a uma criança os princípios básicos de educação que os pais não foram capazes de lhe dar. Na maioria das situações, a criança acrescentará à rebeldia contra a educação dos pais a rebeldia contra a educação dos graduados, que lhe querem impôr regras de disciplina que ela não aceita nem dos pais, quanto mais de estranhos.

Qualquer criança que esteja habituada a seguir regras em casa, consegue seguir as regras do Colégio. São regras seguramente diferentes, em alguns casos mais exigentes, mas são regras claras e aplicadas de forma justa. Quem não está disposto a seguir quaisquer regras, rapidamente aparece no "radar" como um caso complicado e passa a ser "marcado em cima", o que pode levar à criação de um ciclo vicioso de confrontação. Para um aluno que não queira seguir regras, as regras são uma violência, como violência é qualquer medida que vise levá-lo a cumprir as regras.

E é assim, certamente, que surgem casos como o do João. Se este caso em concreto (bem como os detalhes indicados) é verídico ou não, "depende da vossa fantasia"(*).

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(*) GNR, "Vídeo Maria".

domingo, fevereiro 24, 2008

Memórias do Baú CXXIV - "Almofadadas" e Outros "Granéis"


A fotografia mostra uma saída dos "ratas" de 1984/85 para um ataque de "almofadada" à camarata do 2º ano.

Normalmente os anos mais baixos não atacavam os anos mais altos. Quando isso acontecia, era quase certo que os esperava uma emboscada, e o "caçador" acabava como "presa"...

Fotografados (agradeço correcções):










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terça-feira, fevereiro 19, 2008

"Isto Não Define Quem Sou" (Parte II)

Continuação de "Isto Não Define Quem Sou" (Parte I).

O Pedro teve um percurso colegial o mais normal possível, com alegrias, decepções, histórias engraçadas, medalhas, punições, etc.

Aprendeu cedo a guardar para si um aspecto particular da sua maneira de ser. Poderia partilhá-lo com alguém? "Deveria haver alguém de absoluta confiança com quem se pudesse falar, e eu nunca senti que houvesse. O Capelão? Católico. Os Graduados? Bye-bye Colégio. Professores? Confiar em quem?"

O assumir foi um processo longo. "Quando saí do Colégio precisei, acima de tudo, de me descobrir. Não foi imediato, nem fácil, e durante bastante tempo afastei-me dos meus camaradas. Penso que é natural, acontece por muitas razões. Também não adoptei uma atitude exibicionista. Basicamente, segui a minha vida."

"Houve um grupo do meu curso que manteve contacto intenso nos anos pós-Colégio. Isso tornou relativamente fácil os 'rumores' espalharem-se que nem fogo. Finalmente, num jantar de curso, confirmaram-se os rumores. Penso que alguém me perguntou abertamente aquilo de que já se desconfiava e eu confirmei."

"Como é que reagiram? Houve de tudo. Note-se que o meu afastamento da malta e os 'rumores' que iam ouvindo, deu-lhes algum tempo para se habituarem à ideia. Em geral, o silêncio foi a resposta inicial. Não tenho quaisquer ilusões sobre o que muitos acharam na altura, mas também não era a preocupação principal da vida deles. E pouco a pouco, com alguma persistência minha, foram-se vencendo algumas barreiras e agora, em geral, a atitude é de 'detente cordiale'. Continuo a provocar, espero que de maneira algo didáctica, a tentar que estejam mais à vontade com o assunto, e, em geral, penso que passou a ser um assunto menor, como eu gosto que seja."

"Eu reaproximei-me porque, queira ou não, vejo-os como família e sinto a falta de muitos deles, nem que seja de vê-los uma vez por ano. Tem sido um processo moroso, mas eu não estava disposto a abdicar do meu passado para viver o meu futuro."

Como é que o Pedro vê o Colégio da actualidade? "É altura de todos aceitarmos que, acima de tudo, o bem estar físico e mental de um aluno é superior ao interesse da Instituição. Penso que só quando aceitarmos isto poderemos reverter o declínio do Colégio. O Colégio tenta 'impingir' que é a nossa Casa, mas que raio de casa é esta que expulsa os seus filhos por serem quem são? É cruel. Acho que deve haver mais tolerância. Aceitar não é promover, é aceitar. E acima de tudo, apoiar quem precisa."

"O Colégio é tanto meu como de qualquer outro ex-aluno. Foi a minha casa durante oito anos. Tenho direito à minha voz dentro da comunidade de ex-alunos. Representei o Colégio enquanto aluno e continuo a representá-lo enquanto ex-aluno. Sou diferente dos outros ex-alunos, mas da mesma maneira que somos todos diferentes, ou seja, não valorizo a minha diferença."

"Não quero ser paladino de coisa nenhuma, eu gosto de paz e sossego, mas também não quero fugir de nada. O Colégio ensinou-me a ter coragem para ser quem sou e a não fugir de uma luta, por muito grande que pareça."

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Memórias do Baú CXXIII - A Visita dos "Craques"


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quinta-feira, fevereiro 07, 2008

O Curso de Pára-quedismo (Introdução)

Hoje em dia, saltar de pára-quedas "é para meninas".

O objecto em si passou a ser rectangular, resultando da junção de vários "tubos" de tecido fechados na parte posterior, e tem o nome de "asa", sendo possível voar, curvar e até travar.

A performance da asa depende da sua superfície, e se é verdade que as asas usadas pelos saltadores mais experientes, com superfícies inferiores a 180 pés quadrados, são excepcionalmente manobráveis e, como tal, exigem grande perícia na aterragem, as asas usadas para a instrução, com superfícies superiores a 260 pés quadrados, são extremamente estáveis, e só alguém muito "nabo" ou com muito azar consegue ter um acidente.

Nos "bons velhos tempos" dos pára-quedas redondos, aí sim, os "sobreviventes" tinham uma história para contar.

Os pára-quedas redondos têm uma manobrabilidade quase nula - e se escrevo "quase", é por respeito aos sargentos pára-quedistas que juravam a pés juntos que o pára-quedas era manobrável - e uma velocidade de aterragem não desprezável. De facto, mesmo considerando um vento fraco, a velocidade de aterragem é na casa dos 25 a 30 km/h, o que já dá para "fazer mossa". E se juntarmos a velocidade de aterragem com a imprevisibilidade do local de aterragem (estradas, pedras, árvores, casas, carros, cercas de arame farpado, postes eléctricos, cabos eléctricos, rios, lagos, gado, etc.), temos uma combinação vencedora para a criação de histórias para contar à lareira.

"No meu tempo" era tradicional haver um curso de pára-quedismo (com brevet desportivo civil) que era proporcionado pelo Colégio aos alunos finalistas que o desejassem. O curso era realizado na Base Escola de Tropas Pára-quedistas (BETP), em Tancos, com recurso aos mesmos meios humanos (instrutores) e materiais (simuladores, pára-quedas, aviões, etc.) utilizados na formação dos pára-quedistas militares. Só a preparação física não era (felizmente...) a mesma.

É sobre essa experiência, vivida no Verão de 1985, que escreverei alguns apontamentos curtos nesta série.

Continua em O Curso de Pára-quedismo (Parte I).

Fotografias extraídas de http://fotos.paraquedistas.com.pt.

domingo, fevereiro 03, 2008

Memórias do Baú CXXII - A Visita dos "Craques"


Carlos Lisboa é considerado por muitos o melhor basquetebolista português de todos os tempos.

Em 1985, no auge da sua carreira, veio ao Colégio a convite do Prof. Bernardino com o seu colega do Benfica Fernando Marques.

Foi uma sessão inesquecível pela qualidade dos convidados e pela forma como se integraram como iguais num jogo com um bando de "pernetas".

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quinta-feira, janeiro 24, 2008

Adenda à Compilação do Vocabulário Colegial

A compilação do Vocabulário Colegial (disponível no site da AAACM, secção de downloads) contém quase duas centenas de palavras ou expressões da gíria colegial.

A gíria colegial é uma entidade viva, que vai evoluindo de geração em geração, e por isso não é de estranhar que o número de termos que eu identifico como fazendo parte do meu Colégio não seja superior a um terço do total.

Puxando pela memória, identifiquei mais uma meia dúzia de palavras ou expressões que, ou não estão na lista, ou estão mas não estão explicadas de forma clara. Não sei se ainda se usam, mas a minha geração fez o seu trabalho, que foi recebê-las e passá-las à geração seguinte.

Cheiro a pé

Cheiro a transpiração dos pés (vulgo "chulé").

Despotismo

Exercer violência sobre camaradas mais fracos.

Despotista

Alguém que pratica despotismo.

Uma - uma e meia - duas - duas e meia - duas e três quartos - e às - de - te - re - ês

Forma de forçar o cumprimento de uma ordem, dando uma última oportunidade aos retardatários. A velocidade da contagem varia de acordo com o grau de tolerância, mas em nenhum caso se saltam os diferentes passos da contagem, permitindo aos retardatários adaptar o seu esforço ao tempo disponível.

Cona

Adjectivo masculino aplicado a alguém que não assume as responsabilidades pelos seus actos (não se acusa), levando por vezes à aplicação de um castigo colectivo.

Papel Caganal

Papel higiénico.

45 Graus

O vulgar "pontapé no cu", castigo ligeiro aplicado pelos graduados para faltas menores. A força pode variar com a gravidade, mas nunca há "biqueiradas".

Repetição

Segunda travessa de comida que vem no fim da refeição, e que é geralmente servida por ordem inversa à da primeira travessa.

Apresentação à Alvorada

Castigo "sem contacto", aplicado geralmente a faltas ligeiras. O castigado apresenta-se ao graduado fardado com a farda indicada (cotim ou pano) logo após a alvorada, fazendo posteriormente as trocas de farda necessárias para cumprir o castigo.

As variantes normais são "cotim", "pano" e "pano-cotim-pano", mas há variantes mais "criativas", tais como "pano-cotim-pano-cotim-pano", "pano-cotim-pano-bragas-pijama-pano" e ainda outras, mais raras, que envolvem a tala para limpeza de botões e/ou a porta do armário (esta última só era aplicada quando os armários eram de madeira).

sábado, janeiro 19, 2008

Memórias do Baú CXXI - Exercícios Militares


Partida dos "ratas" de 1984/85 para o acampamento.

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sexta-feira, janeiro 11, 2008

"Isto Não Define Quem Sou" (Parte I)

O Pedro (102/84) faz parte do curso que eu designo como "as minhas crianças". Numa fotografia tirada no 1º ano, podem ver-se alguns dos "ratas": em cima, 35, 54, 105, 58, 102, 107, 34 e 114; em baixo, 38, 120, 30, 93, 138 e 94; ao fundo, sempre atrasado... ;-), o 22.


A sua postura de "contestatário" ("cedo aprendi a pensar sozinho, a questionar dogmas e a opor-me abertamente a certas carneiradas do curso") e o destaque que tinha - era o aluno mais medalhado do curso - valeram-lhe um lugar no Comando ("3 estrelas"), um "exílio" comum, ao longo dos anos, a muitos outros alunos com as mesmas características, umas vezes por iniciativa dos próprios ("não me chateiem"), outras por iniciativa dos seus cursos ("não nos chateies").

Depois de sair do Colégio, passou pelo curso de Medicina, mas acabou por mudar para Biologia, a sua verdadeira paixão. "Como a qualidade do curso na Faculdade de Ciências não me entusiasmou, segui viagem para a Escócia, onde estive 3 anos, até terminar o curso. Depois de um curto regresso a Portugal, fui fazer o mestrado ao Imperial College, em Londres, e iniciei o doutoramento na Califórnia, mas senti-me muito longe de tudo e todos e ao fim de três meses regressei a Portugal para assumir a direcção do negócio da família, um lar de idosos. E é isso que faço há 5 anos. Entretanto conheci o meu companheiro, com quem vivo".

O Pedro concordou em falar sobre um aspecto da sua vida privada, mas teve o cuidado de fazer uma ressalva: "isto não define quem sou".

"[A consciência da diferença] surgiu com a puberdade, no terceiro ano, enquanto estava na segunda. [...] Foi bastante automático perceber que havia algo de 'errado' com o que eu estava a sentir, mas durante muito tempo iludi-me a pensar que era uma fase absolutamente natural [...] - afinal, até tinha lido sobre isso.... Mas senti-me logo diferente e comecei a ter muito cuidado com o que dizia ou expressava. Seria um cuidado que viria a dominar por completo o meu percurso no Colégio".

Mais do que uma análise psicológica e/ou social sobre o que fazia ou não sentido que fossem as regras de uma instituição como o Colégio, era importante que se percebesse quais eram as regras da instituição (as escritas e as não escritas), que se estivesse de acordo com as mesmas, e que estas se cumprissem. Sempre que as regras estabelecidas não eram cumpridas, havia lugar a uma penalização, e havia regras cuja penalização era a saída. Discutir se as regras eram justas ou não, e se eram aplicadas da forma correcta, levaria certamente a análises profundas, que não estão no âmbito deste "post".

"[O contacto com as regras da instituição] aconteceu logo no primeiro ano. Tinha havido um caso de expulsão de alunos da Terceira [...]. O CB veio à Primeira, muito no início, e explicou que o caso tinha chegado aos jornais e que alguns alunos tinham feito o impensável ou eram o impensável. Explicou-nos que no Colégio esses comportamentos eram inaceitáveis e que a expulsão era o único caminho possível para quem se atrevesse a cruzar essa linha".

Apesar de não ter "cruzado a linha", o Pedro estava convencido (e provavelmente com razão) de que o simples facto de assumir a diferença seria fatal para a sua permanência no Colégio. "Vivia em estado de alerta permanente. Sabia que tinha que ser extremamente regrado e controlado, nunca discutir o assunto. Lembro-me de uma manhã um camarada vir ter comigo, estava eu no quarto ano, na Terceira, e dizer que eu tinha falado durante a noite. Fiquei absolutamente em pânico e não descansei até, com calma, perceber exactamente o que tinha dito. Mas vivia também com tranquilidade: penso que me habituei ao 'medo', se assim se pode chamar".

"[Como graduado,] houve um caso com uns putos da Primeira que me marcou profundamente e 'esfregou' a minha diferença na cara. As discussões em reuniões de curso foram-me muito, muito duras. Primeiro porque, cobardemente, não pude assumir a diferença - nessa altura já não havia qualquer dúvida na minha cabeça, eu sabia que nome tinha o que eu sentia - e isso custou-me muito. Segundo, por ver e ouvir os preconceitos e desumanidade de um número substancial dos meus camaradas. Não deixei de lutar pelo que achava certo, mas perdi. Foi um momento marcante, e percebi exactamente o tipo de preconceito que tinha que enfrentar na minha vida. Decidi, nessa altura, que queria acabar o Colégio, mas que daí em diante, no resto da minha vida, nunca mais me acobardaria por causa de ser quem sou. Escusado será dizer que faço cedências diariamente... Mas, no essencial, tento respeitar a minha decisão de então".

Continua em "Isto Não Define Quem Sou" (Parte II).

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Memórias do Baú CXX - Exercícios Militares


Partida dos "ratas" de 1984/85 para o acampamento.

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quarta-feira, janeiro 02, 2008

Destaques de Novembro e Dezembro de 2007

Este "post" apresenta os destaques do "blog" referentes aos meses de Novembro e Dezembro de 2007.

No tema A Foice em Memória Alheia, foi concluída a série Uma Aula de Condução Sem um Final Feliz.

No tema A Actualidade, e na sequência do artigo Centenário do Nascimento de um Notável Matemático, escrito e enviado para publicação pelo "Bata", foi publicado um "post" sobre a Fotobiografia de António Aniceto Monteiro (Ex-78/1917).

No tema Memórias do Baú, continuam os Exercícios Militares e A Viagem de Finalistas.

Merecem sempre destaque no "blog" o Índice Temático e os Comentários Anteriores.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Fotobiografia de António Aniceto Monteiro (Ex-78/1917)

Ouvi falar pela primeira vez em António Aniceto Monteiro através do "Bata", que me referiu estar a fazer um levantamento dos ex-alunos que se distinguiram na área da Matemática. Na altura, referiu-me que António Aniceto Monteiro era considerado por muitos o matemático português mais importante do Séc. XX, e que a Sociedade Portuguesa de Matemática estava a preparar um trabalho para comemorar os 100 anos do seu nascimento.

Por isso, foi com grande expectativa que abri o livro "António Aniceto Monteiro - Uma fotobiografia a várias vozes", que chegou às minhas mãos poucos dias depois do lançamento oficial.

O primeiro contacto com o livro deixa imediatamente perceber que a dimensão de António Aniceto Monteiro extravasa a do universo da matemática: a capa contém a reprodução de um retrato do matemático feito por Arpad Szenes no Rio de Janeiro.

Uma análise em maior profundidade mostra uma cobertura de todos os aspectos da vida pessoal e profissional de António Aniceto Monteiro, começando pelos seus pais, passando pela sua frequência do Colégio Militar e analisando com detalhe cada uma das fases da sua vida e da sua carreira.

Uma das facetas importantes é a da sua oposição ao "Estado Novo", sendo que a recusa em assinar uma declaração de integração "na ordem social estabelecida" lhe valeu a impossibilidade de ser funcionário público, o que acabou por ditar a sua saída para o estrangeiro.

Não resisto a reproduzir uma citação (pag. 88) de um texto do Armando Girão (ex-426/1917):

"Procurei o Aniceto e assim me esforcei por demovê-lo, não só por ele, que necessitava de ganhar a vida, mas na plena consciência de que o Instituto Superior Técnico perdia um mestre de altíssima craveira.

Perante a teimosia do Aniceto, perguntei-lhe por fim se ele afinal era comunista e por isso não assinava o papel. E logo o Aniceto retorquiu: 'não sou comunista nem acredito que venha a sê-lo, mas a declaração diz que não sou nem serei, e não aceito limitações à minha inteligência'.

Grande Menino da Luz, foi esta a lição que o Aniceto me deu e que nunca mais esqueci
".

Considero que esta fotobiografia é excelente, e que o trabalho é mais valioso ainda se se tiver em conta de que o público-alvo é limitado (a tiragem é de 1.500 exemplares).

Por isso, se forem à FNAC (uma das livrarias que vende esta obra), não percam a oportunidade de conhecer melhor um ex-aluno que, pela sua carreira e pela forma como lutou pelas suas convicções, foi agraciado, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada.

Entretanto, não deixem de ler o artigo "Centenário do Nascimento de um Notável Matemático" e de visitar o "blog" dedicado a António Aniceto Monteiro.

domingo, dezembro 23, 2007

Memórias do Baú CXVIII - Exercícios Militares


Partida dos "ratas" de 1984/85 para o acampamento.

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domingo, dezembro 16, 2007

Memórias do Baú CXVII - Exercícios Militares


Carregueira, 1985.

Fotografados: 207/78, "Básico" (Alferes), 439/76 e 467/77.

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