quinta-feira, junho 18, 2009

Os 25 Anos de Entrada (Parte III)

Continuação de Os 25 Anos de Entrada (Parte II).

O "Monhé" (88/1977).

Continua em Os 25 Anos de Entrada (Parte IV).

quarta-feira, junho 17, 2009

Os 25 Anos de Entrada (Parte II)

Continuação de Os 25 Anos de Entrada (Parte I).


O Santos (207/1978), o Prof. Dario, o "Cheetah" (509/1977) e o Freire (47/1977).

Continua em Os 25 Anos de Entrada (Parte III).

sábado, abril 04, 2009

Os 25 Anos de Entrada (Parte I)

Março de 2003.

O tempo voa...

Os 25 anos de entrada chegaram sem percebermos bem como, e lá fomos nós fazer o que os "velhos" faziam, ou seja, os discursos, as fotografias, as flores, a placa, as fotografias na "Enferma", o desfile do Batalhão, o almoço, etc... e, no entanto, somos novos!

Os nossos sucessores demonstravam alguma dificuldade em perceber que aqules "engravatados" ainda há poucos anos andavam, tal como eles, a jogar à bola com esfregões de arame no intervalo das aulas. Depois de algumas perguntas, percebemos que os professores já não são os mesmos, os vigilantes já não são os mesmos, nem há a Júlia, o Madeira ou o Sr. Ralo; só mesmo o Leonel parece ter resistido ao tempo.


Foi a oportunidade de rever alguns camaradas que já não víamos desde a saída, porque a vida dá muitas voltas e alguns esquecem-se do caminho para o Largo da Luz, ou para a Avenida da Liberdade no dia do desfile.

Continua em Os 25 Anos de Entrada (Parte II).

segunda-feira, março 02, 2009

"Hoje Ainda Não Chorei..."

"Hoje ainda não chorei, mas quando chegar lá abaixo não me vou aguentar", dizia uma mãe para outra.

De facto, não há nada mais bonito do que o Batalhão a desfilar na Avenida.

sábado, fevereiro 21, 2009

Era Uma Vez Um Jornal...

Devo começar por referir que nunca fui um leitor habitual do "Diário de Notícias", mas tinha a imagem de um jornal sério, com um Director e jornalistas responsáveis, que publicam notícias e fazem comentários com base em factos.

Por isso, quando vi na primeira página do dia 18 de Fevereiro o título "Cinco alunos do Colégio Militar internados por excesso de treino", fiquei, antes de mais, confuso. Por um lado, tratando-se de um jornal sério, a notícia teria fundamento; por outro lado, sabendo o que sei sobre a forma como os treinos são limitados para evitar queixas por parte dos pais, e nem sequer quando eram "ilimitados" havia alunos a ir parar ao hospital, não estava a imaginar como é que cinco alunos teriam ido parar ao hospital por causa dos treinos, a não ser que tivesse havido um qualquer outro factor adicional.

O texto não era claro quanto aos motivos, referindo que "a direcção da escola [...] vai clarificar a situação", adiantando no entanto que "esta não é a primeira vez que o excesso de exercício físico obriga ao internamento de alunos". Quantos? Quando? Não interessa. Desde que já tenha acontecido uma vez, nem que tenha sido há 30 anos, a afirmação é verdadeira, e por isso legítima. Mas, como jornalismo, é fraco.

Fiquei sem perceber como é que um assunto destes, numa situação em que "os cinco estudantes já estarão bem e em breve terão alta", justificava uma chamada à primeira página, mas são critérios jornalísticos.

No dia seguinte, 19 de Fevereiro, nova chamada à primeira página, na mesma localização, com o título "Queixas-crime no Colégio Militar". E a peça começava com "Violência.". Aha! Finalmente fez-se luz sobre a chamada à primeira página no dia anterior, que não era mais do que usar a situação como preâmbulo para o regresso aos casos de 2006, traçando um paralelo destinado a insinuar que se tratam de casos de violência. E até cita o Presidente da AAACM, ao qual a jornalista perguntou de vinte formas diferentes se era (em termos genéricos) impossível que houvesse situações de violência entre os alunos do Colégio, e conseguiu arrancar um "onde há crianças e adolescentes é óbvio que há disparates", o que no entender dela, esclarecerá tudo em relação à presente situação. Como jornalismo, é muito fraco.

Lembrei-me do "Público" e do espaço publicitário no canto superior direito da capa, que foi durante muitos anos ocupado pela maçã colorida da Apple. Parece que o "Diário de Notícias" tem o espaço abaixo do título reservado para quem o quiser usar para atacar instituições à escolha, e alguém reservou esse espaço em duas edições consecutivas para atacar o Colégio Militar.

No dia 20 de Fevereiro, novo artigo sobre o tema, agora no interior, porque o espaço na capa deve ser caro e o estrago já está feito. O sub-título diz "mãe de um ex-estudante diz que o filho passou pelo mesmo e que tudo resulta de castigos". A mãe não faz ideia se este caso resulta ou não de castigos, a jornalista também não, mas não faz mal, a mãe afirma que sim e a jornalista publica. Como jornalismo, é muito, muito fraco.

A menos que o Director do "Diário de Notícias" tenha alguma coisa pessoal contra o Colégio, trata-se de uma situação em que está a fazer um "frete" a algum partido, ala de partido ou grupo de pressão que quer prejudicar a imagem do Colégio.

Em relação à imagem que eu tinha de um "Diário de Notícias" sério, é caso para dizer "era uma vez um jornal..."

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Memórias do Baú CXXXII - O Curso de Pára-quedismo

No ar!...

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domingo, janeiro 04, 2009

O Que Há Num Número?

Quando entrei para o Colégio, já ia preparado para todos os aspectos relacionados com a vida militar, tais como a farda, as formaturas, a ordem unida, a disciplina, etc. Sabia também que ia ter um número, que a minha mãe tinha bordado em todas as peças do meu “enxoval”.

O que não sabia é que esse número ia passar a ser a minha identidade. Ia-se acabar o “Pedro” da escola primária e ia passar a haver o “três-cinco-sete”. “Três-cinco-sete” para os graduados, “três-cinco-sete” para os professores e oficiais, e até “três-cinco-sete” para os outros miúdos de dez anos que tinham entrado comigo, e que, como eu, abdicaram das suas identidades para serem tratados por números. Isto ao princípio fez-me muita confusão, mas acabei por me habituar.

Algumas semanas depois, começaram a chegar ao Colégio cursos de Antigos Alunos que comemoravam aniversários de entrada ou saída, e cada Antigo Aluno queria conhecer o aluno que tinha o mesmo número que ele tinha tido, trazia uma lembrança para ele, almoçava ao lado dele e conversavam como se tivessem sido companheiros de carteira no Colégio. E tudo isto porque ambos partilhavam o mesmo número no Colégio, e o mais antigo era designado por antecessor e o mais novo por sucessor. Percebi que os Antigos Alunos que não tinham sucessor ficavam decepcionados, e comecei a ficar decepcionado de cada vez que havia uma visita de um curso e não havia um antecessor meu.

A pouco e pouco, fui-me apercebendo de que havia uma mística associada aos números que não era fácil de explicar.

Havia situações em que os alunos “herdavam” os números de familiares (pais, avós, tios, etc.), sendo o número considerado uma espécie de “património familiar”. Os alunos que tinham números que tinham pertencido a figuras de destaque em termos militares, políticos, ou outros (números por vezes escolhidos de propósito pelos pais), ou aqueles cujos antecessores tinham tido graduações de destaque, sentiam um orgulho especial, como se o número lhes transmitisse uma parte do mérito do antecessor.

Mas o mais inexplicável são os laços que se estabelecem entre Antigos Alunos de diferentes gerações que não têm como base família, gostos, afinidades ou experiências pessoais, mas apenas o facto de, na maioria das vezes por mero acaso, terem partilhado o mesmo número no Colégio. Há até Antigos Alunos que organizam jantares entre todos os camaradas que tiveram o mesmo número.

Foi numa visita ao Colégio realizada em 2003, para comemorar os 25 anos de entrada, que conheci o Nuno Bragança, um dos meus sucessores. Apesar das dificuldades iniciais – os alunos têm alguma dificuldade em perceber que os Antigos Alunos (pelo menos quando vão ao Colégio) têm a mesma idade que eles – cedo se estabeleceu um bom relacionamento e a tradicional cumplicidade entre quem partilha a vivência do Colégio.

Contactei-o mais tarde, já como graduado, e algumas vezes depois de ter saído do Colégio, para saber como as coisas lhe estavam a correr, disponibilizando-me para o ajudar no que fosse preciso.

Ninguém merece partir tão cedo, e o falecimento de um jovem é sempre um choque, mas este para mim foi um choque especial, por motivos que a maior parte das pessoas talvez não compreenda nem me reconheça o direito a ter.

À família e aos amigos, deixo a expressão do meu profundo pesar por esta sua perda; para o meu sucessor, o 357/97, fica um abraço especial do 357/77. A sua memória ficará para sempre comigo.

sábado, dezembro 27, 2008

Sozinho em Casa (Parte II)

Continuação de Sozinho em Casa (Parte I).

Percorri todas as companhias e todas camaratas para ver as novidades.

Na sala de leitura da Primeira, foi possível verificar que os quadros dos Comandantes de Companhia foram alterados. Continuam a ser "toscos", mas já têm a informação correcta, ou seja, o "Fru-fru" já está no sítio.

Nas casas de banho, os lavatórios e os urinóis são novos, e as sanitas têm tampo... que "luxo".

As camaratas da Primeira e da Segunda agora têm os seus próprios balneários. Já não é preciso atravessar "meio Colégio" e ir até à parte de baixo do refeitório, onde os chuveiros estavam tão calcinados que as torneiras tinham que ser abertas e fechadas "à chinelada", e a água saía por apenas dois ou três dos buraquinhos com uma pressão dolorosa e a uma temperatura que oscilava constantemente entre o muito frio e o muito quente.

Os balneários da Terceira e da Quarta são os mesmos, mas agora têm entrada directa a partir das respectivas companhias. Bastou furar uma parede... genial.

Os cantos dos graduados estão sóbrios... nada de exageros como no passado.

Na sala de leitura da Quarta há uma mesa de snooker... muita utilidade teriam os tacos em algumas sessões de "investiga-pancadaria", como lhes chamou o JAGS, um comentador habitual deste "blog".

Na Terceira encontrei dois graduados, com os quais estive à conversa durante uns minutos. No meio da conversa, perguntei-lhes se sabiam o que havia no meu tempo no espaço exterior entre as duas camaratas da Terceira. Olharam um para o outro... a avaliar pela diferença de gerações e pelas habituais histórias de "no meu tempo" que os ex-alunos contam, devem ter pensado "uma horta cultivada pelos alunos", ou "os estábulos"... Quando eu lhes disse "um court de ténis" olharam um para o outro... "uau, um court de ténis, que fixe", disse um deles. Sim, no lugar actualmente ocupado por um parque de estacionamento com ar degradado (quem é que alguma vez terá estacionado aqui?) havia um court de ténis...

E eu deixei-os, enquanto pensava "no meu tempo é que era fixe"...

domingo, dezembro 21, 2008

Memórias do Baú CXXXI - O Curso de Pára-quedismo


O instrutor - o 1º Sargento Calhau(*) - aguarda tranquilamente o momento de nos mandar pela porta fora...

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(*) Identificação feita com o apoio do fórum http://forumpq.paraquedistas.com.pt.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Sozinho em Casa (Parte I)

Numa noite de Dezembro, dirigi-me ao Colégio para participar no Jantar de Natal da AAACM.

Cheguei por volta das 19h00 e, como o jantar estava marcado para as 20h30, resolvi ir dar uma volta até ao Corpo de Alunos para reavivar memórias antigas.

Atravessei o "Jardim da Enferma", completamente às escuras. Vieram-me à memória as inúmeras vezes que o atravessei num sentido e no outro, com diferentes emoções. Recordei em especial o banho no lago no último dia de aulas, e a última vez que o atravessei fardado de pano(*).

Passei pela "Enferma", também completamente às escuras. Será que alguém ainda fica doente na "Enferma"?

A parada também estava completamente às escuras. Há claramente uma intenção de poupar energia.

Ao chegar à frente do Corpo de Alunos, verifiquei na prática o que já me tinha sido dito: os velhos caixilhos de ferro foram substituídos por caixilhos de alumínio, e os vidros transparentes deram lugar a vidros foscos.

No meu tempo de Colégio, os vidros eram transparentes, mas não víamos para além deles, nem éramos vistos através deles.

Quando olhávamos para eles, não víamos mais do que o nosso reflexo, umas vezes com olhar fosco, à espera do fim da "ladainha" dos Graduados, outras vezes com olhar de vítima, outras ainda com olhar de juiz.

Nunca tive evidências de que o "mundo exterior" conseguisse ver através dos vidros, e terá havido uma dúzia de vezes em que desejei ardentemente que houvesse alguém ou alguma coisa do outro lado do vidro, para além do meu reflexo.

Nunca nenhuma decisão foi tomada em função da transparência ou opacidade dos vidros; nunca nada foi ocultado do exterior, porque a sociedade era fosca o que se passava no Colégio só ao Colégio dizia respeito.

Actualmente os vidros são foscos, mas a visão a partir do exterior é cristalina. Qualquer coisa que se passe no Colégio é imediatamente vista pelos pais, pelos respectivos advogados e pelas muitas autoridades relacionadas com crianças. É muito mais difícil ser Graduado. Aliás, é impossível ser Graduado.

Em relação ao Corpo de Alunos, é caso para dizer "vidros transparentes numa sociedade fosca, e vidros foscos numa sociedade transparente".

Mas voltemos à narrativa: entrei no Corpo de Alunos, "fintei" o Oficial de Dia e fui pelas escadas acima em direcção à Primeira.

Continua em Sozinho em Casa (Parte II).

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(*) De facto, houve três vezes em que achei que era a última vez: no fim dos Exames Nacionais do 8º ano, no fim do Curso de Pára-quedismo, e após uma consulta no dentista a que tive que ir por causa de uma massa que caiu.

segunda-feira, junho 30, 2008

Volto já!...

Manter um "blog" é uma actividade que, se for "levada a sério", dá muito trabalho. Percebi isso quando, depois do impulso inicial, me vi na "obrigação" de ter ideias novas e de arranjar conteúdos novos a um ritmo que permitisse manter o "blog" nas rotinas dos visitantes que entretanto conquistei.

No entanto, nos últimos meses o "blog" tem vindo a registar um descréscimo significativo no número de "posts".

Falta de tempo? Não. Acredito que conseguimos sempre arranjar tempo para as coisas que são importantes para nós.

Falta de importância? Sim, em termos relativos. Desde 18 de Março que tenho a honra e o prazer de pertencer à Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM), e a progressiva "imersão" nos assuntos da AAACM fez com que eu quase esquecesse o "blog". Afinal de contas, tratar dos assuntos do presente e do futuro do Colégio, bem como da nossa memória colectiva, é muito mais motivador do que tratar da minha memória pessoal.

Sendo assim, tomei a decisão de deixar oficialmente o "blog" em "banho-maria".

Mas volto...

sexta-feira, junho 20, 2008

Memórias do Baú CXXX - O Curso de Pára-quedismo


Fotografia tirada na "final", poucos segundos antes de saltar o primeiro pára-quedista.

Em baixo, para comparação, está uma fotografia actual do Aeródromo.


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domingo, junho 01, 2008

De Que Ano É Este Colégio? (Parte III)

Continuação de De Que Ano É Este Colégio? (Parte II).


Aqui está a terceira (e última) fotografia da série, que a "memória olfactiva" do JAGS (ver comentário à Parte II) coloca em 1981/82.

quinta-feira, maio 22, 2008

O Curso de Pára-quedismo (Parte IV)

Continuação de O Curso de Pára-quedismo (Parte III).

Os Saltos em Évora

Depois dos dois primeiros saltos em Tancos, fomos para Évora com o objectivo de fazer os últimos quatro saltos num só dia.

De manhã havia algum vento, e o oficial pára-quedista responsável achou que não havia condições para saltar. Andámos pelo aeródromo a "fazer tempo", até que acabámos por ir almoçar. À tarde estava aparentemente o mesmo vento, mas o oficial "olhou com mais atenção" para o anemómetro e acabou por concluir que havia condições para saltar… ;-)

Tínhamos, assim, poucas horas para fazer 4 saltos. Cada salto significava uma descolagem com 4 pára-quedistas e a realização de 2 passagens sobre o Aeródromo, largando 2 pára-quedistas em cada passagem, o que implicava a realização de 8 voos, com cerca de 40 minutos cada: 15 minutos para subir e posicionar, 15 minutos para as 2 passagens e 10 minutos para descer. Com o tempo disponível, o avião não ia parar.

Se o avião não parou, houve alguns "desgraçados" que também não pararam. O último a saltar em cada voo (que, infelizmente, era o meu caso) demorava alguns minutos a chegar ao chão e mais alguns minutos a enrolar o pára-quedas, e depois tinha uma longa caminhada até ao Aeródromo, que incluía passar pelo menos 2 cercas de arame farpado. Esta caminhada demorava 20 minutos, e assim que chegava tinha que se voltar a equipar à pressa, porque o avião já tinha largado os pára-quedistas do voo seguinte e já estava a vir para baixo.

Depois de levar um pára-quedas "novo" às costas e de ser apertado até quase não conseguir respirar, seguia-se mais meia hora de voo (leia-se “enjoo”) até ao salto seguinte.

E quanto a feridos? Se o primeiro ferido ligeiro foi o "Escroque" (ver a Parte II), o primeiro incapacitado foi... o "Escroque".

Eu tinha acabado de fazer o 3° salto do dia, e fazia a minha caminhada apressada de saco às costas de regresso ao Aeródromo, quando, como era habitual, passei pelo sítio onde estava a aterrar o primeiro pára-quedista do voo seguinte, que era o "Escroque".

Após a aterragem, o "Escroque" ficou estendido no chão, a olhar para o céu, com o pára-quedas cheio, embora sem ser arrastado. Já que estava por ali, baixei-lhe a calote e fui ter com ele. Era normal que, no fim de cada salto, desde que não fosse necessário levantar-se imediatamente para segurar o pára-quedas, cada um de nós ficasse no chão durante uns instantes, quer a agradecer ao Criador ainda estar vivo, quer a contar os ossos para ter a certeza que estavam todos inteiros.

Aparentemente o "Escroque" já tinha contado os ossos, e a contagem tinha falhado: não conseguia mexer um dos braços. Tentou levantar-se, mas a dor foi tanta que ficou imóvel.

Esbracejei a pedir ajuda, e apareceram reforços. Um dos primeiros a aproximar-se foi o Director do Colégio, que tinha chegado entretanto para a cerimónia de entrega dos brevets. Quando o Director chegou, eu estava a acabar de soltar o arnês do "Escroque", e ele esbracejava desesperadamente de dor com o braço "bom".

O Director perguntou-lhe simpaticamente qual era o problema, e o "Escroque" disse-lhe que não conseguia mexer o braço. O Director perguntou-lhe "qual?", e o "Escroque" olhou para ele com um ar surpreendido, porque agitava um dos braços, enquanto o outro estava imóvel.

Ainda o “Escroque” estava a pensar na pergunta anterior, quando o Director resolveu ajudá-lo a levantar-se, puxando-o pelo braço "bom". O "Escroque" fez uma expressão de dor e gritou um sonoro "larga-me, car@lh&!", e nessa altura o Director achou que era melhor chamar ajuda especializada.

O "Escroque" foi levado ao hospital, onde lhe foi diagnosticada uma fractura na clavícula.

Voltou já no fim do dia, todo ligado, e ainda tentou voltar connosco para Lisboa, mas a trepidação da velha “TP-21” frustrou-lhe os planos...

Continua em O Curso de Pára-quedismo (Parte V) (a publicar).

Fotografias extraídas de http://fotos.paraquedistas.com.pt.

domingo, maio 11, 2008

Memórias do Baú CXXIX - O Curso de Pára-quedismo


Ao contrário da subida no Aviocar, que tinha sido "rápida e indolor", a subida no Dornier 27A-3 era lenta e agonizante, devido à menor potência do motor e ao maior calor que se fazia sentir em Évora.

Dava muito tempo para pensar "o que é que eu estou a fazer aqui?"...

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terça-feira, abril 29, 2008

"Alguém" - Menau

"'Para alguém sou um lírio entre os a&ro%$#»...'", ditou o Menau, enquanto andava de um lado para o outro da sala, à frente do quadro.

"Desculpe, 'Stor', entre os quê?"

"A&ro%$#»."

"Desculpe, 'Stor', não percebi. Entre os agrolhos?"

"Não é a&ro%$#», é a&ro%$#»!"

"Agrórios?"

"Vós sois surdos, ou quê? A&ro%$#»! 'Para alguém sou um lírio entre os a&ro%$#»...'"

O Menau tinha um sotaque nortenho carregado, e falava de uma forma arrastada, projectando uma chuva de perdigotos até uma distância de 2 metros. Não valia a pena insistir nos pedidos de repetição; após uma troca furtiva de opiniões, concluímos que provavelmente a palavra alienígena seria "abrórios". Por acaso não era, mas tanto faz, estava resolvido o impasse e seguíamos em frente.

"'... E tenho as formas ideais de Cristo...'"

"'... E tem as formas ideais...'"

"'E tenho'! TENHO!"

"'... Para alguém sou a vida e a luz dos olhos...'"

"'... E, se na terra existe, é porque existo'."

A declamação foi prosseguindo a um ritmo acelerado, e com ela todas as dúvidas que iam sendo colocadas em relação a palavras cuja dicção não era a mais clara. A cada interrupção, o Menau reagia com uma irritação progressivamente maior, mas não era uma irritação normal, era uma irritação misturada com... emoção?!

A malta começou a sentir que se passava qualquer coisa de anormal, e imediatamente o ditado se transformou num jogo no qual quem fizesse a interrupção mais irritante ganhava. Mesmo que a frase fosse clara, havia sempre quem obrigasse o Menau a repeti-la várias vezes, o que ele fazia com crescente irritação, mas sem a fúria destinada a situações deste tipo, a mesma fúria devastadora que dirigia habitualmente a quem usava repetidamente a palavra "portanto".

"'...Esse alguém abre as asas no meu leito...'"

"'... do meu leite...'"

"'No meu leito'! 'NO MEU LEITO'!"

A tensão crescia, e o clímax aproximava-se. Finalmente, o Menau murmurou um doloroso "'... És tu, doce velhinha, ó minha mãe!'".

Após um breve silêncio, surgiu a pergunta inevitável: "... 'Stor', 'ó minha quê'?".

"'... Ó minha mãe'! Mãe! MÃE! Vós sois uns insensíveis! Vós não tendes mãe? Vós não mereceis as mães que tendes!". O Menau mal conseguia falar, com a voz completamente embargada pela emoção. Escorriam-lhe lágrimas pela face, que ele limpava enquanto balbuciava frases completamente imperceptíveis.

Passaram uns minutos até que o Menau recuperasse completamente a compostura, e a aula prosseguiu com o programa habitual: chamadas ao quadro feitas a voluntários previamente seleccionados por nós, que eram os únicos que faziam o TPE.

Por ocasião do Dia da Mãe, com uma dedicatória especial ao Menau e a todas as Mães do mundo, aqui fica o poema de Gonçalves Crespo, "ALGUÉM".

ALGUÉM

Para alguém sou um lírio entre os abrolhos,
E tenho as formas ideais de Cristo;
Para alguém sou a vida e a luz dos olhos,
E, se na terra existe, é porque existo.

Esse alguém, que prefere ao namorado
Cantar das aves a minha rude voz,
Não és tu, anjo meu idolatrado,
Nem, meus amigos, é nenhum de vós!

Quando alta noite me reclino e deito
Melancólico, triste e fatigado,
Esse alguém abre as asas no meu leito,
E o meu sono desliza perfumado.

Chovam bênçãos de Deus sobre a que chora
Por mim além dos mares! Esse alguém
É de meus dias a esplendente aurora,
És tu, doce velhinha, ó minha mãe!

quarta-feira, abril 23, 2008

Memórias do Baú CXXVIII - O Curso de Pára-quedismo


A fotografia mostra o avião no qual fizemos os últimos 4 saltos do curso, o Dornier 27A-3 de matrícula CS-AQS, uma "relíquia" do final da década de 50.

Quando, 9 anos mais tarde, voltei ao Aeródromo de Évora, ninguém queria acreditar que eu ainda tinha voado na DO (dê-ó, no género feminino, como o avião era carinhosamente tratado). O piloto da altura, o Comandante Elyseu, ainda por lá andava, e confirmou que esse deverá ter sido o ano de despedida da DO, para dar lugar aos mais modernos e eficientes Cessna 182.

Sem o saber, voámos num avião "mítico".

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domingo, abril 13, 2008

O Curso de Pára-quedismo (Parte III)

Continuação de O Curso de Pára-quedismo (Parte II).

O Primeiro Salto

8 de Agosto de 1985. Finalmente, após um período de treino intensivo, chegou o dia do nosso primeiro salto.

Após o pequeno-almoço, fomos levados até à placa da Base Aérea de Tancos, onde nos equipámos.

Os nervos e a adrenalina faziam com que reinasse a boa disposição. Os instrutores gritavam perguntas, às quais respondíamos em coro. "Vamos saltar? SIIIIM! Alguém tem medo? NÃÃÃÃÃÃO!" Mais tarde, a caminho do avião, combinámos que, antes de saltar, à pergunta "alguém tem medo?" responderíamos em coro "o Aspirante Bonito!".

Neste nosso primeiro salto não íamos sozinhos. Faziam-nos companhia cerca de duas dezenas de instruendos pára-quedistas, e o que nos começou a perturbar foi o ar visivelmente assustado que todos eles tinham. Estavam brancos como a cal, e não diziam uma palavra.

Pouco a pouco, começámos a meter conversa. Era o primeiro salto? Não, era para aí o quinto ou sexto... então porquê o ar de pânico?

Percebemos então que este grupo tinha "descolado" de vários cursos devido a acidentes em saltos. Todos eles tinham partido alguma coisa (braços, pernas, etc.) ou feito queimaduras em arrastamentos em saltos anteriores há alguns meses. Agora, à medida que iam ficando curados, tinham que fazer os saltos em falta para poderem receber a boina.

Para eles, os acidentes na aterragem não eram uma ameaça, mas sim uma realidade que já tinham vivido e que os tinha incapacitado temporariamente, e era por isso que estavam perturbados.

Depois de equipados, avançámos para o Aviocar e ocupámos os nossos lugares. Poucos minutos depois, o avião descolou.

O barulho no interior tornava as conversas difíceis, e nessa altura também já não havia muita vontade de conversar, pelo que aguardámos com a tranquilidade possível o momento do salto.

A data altura, o sargento que tinha a função de largador abriu a porta do avião, e pudemos todos olhar lá para fora. Viam-se com clareza as árvores, as casas, os carros... íamos saltar desta altura? Estávamos quase no chão!

Ao sinal combinado, levantámo-nos e encaixámos a peça metálica da nossa tira extractora no cabo de aço que passava por cima das nossas cabeças. Seria essa tira que permitiria ao nosso pára-quedas sair automaticamente do seu saco e abrir-se.

À pergunta "alguém tem medo?", gritámos "o Aspirante Bonito!", mas o barulho era tanto que não deu para perceber.

Depois, foi como nos filmes: apagou-se a luz vermelha e acendeu-se a luz verde, e o largador fez sinal ao Aspirante Bonito para avançar. Houve um momento de pausa, durante o qual o Aspirante Bonito tentou perceber se aquele sinal de avançar era efectivamente o sinal de avançar, ou simplesmente algum movimento extemporâneo feito pelo largador. Desfeita a "dúvida", o Aspirante Bonito saiu finalmente pela porta fora, e atrás dele foram todos os restantes saltadores, de forma mecânica.

"Trezentos-e-trinta-e-AAAAAAAHHHHHHHH!". Em menos de um instante o pára-quedas estava aberto, ainda com os cordões quase paralelos ao chão, e depois balançou até atingir a posição normal de descida. À medida que o avião se afastou, ficou um silêncio total.

Olhei em volta para ver onde estavam os outros. Alguns estavam mais abaixo, enquanto outros pareciam ter apanhado correntes ascendentes e estavam a ficar "para trás". Experimentei puxar as tiras, apenas para confirmar a suspeita de que não adiantava nada, e deixei-me ir a gozar o momento.

O chão aproximava-se rapidamente, e chegou o momento de preparar a aterragem. Puxei as tiras para o peito e coloquei as pernas na posição correcta...

O contacto com o chão foi forte, mas suportável. Levantei-me e corri até o pára-quedas se "fechar", evitando assim ser arrastado. Estava terminada a aventura do primeiro salto.

Depois de enrolarmos e ensacarmos os pára-quedas, juntámo-nos todos para partilhar as experiências. Um Oficial pára-quedista aproximou-se e deu-nos os parabéns: "Estiveram muito bem! Só houve um que parecia um 'saco de batatas' a cair no chão". Rimo-nos todos e quisemos saber quem tinha sido. "Foi logo o primeiro", disse-nos o Oficial. O Aspirante Bonito era o "saco de batatas".

Continua em O Curso de Pára-quedismo (Parte IV).

Fotografias extraídas de http://fotos.paraquedistas.com.pt.

sábado, abril 05, 2008

De Que Ano É Este Colégio? (Parte II)

Continuação de De Que Ano É Este Colégio? (Desafio).

Lancei há dois anos um desafio no sentido de determinar a data de uma fotografia aérea do Colégio publicada na "História do Colégio Militar", Volume II. Esta fotografia encontra-se também no Museu do Colégio.

Nestes dois anos não consegui determinar a data da fotografia (há que dizer que não me esforcei muito... a resposta há-de vir ter comigo), não sendo possível definir assim o vencedor do desafio.

Entretanto, "tropecei" acidentalmente em mais um momento do voo.


Isto ajuda a determinar a data?

Continua em De Que Ano É Este Colégio? (Parte III).

sábado, março 29, 2008

Tens Medalhas a Haver do Colégio?

Em 1980, um Director resolveu alterar o regulamento das medalhas.

Para além de algumas situações curiosas, como a aplicação das novas regras com retroactividade e outras coisas do género, a grande inovação - claramente à frente do seu tempo - foi a criação de "medalhas virtuais": medalhas que tinham diploma, laço para usar na farda de pano, mas... não existiam.

Até 1979, havia medalhas de Aplicação Literária para os 7 anos do curso, e medalhas de Aptidão Militar e Física a partir do 3º ano. Depois de 1980, passou a haver medalhas de Aplicação Literária e de Aptidão Militar e Física do 2º ano em diante; para o 1º ano, os critérios eram iguais aos dos restantes anos, mas em vez de medalha, os alunos recebiam simplesmente o diploma, e podiam usar o laço na farda de pano.

Hoje é fácil dar o mérito a esse Director, pois um número cada vez maior de coisas é virtual, mas na altura a coisa causou alguma perplexidade.

Pouco mais de 20 anos depois, outro Director achou que a ideia de "medalhas virtuais" era um disparate, e resolveu acabar com elas.

Para que os alunos que tinham ganho "medalhas virtuais" nos anos imediatamente anteriores não ficassem tristes, resolveu aplicar a nova regra de forma retroactiva, mas apenas aos alunos que à altura faziam parte do Batalhão Colegial. Quem tinha ganho uma "medalha virtual" e ainda estava no Colégio, viu a sua medalha convertida numa medalha real; quem já tinha saído, mesmo que tivesse ganho uma "medalha virtual" no mesmo ano, não viu a sua medalha convertida numa medalha real.

Não fosse tratarem-se de dois Directores ex-alunos, e em relação aos quais, portanto, tenho que manifestar toda a solidariedade, diria que se tratou de um disparate corrigido com outro disparate.

O Director actual parece ser uma pessoa de bom-senso, que jamais concordará com esta dualidade de critérios. Por isso, camarada, se ganhaste uma "medalha virtual" algures entre 1980 e 2000 e picos, escreve para o Colégio e pede a conversão da mesma numa medalha real.

Na volta do correio vais certamente receber a tua medalha, mas nem tudo são boas notícias: é que vais receber uma das medalhas novas que, na escala que vai desde o brinde de um pacote de cereais até à condecoração militar, já está mais perto do extremo inferior. Mas o que conta é a intenção.

segunda-feira, março 24, 2008

Memórias do Baú CXXVII - Os "Ratas" - Na Sala de Leitura


Num Domingo à noite, na sala de leitura da Primeira, antes de um episódio do "Soap"...

Fotografados: 261/84, 278/84, 288/84, 357/77, 257/84, 397/84 e 500/84.

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quarta-feira, março 19, 2008

O Curso de Pára-quedismo (Parte II)

Continuação de O Curso de Pára-quedismo (Parte I).

A Instrução

A instrução de pára-quedismo, como qualquer instrução militar, é baseada na repetição de gestos "até à exaustão", para que as actividades se tornem mecânicas e sejam executadas de forma expontânea, sem pensar, sobretudo nas situações em que, se pensassemos, provavelmente não executavamos a acção.

Por isso, cada uma das partes do salto é treinada em separado e em grande detalhe: os procedimentos de saída do avião, a contagem até à abertura, a verificação da calote, a preparação da aterragem, o enrolamento na aterragem, a neutralização dos arrastamentos, etc.

O processo de saída de um Aviocar é o mais simples que há: basta ir a correr atrás do camarada que nos precede e saltar pela porta fora. Apesar disso, somos treinados para memorizar uma série de gestos que nunca teremos a oportunidade de executar, como forma de manter o nosso cérebro ocupado antes do salto.

O processo de saída de um avião mais pequeno já apresenta algumas complicações, devido à dificuldade que há em sair até à asa, o que nos dá muito tempo para pensar "o que é que eu estou a fazer aqui?". Nessa situação, já sabemos que a bota do instrutor ganha um papel especial no processo de saída, podendo funcionar como um auxiliar para vencer o vento que nos cola contra a fuselagem e faz com que tenhamos alguma dificuldade em largar a asa.

Treinámos as saídas em simuladores dos diferentes modelos de aviões e na Torre de Saída, aprendendo o "trezentos-e-trinta-e-um - trezentos-e-trinta-e-dois - trezentos-e-trinta-e-três - trezentos-e-trinta-e-quatro" que representa o tempo necessário para a abertura do pára-quedas. Na prática, no Aviocar não chegamos ao "trezentos-e-trinta-e-um", e num avião mais pequeno não chegamos ao "trezentos-e-trinta-e-dois", mas é mesmo esse o objectivo: que o pára-quedas abra enquanto estamos ocupados a contar.

Uma das partes mais importantes de treinar é a manobra de aterragem. Ao chegar ao chão, o corpo do pára-quedista traz energia cinética que é necessário dissipar, e uma aterragem correcta é a que permite uma dissipação progressiva pelas partes mais resistentes do corpo. Por isso, a manobra de aterragem é treinada inúmeras vezes, procurando assim evitar que o pára-quedista cometa um dos maiores erros, que é o de tentar ficar de pé.

Uma das partes mais divertidas do treino foi a dos arrastamentos, e foi precisamente a que causou a primeira "vítima".

Imediatamente após a aterragem, se o pára-quedista não se levantar depressa e se o pára-quedas continuar "cheio", o pára-quedista poderá ser arrastado pelo chão até que o pára-quedas encontre um obstáculo ou o vento diminua e o pára-quedas se "feche".

Para conseguir que o pára-quedas se "feche", o pára-quedista tem que se virar de barriga para baixo enquanto é arrastado e puxar os cordões correspondentes à parte da calote que está a arrastar pelo chão. Terá que puxar os cordões com firmeza, porque se um golpe de vento tentar encher a calote, os cordões queimam os dedos ao deslizar dentro das mãos.

Foi precisamente nesta manobra que as coisas não correram bem ao "Escroque" (238/77)... Enquanto tentava puxar os cordões e evitar respirar as "toneladas" de pó que se levantavam com o arrastar do pára-quedas no campo de futebol da BETP, cenário utilizado para as nossas simulações de arrastamentos, veio uma rajada de vento e ele não foi capaz de segurar os cordões. Resultado: uma passagem na enfermaria para tratar as queimaduras e "entrapar" completamente as duas mãos.

Apesar do incidente e de não conseguir usar as mãos, o "Escroque" manteve a sua determinação e a instrução não parou...

Continua em O Curso de Pára-quedismo (Parte III).

Fotografias extraídas de http://fotos.paraquedistas.com.pt.

quarta-feira, março 12, 2008

Memórias do Baú CXXVI - A Visita dos "Craques"


A fotografia mostra um "afundanço" do Carlos Lisboa.

Antes do jogo, houve o cuidado de lhes pedir que não se pendurassem nas tabelas ao "afundar", uma vez que estas não estavam preparadas para resistir, e se se partissem ficavamos sem poder jogar durante uns tempos...

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sábado, março 08, 2008

O Curso de Pára-quedismo (Parte I)

Continuação de O Curso de Pára-quedismo (Introdução).

A Selecção do Grupo

Crescemos a olhar com admiração as "asas" que os alunos que tinham tirado o curso de pára-quedismo usavam orgulhosamente no peito. Em primeiro lugar, porque sabíamos que se tratava de uma actividade que nos colocaria no limite do nosso consciente - aquilo que mais tarde veio a ser caracterizado pela expressão "radical", entretanto completamente banalizada e aplicada a qualquer passeio em bicicleta fora de estrada - e, em segundo lugar, porque sabíamos que o curso era ministrado de uma forma extremamente exigente pelos instrutores da Base Escola de Tropas Pára-quedistas.

No início do nosso último ano de Colégio, foi feito um pré-levantamento dos candidatos ao curso de pára-quedismo. Como seria de esperar, eram "mais que muitos", e ficou logo no ar a necessidade de se proceder a uma selecção com base num critério qualquer a definir.

O tempo foi passando, e nada de novidades. Finalmente, já depois de terminado o ano lectivo, ligaram-nos para casa a comunicar a disponibilidade do curso e a avaliar o nosso interesse. Respondi que sim, e fui seleccionado "na hora"; apenas tive que convencer os meus pais a assinar um termo de responsabilidade (não foi fácil...), dado que eu era menor, e recuperar o meu "enxoval", entretanto já a caminho de se tornar "arquivo morto" (provavelmente ser oferecido ao depósito que a AAACM tinha na sede da Rua Marquês de Abrantes, no qual eu me tinha "abastecido" várias vezes no passado).

Quando cheguei ao Colégio, verifiquei com grande surpresa que, do extenso grupo de pré-candidatos, apenas tinham restado... quatro: eu, o 207/78, o 362/77 e o 238/77. Só foi possível realizar o curso porque se recrutaram voluntários no 7º ano (572/77, 200/78 e 590/78) e também porque contámos com a participação do Aspirante Bonito.

Telefonámos a vários camaradas de curso a perguntar porque é que não vinham fazer o curso connosco, e um deles disse-nos que "em princípio ia a Paris". A partir dessa altura, para aquele grupo, "ir a Paris" passou a ser sinónimo de "ter medo", e houve momentos ao longo do curso nos quais, de facto, desejei estar em Paris...

Continua em O Curso de Pára-quedismo (Parte II).

Fotografia extraída de http://fotos.paraquedistas.com.pt.

segunda-feira, março 03, 2008

Memórias do Baú CXXV - A Visita dos "Craques"


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