segunda-feira, setembro 23, 2013

Reforma dos EME: O Impensável

E se uma maioria parlamentar de dois terços alterasse a Constituição sem discutir as alterações com todos os partidos representados na Assembleia da República?

Impensável!

E se a Federação Portuguesa de Futebol alterasse os regulamentos das competições profissionais sem discutir as alterações com os clubes?

Impensável!

E se o Ministro da Defesa Nacional reformulasse os Estabelecimentos Militares de Ensino, extinguindo o centenário Instituto de Odivelas e descaracterizando o bicentenário Colégio Militar, sem discutir as alterações com os pais e encarregados de educação dos(as) alunos(as) nem com os(as) Antigos(as) Alunos(as)?

Impensável!

Impensável, seguramente, mas acaba de acontecer.

A Democracia não é apenas uma norma escrita que obriga à realização de eleições de n em n anos, é uma cultura que se pratica em todas as decisões e em todos os actos de gestão, que dignifica quem a pratica e envergonha quem a nega.

Por isso estamos chocados com o comportamento do Ministro da Defesa Nacional. Por isso perguntamos: porquê?

sábado, setembro 21, 2013

Reforma dos EME: Porquê? O Quê? Como?

Ainda a forma.

Alguns comentários que me têm sido enviados dizem que me foco muito na forma e pouco no conteúdo, ou seja, parece que o meu problema é mais com a forma como a decisão foi tomada, do que com a decisão em si.

Para mim, a forma faz parte do conteúdo; aliás, é mesmo a parte mais importante do conteúdo. Como dizem os anglófonos, "actions speak louder than words": as acções - forma - falam mais alto do que as palavras - conteúdo.

Em qualquer processo de mudança há que responder a 3 questões básicas: "porquê?", "o quê?" e "como?". Porque é que esta mudança é necessária e/ou importante? O que é que vai ser feito para endereçar as questões identificadas? Como - acções concretas, datas, orçamentos, etc. - é que vai ser feito?

No processo de reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino (EME), o Ministro da Defesa Nacional (MDN) nomeou uma comissão para responder a estas questões. No fim do trabalho há um conjunto de palavras - um Despacho assinado - e um conjunto de acções que falam mais alto: 1) a comissão não discutiu nenhum dos seus "porquê?", "o quê?" ou "como?" com as entidades que melhor conhecem os EME e que melhores condições têm para participar no processo de mudança: as Associações de Pais e Encarregados de Educação, e as Associações de Antigos(as) Alunos(as); 2) o MDN não respondeu a nenhuma das cartas que lhe foram enviadas nem concedeu nenhuma das audiências que lhe foram pedidas. Para além de uma questão de direito e de justiça, discutir as soluções com estas entidades seria uma prova de inteligência e de boa-fé.

O que é que nos dizem estas acções, e todas as outras que o MDN tem feito desde que o Despacho foi publicado? Que o MDN é um político do tipo "quero, posso e mando" e está de má-fé neste processo. A partir deste momento, o Despacho - as palavras - é irrelevante, esmagado por acções inconcebíveis num Governo que resultou de um processo democrático. É por isso que defendo a suspensão do Despacho e a sua substituição por um processo que envolva, numa lógica de boa-fé, todas as entidades relevantes.

quinta-feira, setembro 19, 2013

Reforma dos EME: Porque Quer

"Porquê?" é a pergunta que a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM) escolheu para a sua campanha. A AAACM quer saber - todos queremos saber - a resposta a algumas perguntas básicas. Porque é que o processo foi conduzido da maneira como foi, à pressa, sem discussão, e com um afastamento deliberado das Associações de Antigos(as) Alunos(as) e das Associações de Pais e Encarregados de Educação? Que soluções foram consideradas? E porque é que foi esta a solução escolhida?

Como todos os políticos, JPAB gosta de mostrar "obra feita", gosta de fazer "reformas", e a reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino (EME) afigurou-se-lhe como uma oportunidade perfeita.

Os EME são alvos fáceis: têm alguns problemas, que podem ser exagerados e utilizados como justificação; os pais não vão sacrificar os seus filhos em acções de força; os oficiais superiores não vão arriscar as suas carreiras para os proteger; os militares não vêm para as ruas; a reestruturação faz-se depressa (no tempo que JPAB quiser); as comunidades de Antigos Alunos e Antigas Alunas não têm peso político, não estão infiltradas nas estruturas do Partido, e por isso não vão criar problemas no Partido e no Governo. Para além disso, uma reestruturação dos EME "dá pontos" junto da opinião pública, dado que é um ataque aos "privilégios" dos militares.

JPAB montou uma primeira comissão liderada por um nome "sonante" para ganhar credibilidade, e depois montou uma segunda comissão liderada por uma pessoa da sua inteira confiança para produzir o relatório com o resultado pretendido.

JPAB tem no seu curriculum que foi mediador em diversas instituições de mediação de conflitos. Sabe, portanto, o que é a gestão da mudança, e sabe que num processo de reestruturação deve envolver os "stakeholders" para conhecer melhor a realidade, deixar as pessoas falar, ouvir os seus argumentos, e assim melhorar a solução e aumentar as probabilidades de sucesso. Então porque é que JPAB escolheu ignorar deliberadamente todos os "stakeholders" e criar um conflito com estes? Porque sabia que uma discussão séria exigiria sempre algum tempo, e JPAB sabe o que quer, e não quer perder tempo com conversas.

Basta olhar para JPAB para perceber que é um homem orgulhoso, alguém que alimenta conflitos e que se alimenta de conflitos. Ao contrário de outros políticos, que se desgastam com as críticas e perdem a motivação, JPAB "vibra" com a confrontação e destaca-se pela riqueza da sua retórica. É por isso que JPAB chegou onde chegou dentro do Partido, e é por isso que ainda hoje o Primeiro-Ministro o usa para reagir "a quente" e responder agressivamente à oposição em alguns temas do dia-a-dia.

A partir do momento em que saiu o Despacho e os "stakeholders" se indignaram, quer pela forma como o processo decorreu, quer pelo conteúdo, todo este processo passou a ser um jogo. Já não estamos a discutir uma reforma de instituições centenárias, estamos a discutir quem ganha, e JPAB não pode perder, não vai perder. Para assegurar isso, pôs a sua "máquina" a funcionar, e começaram a surgir as notícias nos jornais, a criação da "marca branca" e o respectivo vídeo de promoção, as insinuações de dúvidas sobre a origem do dinheiro gasto pela AAACM, etc. Num ápice, os "bloguistas da moda", "parasitas" dos dinheiros públicos e fornecedores habituais de JPAB, colocaram toda a sua imensa graça ao serviço desta causa, tudo feito "fora de horas", naturalmente.

Alguns falam em interesses imobiliários ligados aos terrenos do Colégio ou ao edifício do Instituto de Odivelas, outros falam do "avental"... não conheço quaisquer motivos invisíveis, mas espero que alguém que os conheça os revele. Aquilo que eu vejo é uma figura autoritária, que não responde a cartas nem a pedidos de audiência, e que destrói a "alma" de duas instituições centenárias sem sequer lhes dar uma oportunidade.

Esperemos que o próximo Ministro da Defesa Nacional venha a tempo de parar a destruição iniciada por JPAB e construir uma solução que defenda os interesses das instituições, dos alunos e alunas, e de Portugal.

segunda-feira, setembro 16, 2013

Reforma dos EME: Porque Pode

O Ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco (JPAB), está a fazer uma reforma que acaba com o Instituto de Odivelas e desvirtua completamente o Colégio Militar. Porquê? Por dois motivos: porque quer e porque pode. Vamos analisar o "porque pode".

O Primeiro-Ministro pode impedi-lo?

JPAB chegou ao Governo num processo de pacificação do PSD, depois de ter sido um dos candidatos derrotados por Pedro Passos Coelho (PPC) na eleição para Presidente do Partido. Apesar de JPAB não ter tido uma votação significativa, PPC achou por bem dar-lhe uma posição de destaque, usando a velha máxima da Mafia: "keep your friends close and your enemies closer".

Quando se dá uma missão a alguém, tem que se lhe dar meios para que a execute, e a autonomia para tomar decisões é o meio mais importante. Sendo assim, PPC não deve desautorizar JPAB interferindo nas suas decisões, sobretudo em temas menores (à escala governativa) como a reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino (EME). Para além disso, PPC precisa do Governo e do Partido unidos à volta das medidas duras que estão a ser tomadas para o País, pelo que o que ele menos quer agora é este "Barão do Norte" a criar um foco de desestabilização no Partido e no Governo. E JPAB promete poupanças com esta reestruturação, que é precisamente a conversa que PPC quer ouvir nesta fase.

Mesmo que PPC tenha alguma simpatia pelo Colégio, e não há qualquer evidência disso, nunca diria mais do que "recebe lá os gajos, que estou farto de os ouvir", sugestão que JPAB seria perfeitamente livre de ignorar. Isto significa que, do lado do Primeiro-Ministro, JPAB não terá qualquer oposição.

A Presidência da República pode impedir JPAB?

O Presidente da República (PR), aluno honorário nº 695 do Colégio Militar, certamente imaginava que a Presidência da República era, como foi para os seus antecessores, um "passeio" de 10 anos, o culminar de uma carreira política que o colocaria definitivamente nos livros de história, com direito a quadro a óleo na parede.

O que ele não esperava é que lhe "caísse em cima" a pior crise das últimas décadas, e ficasse toda a gente a olhar para ele à espera de um papel activo na resolução da mesma. O PR já tem muito trabalho para se fazer "invisível", e não quer ter também o problema do Colégio Militar e do Instituto de Odivelas "à perna". Por isso, quando recebeu a carta assinada pelos órgãos sociais da AAACM e por 35 personalidades de reconhecido destaque, a primeira coisa que fez foi passá-la ao Governo, como se ela queimasse mais do que os incêndios que devastam o País. Governo esse que, pelos motivos que já vimos, a meteu no lixo. Isto significa que, do lado da Presidência da República, JPAB não terá qualquer oposição.

A opinião pública pode impedir JPAB?

JPAB tem uma posição invejável no Governo, porque é o Ministro que tutela o grupo pelo qual a opinião pública tem ainda menos respeito do que tem pelos políticos: os militares.

A opinião pública acha que os políticos querem "tacho" e são corruptos, mas ainda tem algum respeito pela obra de alguns, nomeadamente os autarcas, sendo possível ouvir dos eleitores frases simpáticas como "ele rouba como os outros, mas ao menos faz coisas". Quanto aos militares, a opinião pública acha que são simplesmente inúteis. "Estamos em guerra? Há alguma ameaça? Então para que é que é necessário ter dezenas de milhares de militares? E para que é que é necessário ter aviões F-16 e submarinos?"

Tudo o que seja cortar benefícios aos militares é visto com agrado pela opinião pública, e o Colégio Militar é visto como um desses benefícios, uma das heranças do passado que incompreensivelmente ainda não foi destruída, tal como os Hospitais das Forças Armadas. As palavras "casta" e "elite" aparecem sempre associadas ao Colégio, posicionando-o como um encargo desnecessário para os contribuintes.

Para manter a opinião pública neste estado, JPAB conta com agências de comunicação e meios de comunicação social que estão significativamente dependentes dos dinheiros públicos, e que passam regularmente mensagens de descredibilização das Forças Armadas, do Colégio, da AAACM, etc. O Diário de Notícias tem sido um dos meios preferenciais, havendo um jornalista que tem acesso a "fontes" e que tem assinado a maioria dos artigos sobre o tema nos últimos anos, tendo os seus artigos já por mais de uma vez recebido a reprovação por parte do Provedor dos Leitores do próprio Diário de Notícias. As agências de comunicação são pagas para fazer as campanhas como a de promoção dos EME, monitorizam e gerem as redes sociais, etc. Se há coisa fácil de manipular pela equipa de JPAB, é a opinião pública.

Naturalmente que há vozes que se levantam em apoio ao Colégio, mas são vistas como opiniões isoladas de pessoas agarradas ao "antigamente". Isto significa que, do lado da opinião pública, JPAB não terá qualquer oposição.

E quanto às chefias militares? Apesar de dependerem directamente de JPAB, podiam recusar-se, revoltar-se, demitir-se, etc...

Nem pensar. As chefias militares estão a construir a sua carreira, têm os seus objectivos para atingir, os seus homens para gerir, e os seus cortes para fazer. O Colégio Militar não está sequer no Top-50 da sua lista de preocupações. Do lado das chefias militares, JPAB não terá qualquer oposição.

JPAB pode, e sabe que pode. E a verdade é que podia ter decidido fazer muito mais do que está a fazer. Podia pura e simplesmente ter decidido extinguir os 3 EME. Isto quer dizer que temos que lhe... agradecer?

sexta-feira, setembro 13, 2013

Reforma dos EME: Sexo Consensual vs Violação

Esta semana, pela primeira vez em 210 anos, foram admitidas meninas como alunas do Colégio Militar (CM). Não há dúvidas de que se trata de um momento histórico. Então porque é que eu não estou a exultar de alegria?

Sempre fui aberto à entrada de meninas no CM, sempre acreditei que isso ia acontecer mais tarde ou mais cedo, e sempre acreditei que isso iria acontecer por fusão com o Instituto de Odivelas (IO). Até o escrevi há 8 anos num documento que circulou na comunidade de Antigos Alunos. Então porque é que eu não estou a exultar de alegria?

Sempre imaginei um momento em que, independentemente das questões financeiras, as partes envolvidas, num processo bem conduzido pela tutela, concordariam que era possível fundir os 3 Estabelecimentos Militares de Ensino (EME) num só, seguindo o modelo de alguns prestigiados colégios ingleses, e que o escolhido seria o CM, pela sua maior antiguidade, maior prestígio, e melhores instalações. Sempre imaginei que o modelo seleccionado permitiria preservar o que de melhor existe nos 3 EME, mantendo turmas com ensino diferenciado para quem o desejasse, mantendo Batalhões separados por género para respeitar a especificidade e desenvolver as capadidades de liderança de ambos, mantendo um número de alunos(as) externos(as) limitado para não destruir o internato, mantendo as tradições, etc.

É claro que isso levaria a uma mudança no CM, mas o CM tem mudado ao longo dos anos, tem-se adaptado à conjuntura em que se insere, e continuaria a fazê-lo, mantendo no entanto o espírito do seu Fundador.

Mas porque é que eu não estou a exultar de alegria?

Não estou a exultar de alegria porque existe uma diferença - toda a diferença do mundo - entre sexo consensual e violação, apesar de, em termos objectivos, serem ambos sexo.

A reforma actual foi montada e executada contra tudo e contra todos, devido à obstinação de um homem que usa de forma autoritária o poder que foi colocado à sua disposição. Esta reforma acontece desta forma essencialmente por dois motivos simples: porque ele quer e porque ele pode.

Os Antigos Alunos do CM foram violados porque andam desde o ano 2000 a fazer estudos sobre o futuro do Colégio, e a tentar convencer a tutela de que é necessário fazer mudanças, sem que ninguém quisesse pegar no tema. Neste processo de mudança foram propositada e ostensivamente ignorados, não tendo resposta às cartas escritas, aos pedidos de audiência, e aos apelos feitos. Além disso, sem que a sua opinião fosse ouvida e discutida, foram chamados pelo poder político de retrógrados, machistas, elitistas, e até de corruptos, com insinuações sobre a proveniência do dinheiro usado na campanha publicitária.

As Antigas Alunas do IO foram violadas porque foram informadas de que a sua escola seria extinta sem terem qualquer possibilidade de intervir no processo, nem para o evitar, nem para o condicionar. Tal como os Antigos Alunos do CM, viram os seus apelos ignorados e tiveram direito aos mesmos "piropos" com que estes foram mimados. Não tendo entre as suas Antigas Alunas Generais, ex-Ministras, etc., foram "trituradas" com muito mais facilidade pela "máquina".

Os pais e encarregados de educação do CM e do IO foram violados porque nunca ninguém quis discutir com eles o futuro das escolas onde decidiram colocar os seus filhos. "Isto é assim, e se não gostam ponham os vossos filhos noutra escola qualquer", foi a mensagem que acabaram por assimilar de todo este processo. Naturalmente que também os(as) respectivos(as) filhos(as) e educandos(as) foram violados(as) neste processo, mas se a opinião dos pais e encarregados de educação é considerada irrelevante, muito mais irrelevante será a opinião de crianças e adolescentes.

O Director do IO foi violado porque enviou uma mensagem de simpatia e esperança aos pais e encarregados de educação das alunas, e teve imediatamente direito a "um novo desafio".

Um conjunto de figuras de peso na sociedade, que foram signatários da carta ao Presidente da República, bem como diversos comentadores que se manifestaram a favor do diálogo e do bom-senso, foram violados porque as suas opiniões foram simplesmente ignoradas. Foi como se nunca tivessem sido proferidas.

A Sociedade Civil, através de milhares de pessoas que manifestaram nas redes sociais simpatia para com o CM e o IO, apelando à procura de uma solução mais adequada, foi violada. São "povo", e a sua voz "não chega ao céu".

Tudo isto acontece enquanto o Ministro tece rasgados elogios ao ensino dos EME, apresentando-se como o maior defensor dos mesmos.

A imprensa comentou que, "apesar da polémica, as meninas foram bem recebidas..." Claro. O que é que imprensa esperava? Que as meninas e os respectivos pais e encarregados de educação, que não têm qualquer responsabilidade nesta "palhaçada", fossem maltratados numa instituição onde o respeito é um dos principais valores transmitidos? O Director do Colégio Militar fez o seu papel: garantir a harmonia e o bem-estar dos alunos e alunas colocados à sua responsabilidade.

Aquilo que podia ter sido um momento especial para toda a comunidade dos 3 EME, acaba por ser um momento em que um Ministro, com a respectiva "máquina", se impõe com autoritarismo sobre duas instituições e os respectivos representantes, e choca mais porque nem sequer houve conversa para perceber se se chegava a um entendimento, partiu-se logo para a violação.

Como acontece com todas as violações, a vida continua, mas as marcas demorar a sarar, e há algumas que ficam para sempre.

Acima de tudo, fica no ar a pergunta que os Antigos Alunos fizeram na sua campanha: "porquê?"

terça-feira, setembro 10, 2013

Reforma dos EME: A Questão Central

"Porque é que não querem meninas no Colégio Militar?" parece ser a questão que toda a gente coloca hoje em dia aos Antigos Alunos. Mérito da "máquina" de comunicação do MDN, que conseguiu focar a discussão nesta falsa questão, e demérito nosso, que não conseguimos focar a discussão nas questões centrais.

Vamos imaginar que este processo tinha sido gerido de forma participada e não com autoritarismo com verniz, e que o Despacho era o resultado dessa discussão, ouvidas todas as partes, discutidos todos os pormenores, e decidida a forma final por quem tem o poder para o fazer.

Porque é que este resultado final não serve?

O Colégio Militar tem 210 anos de história. Ao longo da sua existência a instituição foi mudando, mas houve determinados aspectos que se foram mantendo e que contribuem para que o "produto final" seja consistente ao longo dos anos. Uns chamar-lhe-ão "ADN", outros "ethos", outros "Alma", outros "mística", mas existe de facto qualquer coisa que faz com que as diferentes gerações de Meninos da Luz partilhem entre si valores que conduzem a comportamentos coerentes perante as situações com que se deparam, especialmente quando estas saem da normalidade. Este "ADN" é o factor que leva os pais a colocarem os seus filhos no Colégio Militar, reconhecendo o contraste face ao ambiente que se vive na maioria das escolas do País.

O mesmo pode seguramente ser dito do Instituto de Odivelas, e esta reforma começou por agarrar no "ADN" do Instituto de Odivelas e "mandá-lo pelo cano abaixo". Assim, sem mais conversa, uma forma de educar afinada ao longo de 113 anos e que tem apresentado bons resultados foi deitada fora sem que nada fosse tentado para a salvar, quer viabilizando o Instituto, quer garantido uma integração adequada no Colégio Militar. E isto foi feito "a sangue frio", sem que fosse discutido com a Associação de Pais e Encarregados de Educação e com a Associação de Antigas Alunas.

Como é que é possível encerrar-se assim uma escola como o Instituto de Odivelas, como se fosse uma qualquer escola do interior que ficou sem alunos por falta de crianças, e como é que é possível que ninguém com responsabilidades ao nível da governação do País se manifeste, são questões que ainda estão à espera de uma resposta. Uma decisão destas devia tirar o sono a quem a tomou, mas seguramente que os responsáveis dormem descansadamente, como se nada se passasse. Uma decisão destas, nem que seja pela forma como foi tomada, devia ter consequências políticas, mas estamos numa sociedade sem valores, que vê com indiferença a destruição do pouco que resta.

As alunas irão migrando para o Colégio Militar "aos bochechos", sendo integradas numa forma de funcionamento completamente diferente, e em 2016 a última despede-se de D. Diniz, apaga a luz e fecha a porta, e o Instituto de Odivelas estará oficialmente extinto.

Entretanto, esta reforma "agarra" no Colégio Militar e passa-o de uma tradição de 210 anos de internato masculino para um internato/externato misto em apenas 2 anos, sendo que a maior parte das mudanças são feitas logo no primeiro ano, passando a haver alunos internos entrados para anos avançados, alunos externos e alunas externas.

O "ecossistema" do Colégio Militar baseia-se numa estrutura liderada pelos alunos dos últimos anos, designados por "Graduados", que acumulam com as suas responsabilidades escolares as responsabilidades de gerirem o Batalhão Colegial. Esta mudança súbita de modelo, com tantas variáveis diferentes para integrar num só ano, vai irremediavelmente destruir o modelo existente, dando lugar a qualquer coisa de novo, seguramente muito distante do original.

O "ADN" do Colégio não vai conseguir resistir a uma mudança tão profunda num tempo tão curto, e dentro de poucos anos o Colégio Militar não será mais do que a Escola Secundária Militar da Luz, um externato igual a tantos outros, onde os alunos, se as famílias assim o desejarem, também podem pernoitar. E se o "produto" não for diferenciado, os clientes não o procurarão, o que levará à sua extinção.

Este Governo conseguirá, assim, destruir de uma só vez o "ADN" de duas escolas de prestígio. A isto é que se chama "fazer história".

O que é que pretendem os Antigos Alunos? Duas coisas simples: diálogo e tempo. Diálogo, para que se possa sair do autoritarismo com verniz que actualmente existe, para que as pessoas possam participar na discussão e tentar arranjar as melhores alternativas para preservar o que de bom existe nas duas instituições. Tempo, para que as mudanças que venham a ser decididas possam ser executadas de forma faseada, sem causar disrupção.

É só isto que os Antigos Alunos querem; tudo o resto é "ruído" causado pela "máquina" de comunicação do Ministério da Defesa Nacional para desviar o foco dos temas centrais.

A "certidão de óbito" do Instituto de Odivelas já tem data marcada. E, embora não seja tão explícito, a do Colégio Militar também. A Escola Secundária Militar da Luz pode durar mais uns anos, dependendo da disponibilidade das famílias para pagar por uma Escola Secundária com actividades extracurriculares, e da pressão imobiliária que houver sobre as instalações, mas já não será o Colégio Militar que conhecemos, que o País respeita e os Antigos Alunos amam.

sábado, setembro 07, 2013

Reforma dos EME: A Negação da Democracia

Por vezes, quanto mais básicos e fundamentais são os direitos, mais veementes somos a exigi-los para nós, e mais rápidos somos a negá-los aos outros. A presunção da inocência é um dos exemplos mais simples: somos muito rápidos a julgar os outros, que são sempre uns “bandidos”, mas nós somos inocentes até que a última instância confirme a condenação (e mesmo depois disso).

A responsabilidade do estado é zelar pelo respeito dos direitos dos Cidadãos, para evitar a “justiça popular” e a tomada de decisões contrárias aos interesses e às necessidades das populações. Esta é a essência da Democracia: representantes eleitos pelo povo que gerem os bens e serviços comuns no interesse de todos.

É por isso que há inúmeros mecanismos na lei para que as pessoas possam tomar conhecimento das propostas de decisão e possam discuti-las e apresentar alternativas. Um exemplo: os processos de Concertação Social. O Governo pode não ceder um milímetro nas suas posições, mas é obrigado a discuti-las com os Sindicatos. Outro exemplo: os projectos urbanísticos. É obrigatória a exposição pública durante um determinado período, para que os Cidadãos possam tomar conhecimento, discutir, apresentar alternativas, etc.

Não interessa se as decisões são as “melhores”, os governados têm sempre direito a discuti-las. Uma ditadura com petróleo, onde toda a gente tem uma boa casa, um bom carro e um bom ordenado, não deixa de ser uma ditadura, porque nega às pessoas aspectos fundamentais como o de poderem decidir sobre quem os governa, discutir a forma como os governa, e de poderem candidatar-se a governar.

A reforma dos Estabelecimentos Militares de Ensino (EME) sofre na sua base desta negação da Democracia. As entidades que têm relações mais fortes com os EME – Associações de Pais e Encarregados de Educação, e Associações de Antigos(as) Alunos(as) – , sendo que as primeiras têm até um estatuto específico definido pela lei, não foram envolvidas no processo e não tiveram a oportunidade de discutir a solução proposta, criticá-la, apresentar alternativas, etc.

Não se confunda “serem envolvidas” com “serem ouvidas”. Um decisor pode ouvir todos os envolvidos, registar as suas opiniões, e depois tomar uma decisão e comunicá-la. Isto não é Democracia, é autoritarismo com uma camada de verniz. Democracia é ouvir os envolvidos, preparar uma proposta de decisão, apresentá-la aos envolvidos, ouvir os seus argumentos, e tomá-los em consideração. No fim será necessário tomar uma decisão, e alguém está mandatado para o fazer, mas não o terá feito sem discutir com todos os envolvidos e lhes dar uma oportunidade para conhecerem e criticarem a solução.

A reforma dos EME seguiu o caminho do autoritarismo com uma camada de verniz. As Associações que mostraram interesse em ser ouvidas foram ouvidas, a sua “papelada” foi recebida, não houve qualquer comentário, resposta ou partilha da outra parte, e uns meses depois apareceu um relatório final, logo seguido por um Despacho a dizer o que ia ser feito e como ia ser feito, sem que tivesse havido qualquer possibilidade de discussão.

A reforma dos EME é, assim, um atentado à Democracia, e por isso deve ser imediatamente suspensa. Não são precisas análises sobre o mérito da solução proposta; o simples facto de esta ter sido obtida de uma forma que não respeita a Democracia deve ser suficiente para que o processo volte para trás.

Acham que esta argumentação é ridícula? “Por vezes, quanto mais básicos e fundamentais são os direitos, mais veementes somos a exigi-los para nós, e mais rápidos somos a negá-los aos outros”. Acham que um Governo tem o direito de decidir o futuro do Colégio Militar e do Instituto de Odivelas, instituições centenárias e com prestígio, sem que as respectivas Associações de Pais e Encarregados de Educação – que representam os interesses dos(as) alunos(as) actuais – e Associações de Antigos(as) Alunos(as) – que garantem a manutenção do modelo ao longo dos anos e têm como associados(as) alunos(as) dos últimos 70 anos – tenham a possibilidade de conhecer e discutir a solução proposta? Pensem num tema qualquer que vos é querido, em relação ao qual sentem que têm direitos, e onde acham que a vossa opinião é importante, talvez mesmo fundamental, e depois imaginem vir alguém e tomar decisões sem as discutir com vocês... iam achar que o procedimento não fazia qualquer sentido.

Este é o tema central da discussão, e tudo o resto pode ser dividido em duas categorias, que serão abordadas noutros posts: o “porquê” – porque é que o Governo utiliza neste tema autoritarismo com verniz? – e o “ruído” – todas as informações que têm sido passadas com o objectivo de entreter a imprensa, ocupar as outras partes em desmentidos e esclarecimentos, e manipular a opinião pública, enquanto o processo vai avançando.

segunda-feira, setembro 02, 2013

Reforma dos EME: "Não queremos saber"

É irónico...

Depois de décadas de atenção aos movimentos dos partidos de inspiração marcadamente antimilitarista, bem como ao partido que, apesar de não ser marcadamente antimilitarista, teve no seu programa a extinção do Colégio Militar, a maior ameaça ao futuro do Colégio acaba por vir de um partido que sempre teve posições próximas do Colégio, o que levou até a que um seu ex-líder, hoje Presidente da República, fosse distinguido com a maior honra que o Colégio atribui, a de Aluno Honorário. 

Durante décadas achámos que a ameaça viria dos sectores da sociedade que têm desprezo pelo conceito de Pátria, mas afinal a maior ameaça ao futuro do Colégio acaba por vir de um Governo que faz questão de usar a bandeira de Portugal na lapela.
Durante meses a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM) tentou colocar a sua experiência e o seu conhecimento do Colégio ao serviço da segunda comissão responsável pela reforma dos Estabelecimentos Militares de Ensino (EME). "Não queremos saber", foi a mensagem que foi passada por um Ministério prepotente, que sabe o que quer e não está disponível sequer para fingir que valoriza a opinião das partes interessadas.

Um conjunto de 35 personalidades de relevo na sociedade, nenhuma das quais Antiga Aluna do Colégio, escreveu uma carta ao Presidente da República para que este pedisse ponderação ao Governo. "Não queremos saber", comentou no próprio dia o Ministério.
O Professor Marçal Grilo, responsável pela primeira comissão de análise à reforma dos EME, demarcou-se da forma como o processo está a ser conduzido, sendo um dos signatários da carta. "Não queremos saber", diz o Ministério.
A AAACM pede audiências ao Ministro... nada! A AAACM apela para o Primeiro-Ministro... nada! A AAACM apela para o Presidente da República... nada! "Não queremos saber".
 
A Sra. Secretária de Estado da Defesa Nacional escreveu no Diário de Notícias um artigo no qual desfolha os progressos no sentido da igualdade do género no nosso país, referindo que "no fim do dia, a polémica criada, nos últimos meses, sobre a reforma dos estabelecimentos militares de ensino resumiu-se a isso. Garantir que as mulheres continuariam sem entrar no Colégio Militar".
 
Se a Sra. Secretária de Estado da Defesa Nacional se desse ao trabalho de ouvir, que é uma das características fundamentais de uma líder ou de um líder, teria percebido que, no fim do dia, não é isto que está em causa.
 
A posição da AAACM não é contra a entrada de mulheres no Colégio Militar. As 35 personalidades que escreveram ao Presidente da República não são contra a entrada de mulheres no Colégio Militar. Os Antigos Alunos em geral não são contra a entrada de mulheres no Colégio Militar. Ninguém é contra a entrada de mulheres no Colégio Militar. As pessoas pedem ponderação. Diálogo. Reflexão. Prudência. Porque entre as medidas propostas há algumas que são verdadeiramente "assassinas", como por exemplo a admissão de alunos internos para o 10º ano. E há outras que têm tudo para correr mal se não forem bem pensadas, como a coexistência de internato masculino e feminino no mesmo "campus".
 
Poupança? Tenham dó... a primeira medida é "enterrar" vários milhões de Euros a construir um edifício que ninguém sabe se vai ser necessário ou se está adequadamente dimensionado...
 
Exmo. Sr. Ministro da Defesa Nacional, Exma. Sra. Secretária de Estado da Defesa Nacional, apenas peço aquilo que todos os Antigos Alunos pedem: ponderação, diálogo e prudência. Se realmente não querem destruir uma instituição com mais de 200 anos e inequívocos serviços prestados à Pátria, trabalhem com a AAACM e as restantes entidades envolvidas no sentido de se conseguir uma reforma que atinja os objectivos financeiros e de igualdade de género sem matar o Colégio.

Mas já sei a resposta de V. Exas. a este meu apelo: "não queremos saber".

segunda-feira, maio 07, 2012

Gratidão (Parte II)

Continuação de Gratidão (Parte I).

Um dia, de visita ao Colégio para "farejar" nos negativos deixados pelo Sr. Delgado, encontrei o Prof. Dario. Já me tinham dito que ele ia lá regularmente, geralmente duas vezes por semana, ficava um bocado pelo Bar de Oficiais, almoçava na Messe de Oficiais, e regressava a casa.


O número de professores (e restantes funcionários) do seu tempo ia-se reduzindo progressivamente, mas ainda arranjava companhia para uma conversa ou uma "cartada". Em relação aos oficiais, com excepção dos Antigos Alunos, havia alguma indiferença face a alguém que era considerado um símbolo de um tempo que eles não viveram, e agora o que lhes interessava era o presente, cheio de indefinições quanto ao Colégio e às próprias Forças Armadas. Deixavam-no entrar e estar à vontade, mas tratavam-no sem grande deferência ou proximidade.

Sentámo-nos no Bar de Oficiais e conversámos longamente.

Nunca pertenci à Classe Especial, nem sequer estive perto. Fui aluno do Prof. Dario no 1º e 2º anos, tendo sido seguramente um dos 20% piores alunos que lhe passaram pelas mãos. Ainda assim, foi um dos professores que mais me marcou, pela exigência que tinha para com o seus alunos, pelo apoio que lhes dava para ultrapassarem os seus limites, pela dedicação que tinha ao Colégio, etc., e foi isso que tive a oportunidade de lhe dizer nessa tarde.

Ele ficou surpreendido - possivelmente não esperava que esta "confissão" viesse de um aluno que só não esteve no 3º Grupo quando havia 4 Grupos... - e emocionado, o que era frequente acontecer quando encontrava um Antigo Aluno.

Mas eu também fiquei emocionado e "estiquei-me" ainda mais... disse-lhe que havia muitos Antigos Alunos que gostavam de ter uma oportunidade de lhe manifestar o seu reconhecimento, e que eu haveria de, na medida das minhas capacidades, trabalhar para que isso fosse possível.


Nos anos seguintes surgiram várias ideias, umas mais formais, outras mais espontâneas, outras "megalómanas"... até finalmente surgir a oportunidade perfeita: a atribuição por parte da AAACM do Prémio Barretina "Amigos do Colégio".

A oportunidade era perfeita porque era só entre o Prof. Dario e os seus alunos; era perfeita porque ocorria num evento com bastante dignidade, o jantar que reúne anualmente quatro centenas de Antigos Alunos de todas as idades num espaço de grande prestígio; era perfeita porque este se trata do único prémio que é atribuído pela Associação a quem não é Antigo Aluno. Para além de ser perfeita, essa oportunidade, embora estivéssemos longe de o imaginar, seria também a última, uma vez que poucos meses depois o Prof. Dario deixaria fisicamente a nossa companhia.


O Prof. Dario subiu ao palco e recebeu o prémio das mãos do Presidente da AAACM, perante um aplauso forte, longo e de pé. Fez um discurso simples e sentido, de quem não trabalhou a pensar em distinções, mas sim em ensinar e educar.

Obrigado, Prof. Dario. Sentirei sempre a sua presença.

sábado, novembro 13, 2010

Os 25 Anos de Entrada (Parte X) - Errata

Continuação de Os 25 Anos de Entrada (Parte X).

Esta sim, é a placa dos 25 anos de entrada do curso de 1977/85.

A fotografia apresentada em Os 25 Anos de Entrada (Parte X) era apenas um trabalho de edição fotográfica de má qualidade.

terça-feira, junho 22, 2010

Uma Aula de "Bata"

Apesar de ter terminado a sua carreira como professor em 2005, o Prof. Sena Neves, mas conhecido como "Bata", acedeu a dar uma aula de Matemática por ocasião da comemoração dos 25 anos de saída do curso de 1977/85.

Segundo o próprio, foi uma "dupla maldade", porque teve que preparar a aula e porque esta substituiu a missa habitualmente existente na agenda das visitas dos cursos.

O vídeo da aula está neste link. São 30 minutos "imperdíveis" para quem foi aluno do "Bata".

sexta-feira, maio 14, 2010

Memórias do Baú CXXXIII - "Viva o Papa!"

"Faz hoje [12 de Maio de 2010] 28 anos que fomos para o aeroporto receber o papa João Paulo II, no nosso 5º ano.

Perfilados dum lado e do outro da Avenida que liga as Partidas ao Relógio, e com imenso povo apertado por trás de nós, mas sempre respeitoso, esperámos uma hora ou mais, em farda de gala e em sentido, para cada um de nós fazer continência durante apenas dois segundos, à medida que o Rolls-Royce do Papa passava por nós.

Mesmo sendo tão breve, foi para mim um momento emocionante, que compensou largamente a semana de treinos a praticar o fazer e desfazer sequencial da continência.
"

Manuel de Freitas (204/1977), por e-mail

sexta-feira, março 12, 2010

Os 25 Anos de Entrada (Parte X)

Continuação de Os 25 Anos de Entrada (Parte IX).

Hoje, dia em que o curso de 1977/85 vai ao Colégio comemorar os 25 anos de saída, este blog continua a publicar as fotografias dos 25 anos de entrada. Há algum atraso, mas é perfeitamente recuperável.

Algumas "más línguas" dizem que a placa do curso de 1977/85 é uma cópia da placa do curso de 1976/84. Aqui fica uma fotografia, e os leitores que tirem as suas conclusões.

Continua em Os 25 Anos de Entrada (Parte X) - Errata.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Um Prazer Raro

O livro "'Ratas' - Memórias do Colégio de há 50 anos", da autoria do Rui Sá Leal (502/1959), é sem dúvida um prazer raro.

Começando pelo sentido real do termo, há que referir que livro foi escrito por ocasião dos 50 anos de entrada do curso de 1959 e editado através de uma edição de autor, com uma tiragem limitada. Se tiver a procura que merece, rapidamente se esgotará.

O livro descreve, na primeira pessoa, a experiência do autor enquanto "Rata" no ano lectivo de 1959/60, desde as provas de admissão até às "férias grandes".

Ao longo das suas quase 200 páginas desfilam todos os aspectos da vida Colegial, como as tradições, os castigos, a relação com a família, os graduados, os oficiais, os professores, as instalações, as alcunhas, a gíria, enfim, todos os momentos que contribuem para a experiência única que é o Colégio, descritos por um miúdo de 10 anos, numa linguagem simples e agradável.

Para além desta linha de orientação central, o autor descreve também algumas situações que aconteceram nos anos lectivos seguintes e faz um enquadramento da situação que se vivia no País no início da década de 60 do século XX, elemento fundamental para a contextualização das situações relatadas.

O livro contém ainda várias fotografias, reproduções de documentos da época, e um conjunto de ilustrações da autoria do Pedro Massano (487/1958) que retratam com humor vários aspectos da vida Colegial.

E como era o Colégio de há 50 anos? Surpreendentemente parecido com o meu. O mesmo ritmo, os mesmos ideais, a mesma experiência, apenas com (muito) mais formaturas. Reencontrei o Mestre Pina Lopes, o Dr. Cruz Pinto, o Ten. Dario Fernandes, o Cap. Vitória, o Ten. Abranches de Sousa, o Ten. [Mário] Lemos, o Mestre Oliveira (ainda não tinha a alcunha de "Baco")...

Achava eu que havia alguma inovação na criação da Liga Anti-Cavalo (L.A.C.), mas fui surpreendido ao ler que "[...] começavam a despontar alguns indefectíveis candidatos a membros da L.A.Ca., acrónimo da 'Liga Anti-Cavalo', uma espécie de O.N.G. colegial, cujo objectivo era a extinção absoluta da face da Terra de todo e qualquer cavalo [...]".

"[...] Já sabíamos que [...] 'infelicidade', mais que uma tragédia ou um azar, era, no Colégio, uma piada sem graça nenhuma [...]", pode ler-se mais à frente, e eu, que era o "rei da infelicidade", fiquei a saber que esta expressão já tinha pelo menos 20 anos na gíria Colegial.

Uma parte especialmente interessante é a descrição do "braço de ferro" que se viveu entre os alunos e a Direcção em 1962, com greves de fome, suspensões e expulsões. Um exemplo de união onde vários alunos pagaram caro pela defesa dos seus ideais.

Ao ler o livro, voltei a sentir-me outra vez com 10 anos, e também eu percorri de novo cada recanto do Colégio e revi cada experiência. Lê-lo foi um prazer. Um prazer raro, pelas boas memórias que me trouxe.

sexta-feira, novembro 27, 2009

"Aviso à Navegação"

As más notícias: José Alberto Carvalho fez aos jornalistas da RTP o que nenhum profissional que se preze gosta que lhe façam: deu-lhes conselhos sobre como se devem comportar na sua vida privada.

As boas notícias: pelo menos um deles estava a precisar.


Na realidade, nenhum jornalista devia sentir-se ofendido com a atitude de José Alberto Carvalho. O que o Director de Informação da RTP fez foi recordar aos jornalistas que um jornalista, para além de ser sério, tem que parecer sério, para bem da sua própria reputação e da empresa para a qual trabalha.

Ainda que um jornalista seja livre de exprimir a sua opinião nas redes sociais, sempre que o faz está a condicionar a forma como os espectadores, leitores ou ouvintes vão interpretar o seu trabalho e a posição do órgão de comunicação social para o qual trabalha. Pedir aos jornalistas que ponderem as posições pessoais que assumem, e que as assumam explicitamente como pessoais, não me parece nada estranho, e muito menos abusivo.

O jornal "24 Horas" apresentou a notícia de uma forma equilibrada, descrevendo as reacções dos jornalistas como positivas, com algumas reservas no ponto relacionado com os amigos nas redes sociais (o ponto 5).

A terminar, a notícia refere que "'eventualmente, terão sido detectados alguns exageros' [...] ao que o 24horas pôde apurar, o jornalista José Ramos e Ramos poderá ter sido um dos casos [...] o repórter tem um site onde tinha por hábito relatar detalhes das suas reportagens [...] o jornalista esclarece: 'não me sinto visado [...] os princípios que são invocados, os da ética e deontologia, todos nós cumprimos'".

Permitam-me discordar.

O jornalista José Ramos e Ramos, precisamente o que diz "isto não é para mim", tem, no seu site e em comentários deixados em outros sites, manifestado uma posição claramente contrária ao Colégio Militar. Até aqui tudo bem, está no seu direito de ter uma opinião e de a manifestar, como qualquer cidadão. No entanto, no passado dia 22 de Outubro, pelas 13 horas, na cobertura de uma manifestação contra a violência no Colégio Militar, o Jornalista José Ramos e Ramos usou os meios colocados à sua disposição pela sua entidade patronal para, de uma forma claramente parcial, suportar a sua posição pessoal.

Também já circulou por diversas mailing lists de Antigos Alunos a história de uma Grande Reportagem que estaria a ser preparada pela RTP e que daria uma imagem extremamente negativa do Colégio. Adivinhem quem a fez (ou está a fazer), e com que posições pessoais essa reportagem está alinhada.

José Alberto Carvalho fez bem em lançar este "aviso à navegação". Quem faz o seu trabalho de forma profissional, respeitando a ética e a deontologia da profissão, percebe que não tem nada a recear. Por outro lado, quem quiser utilizar os meios e o tempo de antena da RTP para defender as suas causas pessoais, deve ter percebido a mensagem de que essa atitude não será bem aceite.

quinta-feira, novembro 26, 2009

"Põe Água Fria Que Isso Passa..."

O Igeménio Tadeu, Antigo Aluno nº 11 de 1934, era professor de ginástica no Colégio na altura em que lá estive, e chegou a ser meu professor em alguns (poucos) anos.

O Tadeu não era professor da Classe Especial, e por isso não colocava alunos a voar por cima de mesas alemãs impulsionados de forma razoavelmente aleatória por uma cama elástica; a "acrobacia" mais arriscada para alunos do 3º grupo era saltar um plinto em extensão com os pés juntos: fazer a chamada no trampolim, voar por cima do plinto, apoiar as mãos no outro extremo, encolher os joelhos para o peito e fazer passar os pés por entre as mãos.

Apesar da pouca sofisticação da manobra, era frequente os alunos não conseguirem executar os passos todos; quando os pés não conseguiam passar por entre os braços e "encravavam" na extremidade do plinto, o resultado era geralmente uma queda desamparada para a frente, apesar da ajuda voluntariosa do Tadeu.

Enquanto o desgraçado do aluno se torcia com dores no meio do chão, achando que tinha partido qualquer coisa, o Tadeu exclamava o seu famoso "põe água fria que isso passa", e lá ia o aluno até à casa de banho efectuar o tratamento de acordo com a prescrição.

Não é credível que na formação ministrada no INEF (actual Faculdade de Motricidade Humana) na década de 40 atribuíssem à água fria poderes curativos instantâneos sobre fracturas de ossos ou roturas musculares, mas o que é um facto é que o Tadeu parecia acreditar em tais poderes.

Nunca vi o Tadeu manter na aula um aluno que estivesse magoado. O "põe água fria que isso passa" significava simplesmente "vence a pieguice e a dor, percebe onde é que fizeste asneira e volta a tentar de imediato, porque se conseguires fazer bem vais ganhar confiança e fazer melhor no futuro, mas se desistires o plinto parecerá maior da próxima vez e podes não conseguir voltar a passá-lo".

Ainda hoje, quando vejo uma "Amélia" vacilar à primeira dificuldade, ficar a lamentar-se e querer desistir, lembro-me logo do Tadeu, e do seu "põe água fria que isso passa".

quarta-feira, novembro 25, 2009

Os 25 Anos de Entrada (Parte IX)

Continuação de Os 25 Anos de Entrada (Parte VIII).

O "Rodinhas" (79/1977) em conversa com o Prof. Marques da Costa e o Coronel Souto.

Continua em Os 25 Anos de Entrada (Parte X).

sexta-feira, novembro 20, 2009

Passo Trocado

Portugal é um país onde há crimes, não é um país de criminosos.

Uma generalização é um acto de ignorância ou de má-fé, e se o posso compreender (mas não aceitar) de alegados jornalistas a escrever em alegados órgãos de informação, não o esperava de uma pessoa como o Professor Daniel Sampaio.

O Professor Daniel Sampaio é um psiquiatra de reconhecido mérito, especializado em adolescentes, com presença regular na imprensa, e não resistiu ao apelo do "tema da semana", escrevendo um artigo sobre o Colégio Militar na revista "Pública" do passado dia 1 de Novembro.

Daniel Sampaio começa por referir que "a comunicação social parece ter descoberto agora o que há muito se sabia: existem castigos físicos violentos no Colégio Militar". Em seguida, enumera toda uma variedade de castigos (por exemplo, a "obrigatoriedade de permanecer em 'posição de Cristo' durante horas"), e tudo é apresentado na forma de um diagnóstico claro e objectivo: é claro que existem, é claro que são generalizados, é claro que são (entre outros) estes, e é claro que toda a gente sabe há muito tempo.

A esta altura do artigo já era possível perceber que se passava alguma coisa, porque a expressão "há muito se sabia", uma variante da expressão "toda a gente sabe", é geralmente usada no debate político ou no futebol, em contextos onde a demagogia impera sobre a lógica. Normalmente quando alguém diz "toda a gente sabe" quer simplesmente dizer "eu acho que [...], e quem não concorda comigo é ignorante ou está de má-fé".

"Como se trata de um internato - um modelo educativo felizmente em extinção - [...]", segue o artigo, deixando as coisas um pouco mais claras: Daniel Sampaio não concorda com o internato e acha que este modelo deve ser extinto.

Em primeiro lugar, há que perceber de que internato é que se está a falar. Os alunos do Colégio Militar têm obrigatoriamente que dormir na instituição de segunda-feira para terça-feira, de terça-feira para quarta-feira, e de quinta-feira para sexta-feira. São três noites das sete que a semana tem - não estamos propriamente a falar do internato da "Manhã Submersa", de Vergílio Ferreira. Se devemos extinguir este internato por causa dos alunos dormirem fora de casa em três das sete noites da semana, o que é que se segue? Vamos extinguir os acampamentos dos Escuteiros? Vamos extinguir os campos de férias de verão?

E o que dizer de dezenas de colégios ingleses de grande prestígio, que têm modelos de internato mais exigentes em termos de noites dormidas do que o do Colégio Militar?

O resto do artigo deixa claro que se trata de uma expressão da opinião pessoal de Daniel Sampaio sobre o Colégio Militar - perfeitamente legítima, claro - e não de um diagnóstico profissional, como a utilização da especialidade "Psiquiatra" poderia sugerir.

Já a finalizar, Daniel Sampaio refere: "Sei que muitos alunos, pais e professores do Colégio Militar gostam desta escola. [...] Falta-lhes, contudo, a coragem que apregoam. Escasseia-lhes a bravura para denunciar o que está mal [...]". Uma perspectiva inédita e interessante: Daniel Sampaio acha que os alunos, pais e professores que gostam do Colégio (e admite que os há) são os cobardes responsáveis pela não resolução dos alegados problemas.

Mas há um caminho que me parecia razoavelmente óbvio e que Daniel Sampaio não seguiu, que é o caminho de procurar os responsáveis subindo na cadeia hierárquica, ou seja, responsabilizar a Direcção, as chefias militares e o poder político. Não será que são estas entidades e pessoas que têm a responsabilidade e os meios para identificar e resolver os alegados problemas, e quanto mais acima estão, mais responsabilidade e mais meios têm?

Porque é que Daniel Sampaio não seguiu este caminho? Esquecimento? Poucos caracteres disponíveis no artigo?

Não vou atribuir a Daniel Sampaio intenções que talvez não tenha, mas vou esclarecer os leitores sobre o que encontrarão se avançarem pelo caminho de responsabilizar a tutela pelo que alegadamente se passa no Colégio Militar: irão descobrir, entre outras coisas, que o responsável máximo pela identificação e resolução dos alegados problemas do Colégio Militar, enquanto Comandante Supremo das Forças Armadas, foi durante 10 anos (de 1996 a 2006) o Presidente Jorge Sampaio, irmão de Daniel Sampaio.

Quem diria que às vezes as soluções para os problemas parecem tão longe, mas estão em nossa casa, à mesa do almoço de Natal? Será que Daniel Sampaio não sabia que o irmão tinha capacidade e responsabilidade para resolver os alegados problemas do Colégio Militar? Terá faltado nessa altura a Daniel Sampaio "a coragem que apregoa"? Será que na altura não sabia "o que há muito se sabia"? Talvez simplesmente o Presidente Jorge Sampaio, com a informação adequada e a ponderação e responsabilidade exigidas pela função que ocupava, tenha assumido as posições que considerou mais equilibradas e adequadas aos interesses do País e de todos os envolvidos.

"Esquerdo, direito, um, dois!" era o título do artigo, mas Daniel Sampaio está com o passo trocado.

terça-feira, novembro 17, 2009

"Junk News"

Fazer uma revista semanal deve ser um desafio muito particular. As notícias do dia-a-dia já foram dadas pelos jornais diários, rádios e televisões, pelo que os leitores exigem uma abordagem com um pouco mais de profundidade, ao estilo de jornalismo de investigação; no entanto, esses objectivos chocam com o pouco tempo disponível para um trabalho sério. Estas condicionantes criam o cenário ideal para o estilo "junk news": notícias do dia-a-dia com "uma espécie de investigação".

Porque o tempo é limitado, parte-se para cada tema com a posição a defender já perfeitamente definida. Depois é necessário recolher um número mínimo de evidências (duas a três) que suportem a posição escolhida, traçar uma linha entre essas evidências, e extrair conclusões. É como inferir a imagem de um puzzle de 1.000 peças a partir de apenas uma dúzia dessas peças.

É precisamente nessa linha que se encontram as recentes notícias publicadas pelas revistas "Visão" e "Sábado": notícias superficiais, que misturam alegações recentes com outras com 25 ou 50 anos, sem qualquer validação das fontes ou qualquer contraditório, que misturam o Colégio com os Pupilos, que usam frases e ilustrações sensacionalistas.

Felizmente que o jornalismo em Portugal não é todo assim, mas é ingrato ter que suportar estas acções sem ter os mesmos meios à disposição para responder.

quinta-feira, novembro 05, 2009

As Nossa Mães

Há geralmente uma coisa que "mexe" com qualquer homem que se preze, especialmente se tiver uma ligação aos meios rurais: um insulto à sua mãe. Quantas vezes ouvi falar em militares que se envolviam em rixas porque, no meio de uma "inofensiva" troca de insultos, alguém lhes chamava "filho da p***", e aí o caso mudava de figura, porque um insulto a si próprios ainda aguentavam, agora um à sua mãe é que não.

Isso é uma fraqueza. Um militar tem que aguentar situações de tensão, como acções de manutenção de paz em cenários bastante complexos, e não se pode "ir abaixo" porque alguém insultou a sua mãe, até porque é garantido que alguém o vai fazer.

No Colégio aprendia-se cedo a separar o texto do insulto do objecto do insulto. Se eu chamasse "filho da p***" a um camarada, não estava a insultar a mãe dele, que nem tinha o prazer de conhecer, estava a insultá-lo. Se ele não gostasse de ser insultado, que reagisse, mas não havia paciência para conversas do tipo "insultaste a minha mãezinha".

O que também se aprendia cedo era a desvalorizar os insultos e as palavras que os constituem. Nas primeiras semanas aprendiam-se todos os insultos que havia para aprender, insultos esses que, depois de muito usados, perdiam o "valor facial" e deixavam de ter a carga dramática que tinham cá fora. No Colégio, ninguém andava à pancada por causa de palavras; ninguém se sentia insultado com palavras. Às vezes, até havia alguns que ficavam com alcunhas que eram palavras usadas em insultos, e pediam aos camaradas "é pá, não me chamem isso lá fora, ok?".

Por isto, reagi com naturalidade ao documento com as letras obscenas que os alunos alegadamente cantavam sobre as mães, e que é uma das peças em que se baseia a "cruzada" que um jornalista da RTP está a fazer contra o Colégio. Para mim, é tão irrelevante como a letra que descreve o relacionamento entre o Calimero e a Abelha Maia, que eu tantas vezes "fui obrigado" a cantar na formatura, quando fiz a recruta na Força Aérea.

No Colégio, só é sensível a este tema quem não gosta de lá andar e quer sair. Para isso, basta escrever as letras num papel, mostrar em casa, e a mãe diz "malandros, obrigam o meu filho a cantar isto" e tira-o de lá. Objectivo atingido. Ou então quem faz asneira e, para se safar, se desculpa com as letras obscenas que o obrigam a cantar.

Percebo e respeito as pessoas que se sentem ofendidas pelas palavras, mas são só palavras, e cada pessoa, cada cultura e cada contexto dão às palavras um valor diferente. É como o valor da nudez em público para uma Irmã Carmelita ou para uma frequentadora da Praia do Meco. E nós, às palavras que geralmente constituem os insultos, não dávamos valor.

quarta-feira, novembro 04, 2009

A Violência de Sempre - Errata

Na página 72 da revista "Sábado", no artigo "A violência de sempre",

onde se lê...

"Naquela noite, já a meio do seu primeiro ano, João Oliveira Santos foi arrancado da cama, com outros 10 ou 15 colegas, e despido. Aguentou de pé, enquanto os mais velhos espalhavam tinta plástica - própria para pintar paredes exteriores - pelo seu corpo com uma trincha."

... deve ler-se...

"Naquela noite, a última do primeiro período escolar do seu segundo ano, João Oliveira Santos foi pintado, juntamente com centenas de outros colegas, como é tradição no Colégio Militar há décadas.

As pinturas são tradicionalmente feitas com guache dissolvido em água morna, para os alunos não acordarem (objectivo impossível de atingir devido à algazarra que se gera), com a eventual adição de pasta de dentes para aumentar a quantidade de tinta. No entanto, nesse ano, um pequeno grupo de graduados, por negligência ou estupidez, utilizou tinta plástica - própria para pintar paredes exteriores. Como resultado, houve alunos que tiveram que receber tratamento de enfermagem.

Os responsáveis foram identificados e punidos com expulsão ou desgraduação (perda de responsabilidade de comando dos alunos mais novos), e este incidente permaneceu como um caso isolado na longa história da tradição.
"

Podem ver-se fotografias das "Pinturas" de 1984/85 aqui, aqui, aqui e aqui. De referir ainda que o autor deste blog faz parte do curso do Antigo Aluno entrevistado para a "Sábado", ou seja, estava lá e viveu os acontecimentos.

domingo, novembro 01, 2009

A Cobardia (Parte I)

Detesto a cobardia.

Poucas coisas há que me revoltem mais do que alguém a abusar de uma posição de força para atacar alguém, seja entre dois miúdos no recreio da escola, entre dois jovens num bar, entre um superior e um subordinado no local de trabalho, entre elementos de um casal, entre o autor de uma carta ou de um blog anónimos e as pessoas a que se referem - seja como for, com quem for e em que circunstâncias for.

Para mim, cobardia não é a parte mais fraca fugir para evitar uma situação de confronto com a parte mais forte; cobardia é a parte mais forte provocar uma situação de confronto com a parte mais fraca precisamente porque a outra parte é mais fraca e não se consegue defender. E quando o mais fraco foge, porque é fraco mas não é estúpido, o cobarde acaba a chamar-lhe cobarde. É irónico.

O Colégio repudia e sempre repudiou a violência. Quando eu era aluno, uma situação em que um aluno abusasse de uma posição de força sobre outro era designada por "despotismo", o que para a Infopedia é (1) forma de governo absoluto e discricionário, em que o poder é exercido por alguém cuja vontade não é regulada por lei, (2) mando absoluto e arbitrário, (3) acção própria de um déspota e (4) prepotência. O autor do "despotismo" era chamado de "despotista", palavra que só existia na gíria colegial, e a sua conduta era reprimida a todos os níveis.

Alguns antigos alunos são acusados de, enquanto alunos, terem praticado actos de violência sobre colegas mais novos. O assunto está em segredo de justiça, e todas as pessoas são inocentes até o Tribunal os condenar (ou, se tiverem dinheiro e influência, até o Supremo Tribunal confirmar as decisões das instâncias inferiores), mas tudo isso parece ser irrelevante para os órgãos de comunicação social, que se "atiram ao Colégio" como lobos esfaimados.

Cobardia dos alunos mais velhos, dizem.

E o que dizer de quem:

1) Viola o segredo de justiça, publicando o que lhes interessa publicar.

2) Ataca entidades que respeitam o segredo de justiça, estando assim incapazes de utilizar os factos do processo para se defenderem das acusações.

3) Ouve opiniões das diversas teses em confronto, mas selecciona e publica apenas as que interessam para provar o seu ponto de vista.

4) Utiliza meios de grande alcance para divulgar a sua mensagem.

5) Em resumo, tira partido da sua força para atacar uma entidades que não tem acesso aos mesmos meios e que não usa os mesmos métodos à margem da lei.

O que dizer? Numa palavra: cobardia.

Alguns jornalistas e órgãos de comunicação social combatem a alegada cobardia de uma forma cobarde. Não lhes interessa ouvir as partes e dar uma visão imparcial dos acontecimentos, para que os destinatários decidam, o que lhes interessa é arranjar alegações que comprovem as suas teses os as dos grupos que apoiam, sejam partidos políticos, movimentos sociais, ou outros.

Eu próprio fui contactado por uma jornalista por causa deste blog, mas como as informações que lhe dei não comprovavam a teoria que queria demonstrar, nada foi publicado. Em contrapartida, um "vestígio de sangue" com 26 anos que se encontra no blog foi cuidadosamente hidratado e servido como fresco num "cocktail" que junta todas as alegações negativas que a jornalista conseguiu encontrar.

Felizmente que jornalista ainda não é sinónimo de cobarde, mas não seria má ideia que os jornalistas com princípios começassem a fazer alguma coisa pela defesa da imagem da classe.

Neste momento devíamos estar todos tranquilos à espera do fim dos processos para que se fizesse justiça e depois tirarmos as conclusões possíveis, mas alguma comunicação social regala-se num festim de alegações e julgamentos antecipados, e os alunos e a imagem do Colégio sofrem diariamente. Os alunos do Colégio têm um regulamento de justiça que os pune quando falham; quem pune os actos de cobardia dos jornalistas e dos órgãos de comunicação social?

Quanto tempo isto vai durar? Qual vai ser o preço a pagar?

quarta-feira, agosto 26, 2009

Os 25 Anos de Entrada (Parte VIII)

Continuação de Os 25 Anos de Entrada (Parte VII).

O "Vasquinho" (555/1977), o Freire (47/1977) e o Óscar (481/1977); em 2º plano, o "Rodinhas" (79/1977).

Continua em Os 25 Anos de Entrada (Parte IX).

sexta-feira, julho 03, 2009

Os 25 Anos de Entrada (Parte VII)

Continuação de Os 25 Anos de Entrada (Parte VI).

O "Kiru" (572/1977) e o Isaías (197/1977); em 2º plano, o "Cebola" (361/1977).

Continua em Os 25 Anos de Entrada (Parte VIII).

domingo, junho 28, 2009

Os 25 Anos de Entrada (Parte VI)

Continuação de Os 25 Anos de Entrada (Parte V).

O "Fôfo" (82/1977), o Barrigão (350/1977), o Prof. Marques da Costa e o "Preto" (346/1977).

Continua em Os 25 Anos de Entrada (Parte VII).