L. A. C. - Liga Anti-Cavalo (Parte IV)
Continuação de L. A. C. - Liga Anti-Cavalo (Parte III).
Desde cedo materializei a minha aversão a cavalos numa associação virtual designada por "Liga Anti-Cavalo" ou, mais simplesmente, "LAC". Esta associação não tinha constituição formal e tinha poucos membros, devido à dificuldade dos meus camaradas em "sair do armário". Ainda hoje não há telenovelas em que o tema da fobia a cavalos seja abordado com naturalidade.
Também não vou cometer a descortesia de identificar os poucos membros que a "LAC" tinha; as suas mulheres ou namoradas, sejam da Católica ou do Cáucaso, não precisam de saber que o "Tarzan" que têm lá em casa pode ser capaz de dominar leões e crocodilos, mas tem medo de cavalos.
O tempo voa, e a última aula de equitação acabou por chegar (se bem me lembro, com 2 "malhos" do "Javardo" no campo documentado pela fotografia), e com ela a dissolução da "LAC".
Desde essa altura, nunca mais montei a cavalo - porque é que precisaria de o fazer? Aliás, porque é que alguém alguma vez precisaria de o fazer?
Quando as pessoas se deslocavam e combatiam a cavalo, fazia todo o sentido aprenderem a montar; agora faz mais sentido substituir as aulas de equitação por aulas de condução. Porque não construir um kartódromo no Colégio? Terreno não falta, e até os fardos de palha seriam reaproveitados para as escapatórias... ;-)
Continua em L. A. C. - Liga Anti-Cavalo (Parte V).
1 comentário:
Com essa do Caucaso, mataste-me, Chagas!
Quem sabe, sabe! E o Chagas sabe!
Acabei por me esquecer de ir levantar o cartão da Liga AC, cuja sede era nas latrinas do piso superior dos Claustros, e tinha a “Secretaria” aberta às Quartas-Feiras de Manhã a seguir à aula do Bata e antes da aula de Equitação.
Por isso, já quase me tinha esquecido que era Membro Vitalício e tenho omitido inconscientemente esse pormenor cá em casa por uma questão de aparências. Mas em contraponto, não tenho medo de patinar no gelo…
A cronometragem para a mijadela mais longa antes da aula de equitação acho que ia para aí na casa dos 45 segundos e esse parâmetro costumava revelar por meios empíricos, quantitativamente, o nervoso e o pânico que se sentia e definia a hierarquia de cada Membro dentro da Liga.
Depois um dos membros da Liga começou a "dopar-se" com anti-ansiolíticos (vulgo calmantes), o que começou a deturpar completamente os sintomas de "Pré-Tensão Cavalar" e a comprometer completamente a expectativa de assistirmos a esgares de cagaço fabulosos, ataques de pânico absolutamente espectaculares e quedas hilariantes durante as aulas.
Pela minha parte, ainda me lembro de uma queda minha, espectacular, com a égua Sabida, numa das aulas no picadeiro interior, após o Ten.Coronel Dores nos ter ordenado uma postura no cavalo que ficou conhecida universalmente como sendo a de condições de "Atrito Ideal"(uma condição muito emblemática da Física): trote rápido ou mesmo galope, sem mãos nas rédeas, com os braços abertos e as palmas das mão para cima, cabeça para cima, sem pés nos estribos... e depois mandou-nos saltar cavaletes duplos (70cm altura) dispostos a meio comprimento do picadeiro!
Conclusão: logo no primeiro salto de cavalete, 1 Mortal e 1/4 à rectaguarda, seguido de aterragem de costas na serradura, 1 minuto sem conseguir respirar e outro minuto a solicitar que registassem a matrícula do camião que me tinha atropelado. O Ten.Coronel Dores vociferou apenas: "Sr. Aluno, alcance o Cavalo e volte a montar imediatamente!"
Pensei só que o homem estava a brincar… não podia ser verdade. Mas lá alcancei a pileca, montei e a aula terminou sem mais percalços, mas não larguei mais as rédeas do bicho.
Ainda me queixei às instâncias disciplinares da LAC, na altura - por despeito e porque não tinha quem me contrabandeasse comprimidos de efeito similar - O Peçonha tinha saído no final do 5ºAno e o Zagalo também, para minha tristeza (Peçonha amigo, ricos Lorenins, que tu tinhas, rapazzzzzzz...rroonc...)
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